Leituras de 30 e 31/10/10



ANO LITÚRGICO “C” – XXX SEMANA DO TEMPO COMUM

Sábado, 30 de outubro de 2010

Verde – Ofício do Dia

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Antífona: Exulte o coração dos que buscam a Deus. Sim, buscai o Senhor e sua força, procurai sem cessar a sua face (Sl 104,3s).

Oração do Dia: Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Primeira Leitura: Filipenses 1, 18-26

Leitura da carta de são Paulo aos Filipenses:

18 Mas não faz mal! Contanto que de todas as maneiras, por pretexto ou por verdade, Cristo seja anunciado, nisto não só me alegro, mas sempre me alegrarei.

19 Pois sei que isto me resultará em salvação, graças às vossas orações e ao socorro do Espírito de Jesus Cristo.

20 Meu ardente desejo e minha esperança são que em nada serei confundido, mas que, hoje como sempre, Cristo será glorificado no meu corpo (tenho toda a certeza disto), quer pela minha vida quer pela minha morte.

21 Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro.

22 Mas, se o viver no corpo é útil para o meu trabalho, não sei então o que devo preferir.

23 Sinto-me pressionado dos dois lados: por uma parte, desejaria desprender-me para estar com Cristo – o que seria imensamente melhor;
24 mas, de outra parte, continuar a viver é mais necessário, por causa de vós…

25 Persuadido disto, sei que ficarei e continuarei com todos vós, para proveito vosso e consolação da vossa fé.

26 Assim, minha volta para junto de vós vos dará um novo motivo de alegria em Cristo Jesus.

Palavra do Senhor.

Graças a Deus!

Salmo Responsorial 42/41

Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo!
Assim como a corça suspira
pelas águas correntes,
suspira igualmente minh´alma
por vós, ó meu Deus!

Minha alma tem sede de Deus
e deseja o Deus vivo.
Quando terei a alegria de ver
a face de Deus?

Peregrino e feliz caminhando para a casa de Deus,
entre gritos, louvor e alegria
da multidão jubilosa.

Evangelho: Lucas 14, 1.7-11

Aleluia, aleluia, aleluia.

Tomai meu jugo sobre vós e aprendei de mim, que sou de coração humilde e manso! (Mt 11,29)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas:

1 Jesus entrou num sábado em casa de um fariseu notável, para uma refeição; eles o observavam.

7 Observando também como os convivas escolhiam os primeiros lugares, propôs-lhes a seguinte parábola:

8 Quando fores convidado às bodas, não te sentes no primeiro lugar, pois pode ser que seja convidada outra pessoa de mais consideração do que tu,

9 e vindo o que te convidou, te diga: Cede o lugar a este. Terias então a confusão de dever ocupar o último lugar.

10 Mas, quando fores convidado, vai tomar o último lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, passa mais para cima. Então serás honrado na presença de todos os convivas.

11 Porque todo aquele que se exaltar será humilhado, e todo aquele que se humilhar será exaltado.

Palavra da Salvação.

Glória a Vós, Senhor!

Toma o último lugar… (Lc 14, 1.7-11)

A sociedade tem classes: escravos, servos da gleba, proletários e burgueses, nobres e reis. Na Índia, existem até castas incomunicáveis, rigidamente estratificadas: brâmanes, xátrias, vaicias, sudras e, no nível mais baixo, os párias. Mesmo na Igreja, há uma hierarquia: cardeais, bispos, sacerdotes, leigos. Não é assim no Reino do céu…

No Reino de Deus, o último lugar já está ocupado: Jesus Cristo tomou posse dele. Sendo Deus, fez-se homem, ao se encarnar. Sendo homem, fez-se servo, lavando os pés dos apóstolos. Desceu ainda mais e se fez escravo, morrendo na cruz (tormento que não podia ser aplicado a um cidadão romano, pois sua dignidade o proibia). Sem se deter, Cristo desce ainda mais: ao túmulo. Prossegue seu movimento para baixo e “desce à mansão dos mortos”. E como se fosse pouco, desce sobre o altar, todos os dias, sob a aparência de pão: isto é, matéria, abaixo da pessoa humana…

Esta é a kênosis, o despojamento voluntário que o Servo sofredor abraçou para nos salvar. Nada foi baixo demais, humilde demais para ele. Determinado a nos salvar, foi até o fim (cf. Jo 13, 1). Por isso mesmo, Jesus deve ter sofrido com a atitude de seus discípulos, que discutiam aqui e ali a respeito de quem seria o maior no Reino (aqui, entendido como um reinado temporal, quando Israel iria recuperar a glória e o poder dos tempos de Salomão).

