Leituras de 09/10/10


ANO LITÚRGICO “C” – XXVII SEMANA DO TEMPO COMUM

Sábado, 9 de outubro de 2010

Verde – Ofício do Dia

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Antífona: Senhor, tudo está em vosso poder e ninguém pode resistir à vossa vontade. Vós fizestes todas as coisas: o céu, terra e tudo o que eles contêm; sois o Deus do universo! (Est 1,9ss).

Oração do Dia: Ó Deus eterno e todo-poderoso, que nos concedeis, no vosso imenso amor de Pai, mais do que merecemos e pedimos, derramai sobre nós a vossa misericórdia, perdoando o que nos pesa na consciência e dando-nos mais do que ousamos pedir. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Primeira Leitura: Gálatas 3, 22-29

Leitura da carta de são Paulo aos Gálatas:

22 mas a Escritura encerrou tudo sob o império do pecado, para que a promessa mediante a fé em Jesus Cristo fosse dada aos que creem.

23 Antes que viesse a fé, estávamos encerrados sob a vigilância de uma lei, esperando a revelação da fé.

24 Assim a lei se nos tornou pedagogo encarregado de levar-nos a Cristo, para sermos justificados pela fé.

25 Mas, depois que veio a fé, já não dependemos de pedagogo,

26 porque todos sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo.

27 Todos vós que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo.
28 Já não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus.

29 Ora, se sois de Cristo, então sois verdadeiramente a descendência de Abraão, herdeiros segundo a promessa.

Palavra do Senhor.

Graças a Deus!

Salmo Responsorial: 105/104

O Senhor se lembra sempre da aliança!

Cantai, entoai salmos para ele,
publicai todas as suas maravilhas!
Gloriai-vos em seu nome, que é santo,
exulte o coração que busca a Deus!

Procurai o Senhor Deus e seu poder,
buscai constantemente a sua face!
Lembrai as maravilhas que ele fez,
seus prodígios e as palavras de seus lábios!

Descendentes de Abraão, seu servidor,
e filhos de Jacó, seu escolhido,
ele mesmo, o Senhor, é nosso Deus,
vigoram suas leis em toda a terra.

Evangelho: Lucas 11, 27-28

Aleluia, aleluia, aleluia.

Feliz quem ouve e observa a palavra de Deus! (Lc 11,28)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas:

27 Enquanto Jesus assim falava, uma mulher levantou a voz do meio do povo e lhe disse: Bem-aventurado o ventre que te trouxe, e os peitos que te amamentaram!

28 Mas Jesus replicou: Antes bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e a observam!

Palavra da Salvação.

Glória a Vós, Senhor!

Bem-aventurada! (Lc 11, 27-28)

Apenas dois versículos, mas costumam incomodar quando mal interpretados… Do meio do povo, uma mulher emocionada além da conta deixa escapar um grito: “Bem-aventurada aquela que te trouxe no seio e te amamentou!”

Ouvindo a pregação de Jesus, seduzida por sua voz amorosa, tocada pelo fogo das palavras do Mestre, aquela mulher do povo deve ter pensado: “Que homem! Eu quisera ter um filho assim!” Natural, o próximo passo foi refletir? “Mulher feliz aquela que o trouxe ao mundo!” E, logo, se perguntar: “Quem seria a sua mãe?” Não espanta, pois, que se descontrolasse a gritar, sem pudor perante a multidão: “Bem-aventurada!”

A resposta de Jesus pode desconcertar leitores desavisados: “Bem-aventurados antes os que ouvem a palavra de Deus e a observam!” Muitos entenderam (mal!) que Jesus estava desmerecendo a pessoa de Maria, sua Mãe, aquela que o gestara e amamentara. Na verdade, Jesus está reorientando o olhar e a compreensão de seus ouvintes para o fato de que, acima da maternidade biológica de Maria, o que realmente a fez “feliz” (bem-aventurada) foi sua atitude de acolhida do Verbo (=Palavra), a ponto de gerá-lo em sua natureza humana.

