Leituras de 1º/10/10 – Comentários de A C Santini


Por Maria das Dores Cruz Rodrigues, catequista

Paróquia Santo Antônio do Bairro do Limão – São Paulo – SP

************************************************

ANO LITÚRGICO “C” – XXVI SEMANA DO TEMPO COMUM

Sexta-feira, 1º de outubro de 2010

SANTA TERESINHA, Virgem e Doutora

Branco – Prefácio Comum ou das Virgens – Ofício da Memória

************************************************

Antífona: Deus cercou-a de cuidados e a instruiu, guardou-a como a pupila dos seus olhos. Ele abriu suas asas como a águia e em cima dos seus ombros a levou. E só ele, o Senhor, foi o seu guia (Dt 32,10ss).

Oração do Dia: Ó Deus, que preparais o vosso reino para os pequenos e humildes, dai-nos seguir confiantes o caminho de santa Teresinha, para que, por sua intercessão, nos seja revelada a vossa glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.


Primeira Leitura: Jó 38, 1.12-21; 40, 3-5

Leitura do livro de Jó:

1 Então, do seio da tempestade, o Senhor deu a Jó esta resposta:

12 Algum dia na vida deste ordens à manhã? Indicaste à aurora o seu lugar,
13 para que ela alcançasse as extremidades da terra, e dela sacudisse os maus,

14 para que ela tome forma como a argila de sinete e tome cor como um vestido,

15 para que seja recusada aos maus a sua luz, e sejam quebrados seus braços já erguidos?

16 Foste até as fontes do mar? Passaste até o fundo do abismo?

17 Apareceram-te, porventura, as portas da morte? Viste, por acaso, as portas da tenebrosa morada?

18 Abraçaste com o olhar a extensão da terra? Fala, se sabes tudo isso!
19 Qual é o caminho da morada luminosa? Onde é a residência das trevas?
20 Poderias alcançá-la em seu domínio, e reconhecer as veredas de sua morada?

21 Deverias sabê-lo, pois já tinhas nascido: são tão numerosos os teus dias!

3 Queres reduzir a nada a minha justiça, e condenar-me antes de ter razão?
4 Tens um braço semelhante ao de Deus, e uma voz troante como a dele?
5 Orna-te então de grandeza e majestade, reveste-te de esplendor e glória!

Palavra do Senhor.

Graças a Deus!

Salmo Responsorial: 139/138

Conduzi-me no caminho para a vida, ó Senhor!

Senhor, vós me sondais e conheceis,

sabeis quando me sento ou me levanto;

de longe penetrais meus pensamentos,

percebeis quando me deito e quando eu ando,

os meus caminhos são todos conhecidos.

Em que lugar me ocultarei de vosso espírito?

E para onde fugirei de vossa face?

Se eu subir até os céus, ali estais;

se eu descer até o abismo, estais presente.

Se a aurora me emprestar as suas asas,

para eu voar e habitar no fim dos mares;

mesmo lá vai me guiar a vossa mão

e segurar-me com firmeza a vossa destra.

Fostes vós que me formastes as entranhas,

e no seio de minha mãe vós me tecestes.

Eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor,

porque de modo admirável me formastes!

Que prodígio e maravilha as vossas obras!

Evangelho: Lucas 10, 13-16

Aleluia, aleluia, aleluia.

Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: não fecheis os corações como em Meriba! (Sl 94,8).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas:

13 Disse Jesus: Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e Sidônia tivessem sido feitos os prodígios que foram realizados em vosso meio, há muito tempo teriam feito penitência, cobrindo-se de saco e cinza.
14 Por isso haverá no dia do juízo menos rigor para Tiro e Sidônia do que para vós.
15 E tu, Cafarnaum, que te elevas até o céu, serás precipitada até aos infernos.
16 Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou.

Palavra da Salvação.

Glória a Vós, Senhor!

Tão numerosos os teus dias… (Jó 38, 1.12-21)

Esta leitura é extraída da parte final do Livro de Jó, quando o drama se aproxima de seu clímax. De fato, o Livro de Jó é uma notável peça de teatro, com seus longos monólogos e os diálogos entre personagens que vão desfilando pelo palco da existência humana.

Diante do mal sem aparente justificativa, o homem se interroga sobre as raízes do sofrimento. Diante da aparente injustiça de Deus, que permite desgraças na vida do justo, o sofredor se revolta. Os amigos próximos pretendem explicar o mal a partir de algum pecado cometido pelo infeliz.