No Evangelho de hoje, temos um banquete – exatamente a imagem recorrente na Bíblia para designar a Ceia do Cordeiro, isto é, o “céu”. Os banquetes da Palestina eram servidos em mesas em forma de “U”. O anfitrião e seus convidados mais nobres ficavam na curva do “U” e, lógico, eram os primeiros a serem servidos. Na “ponta da mesa” ficavam os menos cotados…

E Jesus nos dá uma pista para ir ao céu: ocupar o último lugar! Por absurdo que pareça, após a morte se produz notável inversão, como se viu na parábola de Lázaro, o mendigo, e do rico Epulão (cf. Lc 16, 25). Os fracos se tornam fortes, os pobres ficam ricos, os humilhados ocupam os primeiros lugares. Quem foi privado das regalias deste mundo acabará compensado no outro. “Os últimos serão os primeiros.” (Mt 20, 16.) “Quem se humilha será exaltado.” (Lc 14, 11.) E será muito agradável ouvir do próprio Mestre, nosso anfitrião: “Amigo, chega-te mais para cima!”

Que posição nós temos procurado?

Orai sem cessar: “Derrubou do trono os poderosos, exaltou os humildes…” (Lc 1, 52)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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Comentário ao Evangelho do dia feito por:

Santa Faustina Kowalska (1905-1938), religiosa

Diário, § 1306 (a partir da trad. de Eds. Parole et dialogue 2002, p. 440)

«Amigo, vem mais para cima»

Ó humildade, flor da beleza, vejo como são poucas as almas que te possuem – será por seres ao mesmo tempo tão bela e tão difícil de conquistar? Ó sim, tanto por uma coisa como por outra. O próprio Deus tem nela a Sua predileção. Sobre a alma cheia de humildade entreabrem-se as eclusas celestes e derrama-se um oceano de graças. Ó como é bela a alma humilde; do seu coração, como de um turíbulo, sobe todo um perfume agradabilíssimo que atravessa as nuvens e alcança o próprio Deus, enchendo de alegria o Seu coração santíssimo. Deus não recusa nada a esta alma; ela é todo-poderosa e influencia o destino do mundo inteiro. A uma tal alma Deus a eleva até ao Seu trono. Quanto mais ela se humilha, mais Deus se debruça sobre ela, a segue com as Suas graças e a acompanha a cada momento com a Sua onipotência. Essa alma está profundamente unida a Deus.

Ó humildade, implanta-te profundamente em todo o meu ser. Ó Virgem, a mais pura de todas as virgens e também a mais humilde, ajuda-me a atingir uma humildade profundíssima. Compreendo agora porque é que há tão poucos santos: é que poucas almas são verdadeira e profundamente humildes.

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TEMPO COMUM. TRIGÉSIMA SEMANA. SÁBADO

63. O MELHOR LUGAR

Por Francisco Fernández-Carvajal, sacerdote

Os primeiros lugares.

– Humildade de Maria.

– Frutos da humildade.

I. TODOS OS DIAS são bons para fazer uns minutos de oração junto da Virgem, mas hoje, sábado, é um dia especialmente apropriado, pois são muitos os cristãos de todas as regiões da terra que procuram que os sábados transcorram muito perto de Maria.

Aproximamo-nos dEla, no dia de hoje, para que nos ensine a progredir na virtude da humildade, fundamento de todas as outras, pois a humildade “é a porta pela qual passam as graças que Deus nos outorga; é ela que amadurece todos os nossos atos, dando-lhes valor e fazendo com que sejam agradáveis a Deus. Finalmente, constitui-nos donos do coração de Deus, até fazer dEle, por assim dizer, nosso servidor, pois Deus nunca pode resistir a um coração humilde”1. É tão necessária à salvação que Jesus aproveita qualquer circunstância para elogiá-la.

O Evangelho da Missa2 diz que Jesus foi convidado para um banquete. Na mesa, como também acontece freqüentemente nos nossos dias, havia lugares de honra. Os convidados, talvez atabalhoadamente, dirigiam-se para esses lugares mais considerados. Jesus observava-os. A certa altura, quando talvez a refeição estava já a ponto de terminar, num desses momentos em que a conversa se torna menos ruidosa, disse: Quando fores convidado para umas bodas, não te sentes no primeiro lugar […]. Mas vai tomar o último lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, vem mais para cima. Então serás muito honrado na presença de todos os comensais. Porque todo aquele que se exalta será humilhado; e aquele que se humilha será exaltado.

