Leituras de 29/10/10


ANO LITÚRGICO “C” – XXX SEMANA DO TEMPO COMUM

Sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Vede – Ofício do Dia

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Antífona: Exulte o coração do que buscam a Deus. Sim, buscai o Senhor e sua força, procurai sem cessar a sua face (Sl 104,3s).

Oração do Dia: Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.


Primeira Leitura: Filipenses 1, 1-11

Leitura da carta de são Paulo aos Filipenses:

1 Paulo e Timóteo, servos de Jesus Cristo, a todos os santos em Jesus Cristo, que se acham em Filipos, juntamente com os bispos e diáconos:
2 a vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo!

3 Dou graças a meu Deus, cada vez que de vós me lembro.

4 Em todas as minhas orações, rezo sempre com alegria por todos vós,
5 recordando-me da cooperação que haveis dado na difusão do Evangelho, desde o primeiro dia até agora.

6 Estou persuadido de que aquele que iniciou em vós esta obra excelente lhe dará o acabamento até o dia de Jesus Cristo.
7 É justo que eu tenha bom conceito de todos vós, porque vos trago no coração, por terdes tomado parte na graça que me foi dada, tanto na minha prisão como na defesa e na confirmação do Evangelho.
8 Deus me é testemunha da ternura que vos consagro a todos, pelo entranhado amor de Jesus Cristo!
9 Peço, na minha oração, que a vossa caridade se enriqueça cada vez mais de compreensão e critério,
10 com que possais discernir o que é mais perfeito e vos torneis puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo,
11 cheios de frutos da justiça, que provêm de Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus.

Palavra do Senhor.

Graças a Deus!

Salmo Responsorial: 111/110

Grandiosas são as obras do Senhor!

Eu agradeço a Deus de todo o coração,

junto com todos os seus justos reunidos!

Que grandiosas são as obras do Senhor,

elas merecem todo o amor e admiração!

Que beleza e esplendor são os seus feitos!

Sua justiça permanece eternamente!

O Senhor bom e clemente nos deixou

a lembrança de suas grandes maravilhas.

Ela dá o alimento aos que o temem

e jamais esquecerá sua aliança.

Ao seu povo manifesta seu poder,

dando a ele a herança das nações.

Evangelho: Lucas 14, 1-6

Aleluia, aleluia, aleluia.
Minhas ovelhas escutam minha voz, eu as conheço e elas me seguem (Jo 10,27).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Luca:

1 Jesus entrou num sábado em casa de um fariseu notável, para uma refeição; eles o observavam.
2 Havia ali um homem hidrópico.
3 Jesus dirigiu-se aos doutores da lei e aos fariseus: É permitido ou não fazer curas no dia de sábado?
4 Mas eles se calaram. Então Jesus, tomando o homem pela mão, curou-o e despediu-o.
5 Depois, dirigindo-se a eles, disse: Qual de vós que, se lhe cair o jumento ou o boi num poço, não o tira imediatamente, mesmo em dia de sábado?
6 A isto nada lhe podiam replicar.

Palavra da Salvação

Glória a Vós, Senhor!

Mas eles se calaram… (Lc 14, 1-6)

Quando Jesus nasceu em Belém, o coro de anjos cantava a glória e a paz. Nas alturas, glória a Deus. Na terra, paz aos homens de boa vontade. Parece que a “boa vontade” (no latim de São Jerônimo, bonae voluntatis) é apenas um outro sinônimo do amor.

Sim, da parte de Deus, a “boa vontade” é total, infinita: ele quer que todos se salvem. Já da parte dos homens, a coisa é mais complicada: aqui e ali, sempre aparece alguém de má-vontade, fechado ao amor e ao perdão, escravo da lei, indisposto a acolher o dom gratuito de Deus.

Foi assim na sinagoga, como relata o Evangelho de hoje. Jesus se compadece de um enfermo e decide curá-lo. Na época, a medicina era considerada como “trabalho manual” (tradução literal do grego “cirurgia”: quiros= mão; ergon= trabalho). Por isso mesmo, fazia parte dos trabalhos proibidos no sábado judaico. Os adversários de Jesus (teriam eles, de propósito, levado o doente à reunião, como arapuca para o Mestre?!) estão de olho em seu comportamento.