O capítulo 38 prepara o desfecho dramático com o primeiro “discurso de Deus”. O Criador se limita a fazer perguntas a Jó. Ele deu ordens à manhã, como faz o Criador? Diante dos grandes espaços da natureza criada – o oceano profundo, a terra extensa – qual o alcance do homem? Foi o homem quem presidiu à Criação?

E as palavras de Deus terminam por uma tirada de ironia, quando pergunta ao homem limitado, ignorante e frágil: “Deverias sabê-lo, pois já tinhas nascido: são tão numerosos os teus dias!”

Pobre Jó! Seus dias são breves. Ele passa pela terra como a flor de feno, que só dura um dia (cf. Sl 103 [102], 15). Os grandes mistérios do Cosmo escapam inteiramente ao seu conhecimento. Sendo assim, como arrogar-se o direito de pedir explicações a Deus e a seus desígnios?

Assim, não é de espantar que, face à infinita desproporção entre o Criador e a criatura, a ação dramática venha a encerrar-se com um ato de humildade da arte do homem sofredor: “É por isso que me retrato, e arrependo-me no pó e na cinza”. (Jó 42, 6.)

Em nossos dias, quando a dor nos atinge, quando o mal imprevisto invade nossa vida, também nós somos tentados a levar Deus ao banco dos réus e mover-lhe áspero processo. O sofredor acuado sempre busca por um bode expiatório, alguém que se torne objeto de sua vingança.

Esta é, no entanto, a hora de contemplar o Crucificado, vítima inocente, que abraça a cruz para nos salvar. Eu peco, ele morre. Depois dessa notável “injustiça” – aos olhos humanos -, nós somos justificados pelo sangue do justo. E perdemos qualquer direito de apresentar faturas ao Criador.

Orai sem cessar: “O Senhor atendeu às minhas lágrimas!” (Sl 6, 9)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.


santini@novaalianca.com.br

***************************************

Comentário ao Evangelho do dia feito por:

Clemente de Alexandria (150-c. 215), teólogo
Protréptico, 9; PG 8, 195-201 (a partir da trad. SC 2, p. 143, cf Orval)

«Ouvi, ó Meu povo, sou Eu Quem vai falar» (Sl 49, 7)

«Oxalá ouvísseis hoje a Sua voz! Não torneis duros os vossos corações como em Meriba, […] no deserto, quando os vossos pais Me provocaram. […] Eles não entrarão no lugar do Meu repouso» (Sl 94, 7-11). A graça da promessa de Deus é abundante, se hoje ouvirmos a Sua voz, porque este hoje estende-se a cada novo dia enquanto se disser «hoje». Este hoje permanece até ao fim dos tempos, como permanece também a possibilidade de aprendermos. Nesse momento, o verdadeiro hoje, o dia sem fim de Deus, confundir-se-á com a eternidade. Obedeçamos pois sempre à voz do Verbo divino, à Palavra de Deus encarnada, porque o hoje de sempre é a imagem da eternidade e o dia é símbolo da luz; ora, o Verbo é para os homens a luz (Jo 1, 9) na qual vemos a Deus.

É pois natural que a graça superabunde para aqueles que acreditaram e obedeceram, mas também é natural que, contra aqueles que foram incrédulos […], que não reconheceram as vias do Senhor […], Deus Se irrite e os ameace. […] O mesmo aconteceu aos hebreus, que erraram pelo deserto e não entraram no lugar o repouso por causa da sua incredulidade. […]

O Senhor ama os homens e, por isso, convida-os a todos «ao conhecimento da verdade» (1Tim 2, 4) e envia-lhes o Espírito Santo, o Paráclito. […] Escutai, pois, vós que estais longe e vós que estais perto (Ef 2, 17). O Verbo não Se esconde de ninguém. Ele é a nossa luz, Ele brilha para todos os homens. Apressemo-nos pois a alcançar a salvação através do novo nascimento. Apressemo-nos a reunir-nos num só rebanho, na unidade do amor. E esta multidão de vozes […], obedecendo a um único Senhor, o Verbo, encontrará o lugar o seu repouso na própria Verdade e poderá dizer: «Abba, Pai!» (Rom 8, 15).

***************************************

TEMPO COMUM. VIGÉSIMA SEXTA SEMANA. SEXTA-FEIRA

26. PREPARAR A ALMA

Por Francisco Fernández-Carvajal, sacerdote

– As cidades que não quiseram converter-se.

– Motivos para a penitência. As mortificações passivas.

– As mortificações voluntárias e as que nascem do perfeito cumprimento do dever.