Jesus ocupou provavelmente um lugar discreto ou aquele que o anfitrião lhe indicou. Ele sabia onde estar, e ao mesmo tempo apercebeu-se da atitude pouco elegante, mesmo humanamente, de alguns comensais. Estes, por sua vez, enganaram-se por completo, porque não souberam perceber que o melhor lugar é sempre ao lado de Jesus. Era em ocupar esse lugar, ao lado de Jesus, que deveriam porfiar. Na vida dos homens, observa-se não poucas vezes uma atitude parecida à desses comensais: quanto empenho em serem considerados e admirados, e que pouco em permanecerem perto de Deus! Nós pedimos hoje a Santa Maria, neste tempo de oração e ao longo do dia, que nos ensine a ser humildes, que é a única maneira de crescermos no amor ao seu Filho, de estarmos perto dEle. A humildade conquista o Coração de Deus.

“«Quia respexit humilitatem ancillae suae» – porque viu a baixeza da sua escrava…

“Cada dia me persuado mais de que a humildade autêntica é a base de todas as virtudes!

“Fala com Nossa Senhora, para que Ela nos vá adestrando em caminhar por essa senda”3.

II. A VIRGEM MOSTRA-NOS o caminho da humildade. É uma virtude que não consiste essencialmente em reprimir os impulsos da soberba, da ambição, do egoísmo, da vaidade…, pois Nossa Senhora nunca teve nenhum desses movimentos e, no entanto, foi humilde em grau eminente. A palavra “humildade” vem do latim humus, terra, e significa inclinar-se para a terra. Trata-se de uma virtude que consiste fundamentalmente em inclinar-se diante de Deus e diante de tudo o que há de Deus nas criaturas4, em reconhecer a nossa pequenez e indigência em face da grandeza do Senhor.

As almas santas “sentem uma alegria muito grande em aniquilar-se diante de Deus, em reconhecer que só Ele é grande e que, em comparação com a dEle, todas as grandezas humanas estão vazias de verdade e não são mais do que mentira”5. Este aniquilamento não reduz, não encurta as verdadeiras aspirações da criatura, mas enobrece-as e concede-lhes novas asas, abre-lhes horizontes mais amplos.

Quando Nossa Senhora é escolhida como Mãe de Deus, proclama-se imediatamente sua escrava6. E no momento em que ouve a sua prima Santa Isabel dizer-lhe que é bendita entre as mulheres7, dispõe-se a servi-la. É a cheia de graça8, mas guarda na sua intimidade a grandeza que lhe foi revelada. Não desvenda o mistério nem sequer a José; deixa que a Providência o faça no momento oportuno. Cheia de alegria, canta as coisas grandes que se realizaram nEla, mas diz que essas maravilhas cabem ao Todo-Poderoso; da sua parte, só colaborou com a sua pequenez e o seu querer9.

“Ignorava-se a si mesma. Por isso, aos seus próprios olhos, não contava absolutamente nada. Não viveu preocupada consigo própria, mas com a vontade de Deus. Por isso pôde medir plenamente o alcance da sua baixeza e da sua condição de criatura – desamparada e segura ao mesmo tempo –, sentindo-se incapaz de tudo, mas sustentada por Deus. A conseqüência foi que se entregou a Deus, que viveu para Deus”10. Nunca buscou a sua própria glória, nem se esforçou por aparecer, nem ambicionou os primeiros lugares nos banquetes, nem quis ser considerada ou receber elogios por ser a Mãe de Jesus. Procurou unicamente a glória de Deus.

A humildade funda-se na verdade, na realidade; sobretudo numa certeza: a de que a distância que existe entre o Criador e a criatura é infinita. Quanto mais se compreende esta distância e o modo como Deus se aproxima da criatura com os seus dons, a alma, com a ajuda da graça, torna-se mais humilde e agradecida. Quanto mais alto se encontra uma criatura, mais compreende esse abismo; por isso a Virgem foi tão humilde.