É quando Jesus pergunta: “É permitido, ou não, curar no sábado?” E São Lucas, também ele médico, registra: “Mas eles se calaram.” Este silêncio é a marca registrada de sua má-vontade. É o indicador de sua consciência turva. Calam-se para fugir de uma resposta franca. Sequer pretendem discutir a questão.

Senhor do sábado, Jesus cura o hidrópico. Legistas e fariseus, em lugar de se alegrarem com a cura do vizinho, condenam intimamente a atitude de Jesus. Mas Jesus ainda tem um argumento insuperável: se um boi caísse no poço, em dia de sábado, eles não estariam prontos a intervir para recuperar o animal? Ora, aos olhos de Deus, nós somos filhos muito amados. Não seria um preceito legal a impedir sua ação salvadora…

Em nossos dias, a Igreja de Jesus se esforça para entrar em diálogo com os vários setores da sociedade. Quer dialogar sobre a paz e o desarmamento, sobre a pobreza e a partilha dos bens, sobre a vida e a defesa dos fetos. Mas muitos se calam. Recusam-se ao diálogo. Já fecharam questão (e os corações). Irão adiante em seus projetos de morte e de poder, de lucro e dominação.

E nós? Responderemos à Palavra de Deus?

Orai sem cessar: “É o Senhor quem cura as tuas enfermidades!” (Sl 103, 3)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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Comentário ao Evangelho do dia feito por :

Bem-aventurado Guerric d’Igny (c. 1080-1157), monge cisterciense
(a partir da trad. Bouchet, Lectionnaire, p. 299)

Jesus à mesa com os fariseus

O Criador eterno e invisível do mundo, dispondo-Se a salvar o gênero humano que se arrastava ao longo dos tempos sujeito às duras leis da morte, «nestes tempos que são os últimos» (Heb 1, 2) dignou-Se encarnar […], para resgatar, na Sua clemência, os que na Sua justiça havia condenado. Para mostrar a profundidade do Seu amor por nós, não apenas Se fez homem, mas homem pobre e humilde, para que, ao aproximar-Se de nós na Sua pobreza, nos levasse a ter parte nas Suas riquezas (2 Cor 8, 9). Fez-Se tão pobre por nós, que não tinha onde repousar a cabeça: «As raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça» (Mt 8, 20).

Foi por isso que aceitou ir comer uma refeição com os que O convidaram, não pelo gosto imoderado da comida, mas para aí ensinar a salvação e suscitar a fé. E encheu os convivas de luz pelos Seus milagres. E os servos, que estavam ocupados no interior e não tinham a liberdade de chegar perto Dele, ouviram a palavra da salvação. Com efeito, Ele não menosprezava ninguém, ninguém era indigno do Seu amor porque «Vós tendes compaixão de todos, […] amais tudo o que existe, e não aborreceis nada do que fizestes» (Sab 11, 23-24).

Portanto, para realizar a Sua obra de salvação, o Senhor entrou, num sábado, na casa de um fariseu importante. Os escribas e os fariseus observavam-No para O poderem repreender, a fim de que, se Ele curasse o hidrópico, O poderem acusar de violar a Lei e, se não o curasse, O acusarem de impiedade ou fraqueza. […] Pela luz puríssima da Sua palavra de verdade, viram desvanecerem-se todas as trevas da sua mentira.

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TEMPO COMUM. TRIGÉSIMA SEMANA. SEXTA-FEIRA

62. SEM RESPEITOS HUMANOS

Por Francisco Fernández-Carvajal, sacerdote

– Atuação clara de Jesus.

– Os respeitos humanos não são próprios de um cristão firme na fé.

– O exemplo dos primeiros cristãos.

I. ERA COSTUME entre os judeus convidar para almoçar quem tivesse dissertado naquele dia na sinagoga. Certo sábado, Jesus foi convidado a ir a casa de um dos principais fariseus da cidade1. E espiavam-no, para ver em que podiam surpreendê-lo. Apesar de se encontrar freqüentes vezes nessa situação tão pouco grata, o Senhor – comenta São Cirilo – “aceitava os convites que lhe faziam para ajudar os presentes com as suas palavras e milagres”2. O Mestre não deixava de aproveitar nenhuma ocasião para redimir as almas e essas refeições eram uma boa ocasião para falar do Reino dos Céus.

