Reflexão


S. Francisco de Assis, diácono, +1224

Comentário ao Evangelho do dia feito por

Orígenes (c. 185-253), presbítero e teólogo
Comentário sobre o Cântico dos cânticos, prólogo 2, 26-31 (a partir da trad. cf SC 375, pp. 111ss.)

«Vai e faz tu também o mesmo.»

Está escrito : «Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus» (1Jo
4, 7); e mais adiante: «Deus é amor» (8). Deste modo se diz, por um lado,
que o próprio Deus é amor, e por outro, que aquele que é de Deus é amor.
Ora, quem é de Deus senão aquele que diz: «Saí de Deus e vim a este mundo»?
(Jo 16, 28). Se Deus Pai é amor, também o Filho é amor […] ; o Pai e o
Filho são um só e em nada diferem. Eis a razão por que Cristo é chamado,
para além de Sabedoria, Poder, Justiça, Verbo e Verdade, também Amor.
[…]

E, porque Deus é amor e o Filho que é de Deus é amor, exige em nós algo
semelhante a Ele, de tal maneira que, por este amor, por esta caridade que
está em Cristo Jesus […], sejamos unidos a Ele por uma espécie de
parentesco, graças a este nome. Como dizia São Paulo, que estava unido a
Ele: «Quem nos separará do amor de Deus, que está em Cristo Jesus Nosso
Senhor?» (Rom 8, 39).

Ora, este amor de caridade considera que todo o homem é o nosso próximo.
Foi por essa razão que o Salvador repreendeu um homem que estava convencido
de que a alma justa não estava obrigada a observar para com todos as leis
do tratamento ao próximo. […] E compôs a parábola segundo a qual «certo
homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores».
Depois censura o sacerdote e o levita que, vendo-o meio morto, passaram
adiante, mas presta homenagem ao Samaritano, que teve misericórdia para com
ele. E confirma que este último foi o próximo do homem ferido com a
resposta daquele mesmo que tinha feito a pergunta, a quem diz: «Vai e faz
tu também o mesmo». Com efeito, por natureza, nós somos todos o próximo uns
dos outros, mas pelas obras de caridade, aquele que pode fazer bem torna-se
próximo daquele que não pode. Foi por isso que o nosso Salvador Se fez
nosso próximo, e não passou adiante quando estávamos «meio mortos» em
consequência dos ferimentos infligidos pelos «salteadores».

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