Ela, a Escrava do Senhor, é hoje a Rainha do universo. Cumpriram-se nEla, de modo eminente, as palavras de Jesus no final da parábola: quem se humilha, quem ocupa o seu lugar diante de Deus e dos homens, será exaltado. Quem é humilde ouve Jesus dizer-lhe: Amigo, vem mais para cima. “Saibamos pôr-nos ao serviço de Deus sem condições, e seremos elevados a uma altura incrível; participaremos da vida íntima de Deus – seremos como deuses! –, mas pelo caminho regulamentar: o da humildade e da docilidade ao querer do nosso Deus e Senhor”11.

III. A HUMILDADE FAR-NOS-Á descobrir que todas as coisas boas que existem em nós vêm de Deus, tanto no âmbito da natureza como no da graça: Diante de ti, Senhor, a minha vida é como um nada12, exclama o Salmista. Somente a fraqueza e o erro é que são especificamente nossos.

Ao mesmo tempo, porém, a humildade nada tem a ver com a timidez, com a pusilanimidade ou a mediocridade. Longe de apoucar-se, a alma humilde coloca-se nas mãos de Deus e enche-se de alegria e de agradecimento quando o Senhor quer fazer grandes coisas através dela. Os santos foram homens magnânimos, capazes de grandes empreendimentos para a glória de Deus. O humilde é audaz porque conta com a graça do Senhor, que tudo pode, porque recorre com freqüência à oração – reza muito –, convencido da absoluta necessidade da ajuda divina. E por ser simples e nada arrogante ou auto-suficiente, atrai as amizades, que são veículo para uma ação apostólica eficaz e de longo alcance.

A humildade é o fundamento de todas as virtudes, mas é-o especialmente da caridade: na medida em que nos esquecemos de nós mesmos, podemos interessar-nos verdadeiramente pelos outros e atender às suas necessidades. Ao redor destas duas virtudes encontram-se todas as outras. “Humildade e caridade são as virtudes mães – afirma São Francisco de Sales –; as outras seguem-nas como os pintinhos seguem a galinha”13. Em sentido contrário, a soberba, aliada ao egoísmo, é a “raiz e mãe” de todos os pecados, mesmo dos capitais14, e o maior obstáculo que o homem pode opor à graça.

A soberba e a tristeza andam frequentemente de mãos dadas15, enquanto a alegria é patrimônio da alma humilde. “Olhai para Maria. Jamais criatura alguma se entregou com tanta humildade aos desígnios de Deus. A humildade da ancilla Domini (Lc 1, 38), da escrava do Senhor, é a razão pela qual a invocamos como causa nostrae laetitiae, como causa da nossa alegria. Eva, depois de pecar por ter querido na sua loucura igualar-se a Deus, escondia-se do Senhor e envergonhava-se: estava triste. Maria, ao confessar-se escrava do Senhor, é feita Mãe do Verbo divino e enche-se de júbilo. Que este seu júbilo, de Mãe boa, nos contagie a todos nós: que nisto saiamos a Ela – a Santa Maria –, e assim nos pareceremos mais com Cristo”16.

(1) Cura d’Ars, Sermão para o décimo domingo depois de Pentecostes; (2) Lc 14, 1, 7-11; (3) São Josemaría Escrivá, Sulco, n. 289; (4) cfr. Réginald Garrigou-Lagrange, Las tres edades de la vida interior, vol. II, pág. 670; (5) ibid.; (6) cfr. Lc 1, 38; (7) Lc 1, 42; (8) Lc 1, 28; (9) cfr. Lc 1, 47-49; (10) Federico Suárez, A Virgem Nossa Senhora, pág. 129; (11) cfr. Antonio Orozco Delclos, Olhar para Maria, pág. 138; (12) Sl 38, 6; (13) São Francisco de Sales, Epistolário; (14) São Tomás de Aquino, Suma teológica, II-II, q. 162, aa. 7-8; (15) cfr. Cassiano, Colações, 16; (16) São Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n. 109.

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ANO LITÚRGICO “C” – XXXI SEMANA DO TEMPO COMUM

Domingo, 31 de outubro de 2010

Verde – Glória – Creio – III Semana do Saltério

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Antífona: Não me abandoneis jamais, Senhor, meu Deus, não fiqueis longe de mim! Depressa, vinde em meu auxílio, ó Senhor, minha salvação! (Sl 37,22s)

Oração do Dia: Ó Deus de poder e misericórdia, que concedeis a vossos filhos e filhas a graça de vos servir como devem, fazei que corramos livremente ao encontro das vossas promessas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Primeira Leitura: Sabedoria 11, 22—12, 2

Leitura do livro da Sabedoria:

22 Diante de vós o mundo inteiro é como um nada, que faz pender a balança, ou como uma gota de orvalho, que desce de madrugada sobre a terra.