Outra coisa não ensina o Concílio Vaticano II: “Esta união entre Mãe e Filho na obra da salvação manifesta-se desde o tempo da virginal concepção de Cristo até sua morte”. (LG, 57.) “No decurso da pregação de seu Filho, ela recebeu as palavras pelas quais, exaltando o Reino acima de raças e vínculos de carne e sangue, Ele proclamou bem-aventurados os que ouvem e guardam a palavra de Deus, tal como ela mesma fielmente o fazia”. (LG, 58.)

Assim, nem de longe Jesus pretende rejeitar o elogio que a mulher do povo dirige à sua Mãe. Afinal, “todas as gerações a proclamariam bem-aventurada” (cf. Lc 1, 48), e a mulher anônima simplesmente cumpre aquela profecia. O bom Filho apenas aponta para as motivações mais profundas da “felicidade” de sua Mãe.

Além do mais, um olhar atento verá que Maria cumpre todas as bem-aventuranças de Mateus 5: foi pobre e chorou, foi mansa e sedenta de justiça, misericordiosa e pura, pacífica e perseguida. E ainda se acha, hoje, quem a injurie por causa de seu Filho… Precisa mais?

Orai sem cessar: “Felizes os que habitam em tua casa, Senhor!” (Sl 84, 5)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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Comentário ao Evangelho do dia feito por:

S. Sofrónio de Jerusalém ( ?-639), monge, bispo

Homilia para a Anunciação, 2; PG 87, 3, 3241 (a partir da trad. do breviário)

«Feliz a mãe que Te trouxe»

«Rejubila, ó cheia de graça, o Senhor é contigo» (Lc 1, 28). E o que pode haver de superior a esse júbilo, ó Virgem e Mãe? O que pode haver acima dessa graça? […] Verdadeiramente «bendita és tu entre todas as mulheres» (Lc 1, 42), porque transformaste em bênção a maldição de Eva, e porque Adão, que até então fora maldito, obteve de ti a bem-aventurança.

Verdadeiramente «bendita és tu entre todas as mulheres» porque, graças a ti, se derramou sobre os homens a bênção do Pai, que os libertou da antiga maldição. Verdadeiramente «bendita és tu entre todas as mulheres» porque, graças a ti, foram salvos os teus antepassados, pois que foste tu quem gerou o Salvador que lhes obteria a redenção.

Verdadeiramente «bendita és tu entre todas as mulheres» porque, sem teres recebido semente, em ti trouxeste o fruto que doa a toda a terra a bem-aventurança, e a resgata da maldição donde nascem os espinhos. Verdadeiramente «bendita és tu entre todas as mulheres» porque, sendo por natureza mulher, na realidade te tornaste Mãe de Deus, uma vez que, sendo Aquele que geraste, na verdade, Deus feito carne, a mui justo título és chamada Mãe de Deus, porque é Deus Quem verdadeiramente deste à luz.

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TEMPO COMUM. VIGÉSIMA SÉTIMA SEMANA. SÁBADO

36. ORAÇÕES À MÃE DE JESUS

Por Francisco Fernández-Carvajal, sacerdote

– A Virgem sempre nos conduz ao seu Filho.

– O Santo Rosário, a oração preferida da Virgem.

– Frutos da devoção a Santa Maria.

I. COMO EM TANTAS outras ocasiões, Jesus estava falando à multidão. E eis que uma mulher do povo levantou a voz e gritou: Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos que te amamentaram1.

Jesus deve ter-se lembrado naquele momento da sua Mãe, e esse louvor da mulher desconhecida tocou-lhe com certeza o Coração. O Senhor olhou-a sem dúvida com complacência e agradecimento. “Profundamente emocionada no seu coração pelos ensinamentos de Jesus, e perante a sua figura amável, aquela mulher não pôde conter a sua admiração. Reconhecemos nas suas palavras uma amostra genuína da religiosidade popular sempre viva entre os cristãos ao longo da história”2. Naquele dia começou a cumprir-se o Magnificat: … Todas as gerações me chamarão bem-aventurada. Uma mulher, com o à-vontade do povo, tinha começado o que não terminaria até o fim dos tempos.