Nesse dia, quando já estavam sentados à mesa, situou-se diante dele um homem hidrópico, aproveitando-se provavelmente de um costume que permitia a qualquer pessoa entrar na casa onde se recebia um hóspede. Não disse nada, não pediu nada; simplesmente situou-se diante do Médico divino. “Esta podia ser a nossa atitude interior: postar-nos assim diante de Jesus, postar-nos com a nossa hidropisia, com a nossa miséria pessoal, com os nossos pecados…, diante de Deus, diante do olhar compassivo de Deus. Podemos ter a certeza absoluta de que Ele segurará a nossa mão e nos curará”3.

Jesus, ao ver o enfermo diante dEle, encheu-se de misericórdia e curou-o, apesar de o espiarem para ver se curava em dia de sábado. Não se deixa levar pelos respeitos humanos, pelo que pudessem murmurar as pessoas que se consideravam mestres e intérpretes da Lei. Depois, fez-lhes ver que a misericórdia não viola o sábado, e deu-lhes um exemplo cheio de senso comum: Quem de entre vós, se o seu jumento ou o seu boi cai num poço, não o tira imediatamente, ainda que seja em dia de sábado? E eles não lhe puderam replicar a isso.

A nossa atitude, ao vivermos a fé cristã num ambiente em que existem reservas, falsos escândalos ou simples incompreensões por ignorância, deve ser a mesma de Jesus. Nunca devemos ser oportunistas; a nossa atitude deve ser clara, coerente com a fé que professamos. Quantas vezes, este modo de agir decidido, sem dissimulações nem medos, não é de uma grande eficácia apostólica! Em contrapartida, “assusta o mal que podemos causar se nos deixamos arrastar pelo medo ou pela vergonha de nos mostrarmos como cristãos na vida diária”4. Não deixemos de manifestar a nossa fé com simplicidade e naturalidade, quando a situação o requeira. Nunca nos arrependeremos desse comportamento conseqüente com o nosso ser mais íntimo. E o Senhor se encherá de alegria ao olhar-nos.

II. TODA A VIDA de Jesus está cheia de unidade e de firmeza. Nunca o vemos vacilar. “Já o seu modo de falar, as repetidas expressões: Eu vim, Eu não vim, traduzem bem esse «sim» e esse «não», conscientes e inabaláveis, e essa submissão absoluta à vontade do Pai que constitui a sua lei de vida […]. Durante todo o seu ministério, nunca foi visto a calcular, hesitar, voltar atrás”5.

Ele pede aos que o seguem essa vontade firme em qualquer situação. Deixar-se levar pelos respeitos humanos é próprio de pessoas com uma formação superficial, sem critérios claros, sem convicções profundas, ou de caráter débil. Os respeitos humanos surgem quando se dá mais valor à opinião das outras pessoas do que ao juízo de Deus, sem ter em conta as palavras de Jesus: Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos6.

Os respeitos humanos podem agravar-se pelo comodismo de não querer passar um mau bocado, pois é mais fácil seguir a corrente; ou pelo medo de pôr em perigo, por exemplo, um cargo público; ou pelo desejo de não singularizar-se, de permanecer no anonimato. Quem segue Jesus deve lembrar-se de que está comprometido com Cristo e com a sua doutrina. “Brilhe o exemplo das nossas vidas e não façamos caso algum das críticas”, aconselhava São João Crisóstomo. “Não é possível – continua – que quem de verdade se empenha em ser santo deixe de ter muitos que não o estimam. Mas isso não importa, pois até por esse motivo aumenta a coroa da sua glória. Por isso, devemos prestar atenção a uma só coisa: a ordenar com perfeição a nossa própria conduta. Se o fizermos, conduziremos a uma vida cristã os que andam em trevas”7, e seremos apoio firme para muitos que vacilam.

Uma vida coerente com as convicções mais íntimas merece o respeito de todos e não raras vezes é o caminho de que Deus se serve para atrair muitas pessoas à fé. O bom exemplo sempre deixa plantada uma boa semente que, em mais ou menos tempo, dará o seu fruto. “E isto de alguém imitar a virtude que vê resplandecer em outro – diz Santa Teresa – é coisa muito contagiosa. É útil este aviso; não o esqueçais”8.