23 Tendes compaixão de todos, porque vós podeis tudo; e para que se arrependam, fechais os olhos aos pecados dos homens.

24 Porque amais tudo que existe, e não odiais nada do que fizestes, porquanto, se o odiásseis, não o teríeis feito de modo algum.

25 Como poderia subsistir qualquer coisa, se não o tivésseis querido, e conservar a existência, se por vós não tivesse sido chamada?

26 Mas poupais todos os seres, porque todos são vossos, ó Senhor, que amais a vida.

1 Vosso espírito incorruptível está em todos.

2 É por isso que castigais com brandura aqueles que caem, e os advertis mostrando-lhes em que pecam, a fim de que rejeitem sua malícia e creiam em vós, Senhor.

Palavra do Senhor.

Graças a Deus!

Salmo Responsorial: 145/144

Bendirei eternamente vosso nome;
para sempre, ó Senhor, o louvarei!

Ó meu Deus, quero exaltar-vos, ó meu rei,
e bendizer o vosso nome pelos séculos.
Todos os dias haverei de bendizer-vos,
hei de louvar o vosso nome para sempre.

Misericórdia e piedade é o Senhor,
ele é amor, é paciência, é compaixão.
O Senhor é muito bom para com todos,
sua ternura abraça toda criatura.

Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem,
e os vossos santos, com louvores, vos bendigam!
Narrem a glória e o esplendor do vosso reino
e saibam proclamar vosso poder!

O Senhor é amor fiel em sua palavra,
é santidade em toda obra que ele faz.
ele sustenta todo aquele que vacila
e levanta todo aquele que tombou.

Segunda Leitura: 2ª Tessalonicenses 1, 11—2, 2

Leitura da segunda carta de são Paulo aos Tessalonicenses:

11 Nesta esperança suplicamos incessantemente por vós, para que nosso Deus vos faça dignos da vossa vocação e que leve eficazmente a bom termo todo o vosso zelo pelo bem e a atividade de vossa fé.

12 Para que seja glorificado o nome de nosso Senhor Jesus em vós, e vós nele, segundo a graça de nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo.

1 No que diz respeito à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e nossa reunião com ele, rogamo-vos, irmãos,
2 não vos deixeis facilmente perturbar o espírito e alarmar-vos, nem por alguma pretensa revelação nem por palavra ou carta tidas como procedentes de nós e que vos afirmassem estar iminente o dia do Senhor.

Palavra do Senhor.

Graças a Deus!

Evangelho: Lucas 19, 1-10

Aleluia, aleluia, aleluia.

Deus o mundo tanto amou, que seu Filho entregou! Quem no Filho crê e confia, nele encontra eterna vida! (Jo 3,16)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas:

1 Jesus entrou em Jericó e ia atravessando a cidade.

2 Havia aí um homem muito rico chamado Zaqueu, chefe dos recebedores de impostos.

3 Ele procurava ver quem era Jesus, mas não o conseguia por causa da multidão, porque era de baixa estatura.

4 Ele correu adiande, subiu a um sicômoro para o ver, quando ele passasse por ali.

5 Chegando Jesus àquele lugar e levantando os olhos, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque é preciso que eu fique hoje em tua casa.

6 Ele desceu a toda a pressa e recebeu-o alegremente.

7 Vendo isto, todos murmuravam e diziam: Ele vai hospedar-se em casa de um pecador…

8 Zaqueu, entretanto, de pé diante do Senhor, disse-lhe: Senhor, vou dar a metade dos meus bens aos pobres e, se tiver defraudado alguém, restituirei o quádruplo.

9 Disse-lhe Jesus: Hoje entrou a salvação nesta casa, porquanto também este é filho de Abraão.

10 Pois o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido.

Palavra da Salvação.

Glória a Vós, Senhor!

Restituir o quádruplo! (Lc 19, 1-10)

Em pleno banquete, cercado de gente conhecida, Zaqueu se toca com a presença de Jesus em sua casa e manifesta publicamente a decisão de restituir os valores que arrecadara em excesso, de modo fraudulento. Estamos diante de um caso de “reparação”.

Quando nos confessamos e recebemos uma “penitência”, o sentido profundo dessa prática é exatamente a reparação do mal causado por nossos pecados. Arrependidos de nossos vícios e crimes, pedimos (e recebemos!) o perdão de Deus, mas ainda estamos obrigados a reparar o mal que cometemos.