Jesus, fazendo-se eco do louvor, torna ainda mais profundo o elogio à sua Mãe: Bem-aventurados antes os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática. Maria é bem-aventurada, certamente, por ter trazido o Filho de Deus no seu seio puríssimo e por tê-lo alimentado e cuidado dele, mas é-o ainda mais por ter acolhido com extrema fidelidade a palavra de Deus. “No decurso da pregação de Jesus, Ela recebeu as palavras pelas quais o seu Filho, exaltando o Reino por cima das raças e dos vínculos da carne e do sangue, proclamou bem-aventurados os que ouvem e guardam a palavra de Deus, tal como Ela mesma fielmente o fazia (cfr. Lc 2, 19)”3.

Esta passagem do Evangelho4, que se lê na Missa de hoje, ensina-nos uma excelente forma de louvar e de honrar o Filho de Deus: venerar e enaltecer a sua Mãe. Os elogios a Maria soam muito gratamente aos ouvidos de Jesus. É por isso que nos dirigimos muitas vezes a Ela com tantas jaculatórias e devoções, com a recitação do Santo Rosário. “Do mesmo modo que aquela mulher do Evangelho – diz o Papa João Paulo II – lançou um grito de bem-aventurança e de admiração para Jesus e sua Mãe, assim também vós, no vosso afeto e na vossa devoção, costumais unir sempre Maria a Jesus. Compreendeis que a Virgem nos conduz ao seu divino Filho, e que Ele sempre escuta as súplicas dirigidas à sua Mãe”5.

A Virgem é o caminho mais curto para chegarmos a Cristo, e por Ele, à Santíssima Trindade. Honrando Maria, sendo verdadeiramente filhos seus, imitamos Cristo e fazemo-nos semelhantes a Ele. “Pois Maria, tendo entrado intimamente na história da salvação, une em si e de certo modo reflete as supremas normas da fé. Quando é proclamada e cultuada, leva os fiéis ao seu Filho, ao sacrifício do Filho e ao amor do Pai”6. Com Ela andamos bem seguros.

II. TAMBÉM NÓS queremos unir-nos a esse longo desfile de pessoas tão diversas que através dos séculos souberam honrar Maria. A nossa voz une-se a esse clamor que jamais cessará. Nós também aprendemos a ir a Jesus por Maria, e neste mês, seguindo o costume da Igreja, queremos fazê-lo pondo mais empenho em rezar atentamente o terço, “que é fonte de vida cristã. Procurai rezá-lo diariamente, sozinhos ou em família, repetindo com uma grande fé essas orações fundamentais do cristão que são o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Glória – exortava o Romano Pontífice –. Meditai nessas cenas da vida de Jesus e de Maria, que nos recordam os mistérios de gozo, dor e glória. Aprendereis assim, nos mistérios gozosos, a pensar em Jesus que se fez pobre e pequeno: uma criança!, por nós, para nos servir; e vos sentireis impelidos a servir o próximo nas suas necessidades. Nos mistérios dolorosos, compreendereis que aceitar com docilidade e amor os sofrimentos desta vida – como Cristo na sua Paixão –, leva à felicidade e à alegria, que se manifesta nos mistérios gloriosos de Cristo e de Maria à espera da vida eterna”7.

O Santo Rosário é a oração preferida de Nossa Senhora8, uma oração que sempre chega ao seu Coração de Mãe e nos concede inumeráveis graças e bens. Já se comparou esta devoção a uma escada, que subimos degrau a degrau, indo “ao encontro da Senhora, que quer dizer ao encontro de Cristo. Porque esta é uma das características do Rosário, a mais importante e a mais bela de todas: uma devoção que por meio da Virgem nos leva a Cristo. Cristo é o termo desta longa e repetida invocação a Maria. Fala-se a Maria para chegar a Cristo”9.

Que paz nos deve dar repetir devagar a Ave-Maria, detendo-nos talvez em alguma das suas partes! Ave, Maria…, e a saudação, ainda que a tenhamos repetido milhões de vezes, soa sempre a algo novo. Santa Maria…, Mãe de Deus!… rogai por nós… agora! E Ela nos olha, e sentimos a sua proteção maternal. “A piedade – tal como o amor – não se cansa de repetir com freqüência as mesmas palavras, porque o fogo da caridade que as inflama faz com que sempre tenham algo novo”10.