I. JESUS PASSOU muitas vezes pelas ruas e praças das cidades que estavam à margem do lago de Genesaré, e foram incontáveis os milagres e as bênçãos que derramou sobre os seus habitantes; mas estes não se converteram, não souberam acolher o Messias de quem tanto tinham ouvido falar na sinagoga. Por isso o Senhor queixou-se com pesar: Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sídon se tivessem realizado os milagres que se fizeram em vós, há muito tempo que teriam feito penitência… E tu, Cafarnaum, serás exaltada até o céu? Serás abatida até o inferno1.

Jesus tinha semeado a mãos cheias naqueles lugares, mas não foi muito o que colheu. Os seus habitantes não fizeram penitência, e, sem essa conversão do coração, acompanhada de sacrifício, a fé obnubila-se e não se chega a descobrir Cristo que nos visita. Tiro e Sídon tinham menos responsabilidade porque tinham recebido menos graças.


Por isso, como diz o Espírito Santo, se ouvirdes hoje a sua voz, não queirais endurecer os vossos corações…

2 Deus fala aos homens de todos os tempos. Cristo continua a passar pelas nossas cidades e aldeias, bem como a derramar as suas bênçãos sobre nós. Saber escutá-lo e cumprir a sua vontade hoje e agora é de importância capital para a nossa vida. Nada é tão importante. Não há momento algum em que não seja necessário escutar com prontidão e docilidade esses apelos que Jesus faz ao coração de cada um, pois “não é a bondade de Deus que tem a culpa de que a fé não nasça em todos os homens, mas a disposição insuficiente dos que recebem a pregação da palavra”3.

Esta resistência à graça é chamada freqüentemente na Sagrada Escritura dureza de coração4. O homem costuma alegar dificuldades intelectuais ou teóricas para se converter ou dar um passo adiante na sua fé; mas não raras vezes trata-se simplesmente de más disposições na vontade, que se nega a abandonar um mau hábito ou a lutar decididamente contra um defeito, esse que lhe dificulta uma maior correspondência ao que o Senhor, que passa ao seu lado, lhe pede claramente.

O sacrifício prepara a alma para ouvir o Senhor e prepara a vontade para segui-lo: “Se queremos ir a Deus, é necessário que mortifiquemos a alma com todas as suas potências”5. Pelo sacrifício, o nosso coração converte-se em terra boa que espera a semente para dar fruto. À semelhança do lavrador, temos de arrancar e queimar a cizânia, as pragas que continuamente tendem a crescer na alma: a preguiça, o egoísmo, a inveja, a curiosidade… Por isso, a Igreja convida-nos sempre – e de maneira especial neste dia da semana, a sexta-feira – a examinar como vai o nosso espírito de penitência e de sacrifício, e anima-nos a ser mais generosos, imitando Cristo que se ofereceu na Cruz por todos os homens.

II. QUEM ADOTOU a firme resolução de levar uma vida cristã, na sua mais plena integridade, precisa do exercício contínuo de fazer morrer o homem velho com todas as suas obras6, quer dizer, de lutar contra o “conjunto de más inclinações que herdamos de Adão, a tríplice concupiscência que temos de reprimir e refrear mediante o exercício da mortificação”7.

Mas essas mortificações não são algo negativo; pelo contrário, rejuvenescem a alma, preparam-na para entender e receber os bens divinos, e servem para reparar os pecados passados. Por isso pedimos freqüentemente ao Senhor emendationem vitae, spatium verae paenitentiae: um tempo para fazer penitência e emendar a vida8.

São três os principais campos em que podemos desenvolver generosamente o espírito de penitência no meio dos nossos afazeres diários.

Em primeiro lugar, o da aceitação amorosa e serena dos contratempos que nos chegam a cada passo. Trata-se de coisas, muitas vezes pequenas, que nos são contrárias, que não se apresentam como desejaríamos ou que chegam de modo inesperado ou contrário ao que tínhamos previsto, e que exigem uma mudança de planos: uma pequena doença que diminui a nossa capacidade de trabalho, um esquecimento, o mau tempo que dificulta uma viagem, o excesso de trânsito, o caráter difícil de uma pessoa com quem temos de trabalhar… Essas coisas não dependem de nós, mas temos de recebê-las como uma oportunidade para amar a Deus, acolhendo-as com paz, sem permitir que nos tirem a alegria.