Assim nos ensina o “Catecismo da Igreja Católica” (nº 2487): “Toda falta cometida contra a justiça e a verdade impõe o dever de reparação, mesmo que seu autor tenha sido perdoado. Quando se torna impossível reparar um erro publicamente, deve-se faze-lo em segredo; se aquele que sofreu o prejuízo não pode ser diretamente indenizado, deve-se dar-lhe satisfação moralmente, em nome da caridade. Esse dever de reparação se refere também às faltas cometidas contra a reputação de outrem. Essa reparação, moral e às vezes material, será avaliada na proporção do dano causado e obriga em consciência.”

O gesto de reparação é a prova cabal de um coração contrito e arrependido. Tanto que Jesus não consegue evitar o comentário final: “Hoje, a salvação entrou nesta casa!”

Quando os órgãos de imprensa lançam lama sobre a reputação de gente inocente, raramente tentam reparar os erros cometidos. A manchete de lama vem na primeira página; o “erramos” vem no miolo do jornal, em letrinhas bem pequenas. Nós não podemos ser assim.

Conta-se que uma mulher procurou por Santo Afonso de Ligório para se confessar. Seu pecado de estimação era a calúnia. O Santo teria deixado a confissão interrompida, ordenando que a penitente fosse a casa, pegasse uma galinha e voltasse até a igreja, depenando a pobrezinha. Já de volta ao confessionário, recebeu a penitência: recolher todas aquelas penas que viera jogando ao longo das ruas. A infeliz disse: – “Mas isto é impossível! O vento já espalhou todas elas…” E o Santo: “Assim também não há como recolher todas as calúnias que você tem feito contra os outros…”

Orai sem cessar: “Feliz o homem cujo pecado foi absolvido!” (Sl 32, 1)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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Comentário ao Evangelho do dia feito por:

Santa Teresa do Menino Jesus (1873-1897), carmelita, Doutora da Igreja

Carta 137, à sua irmã Celina (in OC, Cerf DDB 1992, p. 452)

«Zaqueu, desde depressa»

Jesus juntou-nos, se bem que por caminhos diferentes; juntas nos elevou acima de todas as coisas frágeis deste mundo, de todas as coisas que passam; por assim dizer, colocou todas as coisas debaixo dos nossos pés. Como Zaqueu, nós subimos a uma árvore para ver Jesus. Então poderíamos dizer como São João da Cruz: «Tudo é meu, tudo é para mim, a Terra é minha, o Céu é meu, Deus é meu e a Mãe do meu Deus é minha». […]

Celina, que mistério é a nossa grandeza em Jesus! Eis tudo o que Jesus nos mostrou ao fazer-nos subir à árvore simbólica de que eu falava há pouco. E agora, que ciência irá Ele ensinar-nos? Não nos ensinou já tudo? Ouçamos o que Ele nos diz: «Apressem-se a descer, hoje tenho de ficar em vossa casa». Pois é! Jesus diz-nos para descermos. Mas para onde devemos descer? Celina, sabes melhor do que eu, mas deixa-me dizer-te para onde devemos agora seguir Jesus. Outrora, os judeus perguntaram ao nosso divino Salvador: «Mestre, onde moras?» e Ele respondeu-lhes: «As raposas têm as suas tocas, as aves do céu os seus ninhos e Eu não tenho onde reclinar a cabeça» (Mt 8,20). Eis para onde devemos descer para podermos servir de morada a Jesus: sermos tão pobres que não tenhamos onde reclinar a cabeça.

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TEMPO COMUM. TRIGÉSIMO PRIMEIRO DOMINGO. CICLO C

66. ZAQUEU

Por Francisco Fernández-Carvajal, sacerdote

– Desejos de encontrar a Cristo. Empregar os meios necessários.

– Desprendimento e generosidade de Zaqueu.

– Jesus procura-nos sempre. Esperança na nossa vida interior e no apostolado.

I. UMA VEZ MAIS os textos da Missa voltam a falar da misericórdia divina. É lógico que se evoque tanto esta inefável realidade, porque a misericórdia de Deus é uma fonte inesgotável de esperança e porque necessitamos muito da clemência divina. É necessário que nos recordem muitas vezes que o Senhor é clemente e misericordioso.