III. A DEVOÇÃO À VIRGEM não é de maneira nenhuma “um sentimento estéril e transitório, nem uma certa vã credulidade”11, própria de pessoas de pouca idade ou formação. Pelo contrário – continua a afirmar o Concílio Vaticano II –, “procede da verdadeira fé, pela qual somos levados a reconhecer a excelência da Mãe de Deus e impelidos a um amor filial para com a nossa Mãe e à imitação das suas virtudes”12.

O amor à Virgem anima-nos a imitá-la e, portanto, a cumprir fielmente os nossos deveres, a levar alegria a todos os lugares aonde vamos. Move-nos a repelir todo o pecado, até o mais leve, e incita-nos a lutar com empenho contra os nossos defeitos. Contemplar a docilidade de Maria à ação do Espírito Santo na sua alma é sentirmo-nos estimulados a cumprir a vontade de Deus a todo o momento, também quando nos custa. O amor que nasce no nosso coração ao invocá-la é o melhor remédio contra a tibieza e contra as tentações de orgulho e da sensualidade.

Quando fazemos uma romaria ou visitamos um santuário dedicado à nossa Mãe do Céu, fazemos uma boa provisão de esperança. Ela mesma – Spes nostra – é a nossa esperança! Sempre que rezamos com atenção o terço e nos detemos uns instantes a meditar cada um dos mistérios que nele se propõem, obtemos mais forças para lutar, mais alegria e desejos mais firmes de ser melhores. “Não se trata tanto de repetir fórmulas como de falar como pessoas vivas com uma pessoa viva, que, se não a vedes com os olhos do corpo, podeis no entanto vê-la com os olhos da fé. Com efeito, a Virgem e o seu Filho vivem no Céu uma vida muito mais “viva” do que a nossa – mortal – que vivemos aqui na terra.

“O Rosário é um colóquio confidencial com Maria, uma conversa cheia de confiança e de abandono. É confiar-lhe as nossas penas, manifestar-lhe as nossas esperanças, abrir-lhe o nosso coração. É declararmo-nos à sua disposição para tudo o que Ela, em nome do seu Filho, nos peça. É prometer-lhe fidelidade em todas as circunstâncias, mesmo as mais dolorosas e difíceis, certos da sua proteção, certos de que, se o pedimos, Ela sempre obterá do seu Filho todas as graças necessárias à nossa salvação”13.

Façamos o propósito neste sábado mariano de oferecer-lhe com mais amor essa coroa de rosas que a palavra “rosário” significa na sua etimologia. Não rosas murchas pela falta de amor ou pelo descuido.

“Santo Rosário. Os gozos, as dores e as glórias da vida de Nossa Senhora tecem uma coroa de louvores que os Anjos e os Santos do Céu repetem ininterruptamente…, como também os que amam a nossa Mãe aqui na terra. – Pratica diariamente esta devoção santa e difunde-a”14.

Através desta devoção, a nossa Mãe do Céu devolver-nos-á a esperança se alguma vez, ao considerarmos tantas fraquezas, sentirmos na alma a sombra do desalento. “«Virgem Imaculada, bem sei que sou um pobre miserável, que não faço mais do que aumentar todos os dias o número dos meus pecados…» Disseste-me o outro dia que falavas assim com a Nossa Mãe.

“E aconselhei-te, com plena segurança, que rezasses o terço: bendita monotonia de ave-marias, que purifica a monotonia dos teus pecados!”15

(1) Lc 11, 27-28; (2) João Paulo II, Alocução, 5.04.87; (3) Concílio Vaticano II, Constituição Lumen gentium, 58; (4) Lc 11, 27-28; (5) João Paulo II, Alocução; (6) Concílio Vaticano II, Constituição Lumen gentium, 65; (7) João Paulo II, Alocução; (8) Paulo VI, Carta Encíclica Mense Maio, 29.04.65; (9) Paulo VI, Alocução, 10.05.64; (10) Pio XI, Carta Encíclica Ingravescentibus malis, 29.09.37; (11) Concílio Vaticano II, Constituição Lumen gentium, 67; (12) ibid.; (13) João Paulo II, Alocução, 25.04.87; (14) São Josemaría Escrivá, Forja, n. 621; (15) São Josemaría Escrivá, Sulco, n. 475.

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