É verdade que todos tendemos a evitar atitudes que nos possam acarretar certo desprezo ou troça dos amigos, companheiros de trabalho, colegas…, ou simplesmente a incomodidade de ir contra a corrente. Mas também é bem verdade que o amor a Cristo – a quem tanto devemos! – nos ajuda a superar essa tendência, para recuperarmos a “liberdade dos filhos de Deus” que nos leva a comportar-nos com desenvoltura e simplicidade, como bons cristãos, nos ambientes mais adversos.

III. OS CRISTÃOS da primeira hora conduziram-se com a valentia própria de quem tem a sua vida apoiada num alicerce firme. José de Arimatéia e Nicodemos, que tinham sido dos discípulos menos conhecidos de Jesus à hora dos milagres, não se acanharam de apresentar-se diante do Procurador romano e de encarregar-se do Corpo morto do Senhor: “são valentes, declarando perante a autoridade o seu amor a Cristo – «audacter» – com audácia, na hora da covardia”9. De modo semelhante comportaram-se os Apóstolos perante a coação do Sinédrio e as perseguições posteriores, plenamente convencidos de que a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que se salvam, isto é, para nós, é virtude de Deus10.

Não esqueçamos que, para muitas pessoas, será uma loucura mantermos firmes os vínculos da fidelidade conjugal, não participarmos de negócios pouco honestos, sermos generosos no número de filhos, apesar das preocupações econômicas que daí possam advir, praticarmos o jejum, a abstinência, a mortificação corporal (que tanto ajuda a alma a entender-se com Deus!)… São Paulo afirma que nunca se envergonhou do Evangelho11, e o mesmo aconselhava a Timóteo: Porque Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de caridade e de temperança. Portanto, não te envergonhes do testemunho de Nosso Senhor, nem de mim, seu prisioneiro, mas participa comigo dos trabalhos do Evangelho, segundo a virtude de Deus12.

O Senhor, quando se encontrou com aquele homem doente na casa do fariseu que o tinha convidado, não deixou de curá-lo, apesar de ser sábado e das críticas que receberia. No meio daquele ambiente hostil, o mais cômodo teria sido adiar o milagre para outro dia da semana. Jesus ensina-nos que devemos levar a cabo as nossas tarefas independentemente “do que dirão”, dos comentários adversos que as nossas palavras ou a nossa atuação possam provocar. Uma só coisa, antes de mais nada, deve importar-nos: o juízo de Deus na situação em que nos encontramos. A opinião dos outros está, quando muito, em segundo lugar. Se alguma vez acharmos que devemos calar-nos ou omitir uma ação, deverá ser porque assim o dita a verdadeira prudência, e não a covardia e o medo de sofrer uma contrariedade. Como podemos sofrer menos que isso por Aquele que sofreu por nós a morte, e morte de Cruz?

Que enorme bem faremos aos outros se a nossa vida for coerente com os nossos princípios cristãos! Que alegria terá o Senhor quando nos vir como verdadeiros discípulos seus, que não se escondem nem se envergonham de sê-lo!

Peçamos a Nossa Senhora a firmeza que Ela teve ao pé da Cruz, junto do seu Filho, quando as circunstâncias eram tão hostis e dolorosas.

(1) Lc 14, 1-6; (2) São Cirilo de Alexandria, em Catena Aurea, vol. VI, pág. 160; (3) I. Domínguez, El tercer Evangelio, Rialp, Madrid, 1989, pág. 205; (4) São Josemaría Escrivá, Sulco, n. 36; (5) Karl Adam, Jesus Cristo, Quadrante, São Paulo, 1986, pág. 13; (6) Mc 8, 38; (7) São João Crisóstomo, Homilias sobre São Mateus, 15, 9; (8) Santa Teresa, Caminho de perfeição, 7, 8; (9) São Josemaría Escrivá, Caminho, n. 841; (10) 1 Cor 1, 18-19; (11) cfr. Rom 1, 16; (12) 2 Tim 1, 7-8.

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