Na primeira Leitura1, o Livro da Sabedoria fala-nos dessa bondade e cuidado amoroso de que Deus cerca toda a criação e especialmente o homem: Como poderiam subsistir as coisas se não o tivesses querido? Ou de que modo se conservariam se não as tivesses chamado à existência? Perdoas a todas as criaturas porque são tuas, ó Senhor, tu que amas as almas. Oh, como é bom e suave em tudo o teu espírito, Senhor! Por isso castigas pouco a pouco os que se desencaminham, e advertes os que pecam das faltas que cometem, e os exortas para que abandonem a malícia e creiam em ti, Senhor.

O Evangelho2 fala-nos do encontro misericordioso de Jesus com Zaqueu. O Senhor passa por Jericó, a caminho de Jerusalém: à entrada da cidade, tem lugar a cura de um mendigo cego que com a sua fé e a sua insistência conseguiu aproximar-se de Jesus, apesar dos que queriam que se calasse. Agora, já dentro dessa cidade importante, a multidão provavelmente apinhava-se nas ruas por onde o Mestre passava. No meio dela encontra-se um homem que era chefe dos publicanos e rico, bem conhecido em Jericó pelo seu cargo.

Os publicanos eram cobradores de impostos. Roma não tinha funcionários próprios para esse ofício e confiava-o a determinadas pessoas do respectivo país, os quais por sua vez – como Zaqueu –, podiam ter empregados subalternos. O imposto era fixado pela autoridade romana e os publicanos cobravam uma sobretaxa, da qual viviam. Isto prestava-se a arbitrariedades, razão pela qual eram facilmente hostilizados pela população. No caso dos judeus, havia ainda a nota infamante de espoliarem o Povo eleito em favor dos gentios3.

São Lucas diz que Zaqueu procurava ver Jesus para conhecê-lo, mas não podia por causa da multidão, pois era pequeno de estatura. Mas o seu desejo é eficaz. Para conseguir realizar o seu propósito, começa por misturar-se com a multidão e depois, sem pensar no insólito da sua atitude, correndo adiante, subiu a um sicômoro para o ver; porque havia de passar por ali. Não se importa com o que as pessoas possam pensar ao verem um homem da sua posição começar a correr e depois subir numa árvore. É uma formidável lição para nós que, acima de tudo, queremos ver Jesus e permanecer com Ele.

Mas devemos examinar hoje a sinceridade e o vigor desses desejos: Eu quero realmente ver Jesus? – perguntava o Papa João Paulo II ao comentar esta passagem do Evangelho –, faço tudo o que posso para poder vê-lo? Este problema, depois de dois mil anos, é tão atual como naquela altura, quando Jesus atravessava as cidades e povoados da sua terra. E é atual para cada um de nós pessoalmente: quero verdadeiramente contemplá-lo, ou não será que venho evitando encontrar-me com Ele? Prefiro não vê-lo ou que Ele não me veja? E se já o vislumbro de algum modo, não será que prefiro vê-lo de longe, sem me aproximar muito, sem me situar claramente diante dos seus olhos…, para não ter que aceitar toda a verdade que há nEle, que provém dEle?4

II. QUALQUER ESFORÇO que façamos por aproximar-nos de Cristo é amplamente recompensado. Quando Jesus chegou àquele lugar, levantando os olhos, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque convém que eu me hospede hoje em tua casa. Que alegria imensa! Zaqueu, que já se dava por satisfeito de vê-lo do alto de uma árvore, ouve Jesus chamá-lo pelo nome, como a um velho amigo, e, com a mesma confiança, fazer-se convidar para sua casa. “Aquele que tinha por coisa grande e inefável vê-lo passar – comenta Santo Agostinho –, mereceu imediatamente tê-lo em casa”5. O Mestre, que tinha lido no coração do publicano a sinceridade dos seus desejos, não quis deixar passar a ocasião. Zaqueu “descobre que é amado pessoalmente por Aquele que se apresenta como o Messias esperado, sente-se tocado no íntimo do seu espírito e abre o seu coração”6. Quer estar com o Mestre quanto antes: Desceu a toda a pressa e recebeu-o alegremente. Experimentou a alegria singular de todo aquele que se encontra com Jesus.

Zaqueu está agora com o Mestre, e com Ele tem tudo. “Não se assusta de que a acolhida de Cristo na sua própria casa possa ameaçar, por exemplo, a sua carreira profissional ou dificultar-lhe algumas ações, ligadas à sua atividade de chefe de publicanos”7. Pelo contrário, mostra com atos a sinceridade da sua nova vida; converte-se em mais um discípulo do Mestre: Eis, Senhor, que dou aos pobres metade dos meus bens; e se defraudei alguém, devolver-lhe-ei o quádruplo. Vai muito além do que a Lei de Moisés mandava restituir8 e além disso dá aos pobres a metade da sua fortuna!