São coisas pequenas, “mas que, se não se assimilam por Amor, vão gerando no homem uma espécie de nervosismo, um ânimo pouco aprazível e triste. A maior parte dos nossos aborrecimentos não provêm de grandes contratempos, mas de pequenas dificuldades não assimiladas. O homem que chega ao fim do dia preocupado, entristecido, de mau humor, de mau gênio, não é ordinariamente por ter experimentado graves reveses, mas porque foi acumulando uma série de contratempos mínimos que não soube incorporar a uma vida de amor, a uma vida de proximidade com Deus”9.

Esse homem perdeu muitas ocasiões de crescer nas virtudes e, além disso, deixou de fortalecer-se para poder aceitar situações mais difíceis, como queridas ou ao menos permitidas pelo Senhor para uni-lo mais intimamente a Ele.

Quando Deus vem ao mundo “para curar e remediar as nossas rebeldias e misérias espirituais na sua raiz, destrói muitas coisas por serem inúteis; mas deixa intacta a dor. Não a suprime, dá-lhe um novo sentido. Ele poderia ter escolhido mil caminhos diferentes para alcançar a Redenção do gênero humano – para isso veio ao mundo –, mas na realidade escolheu um único: o da Cruz. E por essa via leva a sua própria Mãe, Maria, e José, e os Apóstolos, e todos os filhos de Deus. O Senhor, que permite o mal, sabe tirar bens em benefício das nossas almas”10.

Não deixemos de converter as contrariedades em ocasião de crescimento no amor.

III. OUTRO CAMPO das nossas mortificações diárias é o do cumprimento do dever, através do qual temos de nos santificar. Aí encontramos habitualmente a vontade de Deus para nós; e levá-lo a cabo com perfeição, com amor, requer sacrifício. Por isso a mortificação mais grata ao Senhor “está na ordem, na pontualidade, no cuidado dos pormenores do trabalho que realizamos; no cumprimento fiel do menor dever de estado, mesmo quando custa sacrifício; em fazer o que temos obrigação de fazer, vencendo a tendência para o comodismo. Não perseveramos no trabalho porque temos vontade, mas porque é preciso fazê-lo; e então fazemo-lo com vontade e alegria”11.

O cansaço, conseqüência de termos trabalhado a fundo, realmente mergulhados nas nossas ocupações, converte-se numa gratíssima oferenda ao Senhor que nos santifica. Pensemos hoje se não somos dessas pessoas que se queixam com freqüência do seu trabalho diário, em vez de nos lembrarmos de que deve aproximar-nos de Deus. Um breve olhar ao crucifixo que tenhamos na parede do escritório ou sobre a mesa de trabalho ajudar-nos-á a não protestar interiormente, mas a abrir os braços para acolher o dever de cada momento.

O terceiro campo dos nossos sacrifícios está, ordinariamente, naquelas mortificações que procuramos voluntariamente com o desejo de agradar ao Senhor e de nos prepararmos melhor para orar, para vencer as tentações, para ajudar os nossos amigos a aproximar-se do Senhor. Entre esses sacrifícios, devemos preferir os que vão em ajuda dos outros. “Fomenta o teu espírito de mortificação nos detalhes de caridade, com ânsias de tornar amável a todos o caminho de santidade no meio do mundo: às vezes, um sorriso pode ser a melhor prova do espírito de penitência”12.

Vencer, com o auxílio do Anjo da Guarda, os estados de ânimo, o cansaço…, será muito grato ao Senhor e uma grande ajuda para as pessoas que temos ao nosso lado. “O espírito de penitência consiste principalmente em aproveitar essas abundantes miudezas – ações, renúncias, sacrifícios, serviços… – que encontramos cada dia no caminho, para convertê-las em atos de amor, de contrição, em mortificações, formando um ramalhete no fim de cada dia: um belo ramo, que oferecemos a Deus!”13

(1) Lc 10, 13-15; (2) Hebr 3, 7-8; (3) São Gregório Nazianzeno, Oratio catechetica magna, 31; (4) Êx 4, 21; Rom 9, 18; (5) Cura d’Ars, Sermão para a Quarta-Feira de Cinzas; (6) Col 3, 9; (7) Adolphe Tanquerey, Compendio de teología ascética e mística, n. 323; (8) cfr. Missal Romano, Formula intentionis Missae; (9) A. G. Dorronsoro, Tiempo para creer, Rialp, Madrid, 1976, pág. 142; (10) Jesús Urteaga, Los defectos de los santos, págs. 222-223; (11) São Josemaría Escrivá, Carta, 15.10.48; (12) São Josemaría Escrivá, Forja, n. 149; (13) ibid., n. 408.

Anúncios
Esse post foi publicado em Geral. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s