O encontro com Cristo leva-nos a ser generosos com os outros, a compartilhar imediatamente com quem está mais necessitado o muito ou pouco que temos. Zaqueu compreendeu que, para seguir o Mestre, tinha que desfazer-se dos seus bens.

“Meu Deus, vejo que não te aceitarei como meu Salvador se não te reconhecer ao mesmo tempo como Modelo.

“Já que quiseste ser pobre, dá-me amor à Santa Pobreza. O meu propósito, com a tua ajuda, é viver e morrer pobre, ainda que tenha milhões à minha disposição”9.

III. QUANDO JESUS ENTROU na casa de Zaqueu, muitos começaram a murmurar de que se houvesse hospedado em casa de um pecador. Então o Senhor pronunciou estas consoladoras palavras, das mais belas de todo o Evangelho: Hoje entrou a salvação nesta casa, pois este também é filho de Abraão. Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que tinha perecido. É um convite à esperança: se alguma vez o Senhor permite que passemos por dificuldades, se nos sentimos às escuras e perdidos, temos de saber que Jesus, o Bom Pastor, sairá imediatamente em nossa busca. “O Senhor escolhe um chefe de publicanos: quem poderá desesperar se ele alcançou a graça?”, comenta Santo Ambrósio10. O Senhor nunca se esquece dos seus.

A figura de Zaqueu também deve ajudar-nos a nunca dar ninguém por perdido ou irrecuperável. Para os habitantes de Jericó, esse chefe dos publicanos estava muito longe de Deus; o Evangelista deixa entrevê-lo11. No entanto, desde que entrara na cidade, Jesus tinha os olhos postos nele. Por cima das aparências, Zaqueu possuía um coração generoso, que ardia em desejos de ver o Mestre. E, como São Lucas mostra a seguir, tinha uma alma preparada para o arrependimento, para a reparação, e uma reparação sobreabundante. Do mesmo modo, há muitas pessoas à nossa volta desejosas de ver Jesus e à espera de que alguém se detenha diante delas, olhe para elas com compreensão e as convide a uma vida nova.

Nunca devemos perder a esperança, nem mesmo quando parece que tudo está perdido. A misericórdia de Deus é infinita e onipotente, e supera todos os nossos juízos. Conta-se de uma mulher muito santa um episódio especialmente significativo que deixou uma profunda marca na sua alma e que nos revela graficamente o alcance da misericórdia divina. Um parente dessa pessoa pôs fim à vida atirando-se num rio do alto de uma ponte. A mulher ficou tão desconsolada e triste que nem se atrevia a rezar por ele. Certo dia, o Senhor perguntou-lhe por que não o tinha presente nas suas orações, como costumava fazer com os outros. A pessoa surpreendeu-se com as palavras de Jesus e respondeu-lhe: “Bem sabes que se lançou de uma ponte e deu cabo da vida”… E o Senhor respondeu-lhe: “Não te esqueças de que entre a ponte e a água estava Eu”. Conta-se um episódio parecido da vida do Cura d’Ars12. Ambos põem de relevo uma mesma realidade: sempre que pensamos na bondade e na compaixão de Deus para com os seus filhos, ficamos aquém.

Não duvidemos nunca do Senhor, da sua bondade e do seu amor pelos homens, por muito extremas ou difíceis que sejam as situações em que nos encontremos ou em que se encontrem as pessoas que queremos levar até Jesus. A sua misericórdia é sempre maior do que os nossos pobres raciocínios.

(1) Sab 11, 25-26; 12, 1-2; (2) Lc 19, 1-10; (3) cfr. Sagrada Bíblia, Santos Evangelhos, nota a Mt 5, 46; (4) cfr. João Paulo II, Homilia, 2.11.80; (5) Santo Agostinho, Sermão 174, 6; (6) João Paulo II, Homilia, 5.11.89; (7) João Paulo II, Homilia, 2.11.80; (8) Êx 21, 37 e segs.; (9) Bem-aventurado Josemaría Escrivá, Forja, n. 46; (10) Santo Ambrósio, Comentário ao Evangelho de São Lucas; (11) cfr. Lc 19, 7-10; (12) Francis Trochu, O Cura d’Ars, Palabra, Madrid, 1984, pág. 619

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