Graças a Deus, acabou!


Graças a Deus, acabou esta lamentável eleição…

Candidatos fracos. Cristãos expressando ódio em seus emails.

Bispos querendo definir a eleição, ‘rotulando’ pessoas a partir de propostas de membros de seus partidos. E rotulando partidos, a partir de parte de suas propostas.

Melhoria na vida do povo? Irrelevante para muitos. Já o povo pensou diferente.

Como estas pessoas verão a nós da Igreja ,eles que tiveram uma melhoria em sua condição de vida? Para nós, que dissemos, em nosso discurso e silêncio, que isso não era importante? Que não pensavam que quando elas estavam na fome e na miséria, isso não era uma política ‘de morte’?

Como as pessoas ‘mais esclarecidas’, mas longe do Evangelho, se sentirão diante de católicos que destilaram ódio e recriminações, além de ‘rótulos’ para as pessoas?

E antes que me perguntem, não estou preocupado com a nossa popularidade. É com a nossa coerência. Aliás, ninguém no Brasil precisa se preocupar em ser impopular por se opor ao aborto. Ao contrário da Europa, no Brasil, aborto é impopular…

No Evangelho deste Domingo, Jesus demonstrou que rotular as pessoas nunca é bom. Também Zaqueu era filho de Abraão. Também aqueles que hoje defendem o aborto, a união civil de homossexuais e o afastamento de símbolos religiosos dos lugares públicos são filhos de Abraão, não deveriam ser acolhidos e não rotulados como ‘da morte’?

Quando no fim dos tempos (ou antes) a história desta eleição vier à tona, veremos que muitas coisas não eram o que pareciam.

Espero que o apelo de Bento XVI, para uma maior formação do Povo de Deus, aconteça mesmo. Se nós católicos fôssemos coerentes, não haveria esta falsa polêmica (aborto x melhoria da condição do povo). Teríamos, talvez, outras opções nesta eleição, inclusive entre os candidatos.

Poderíamos seguir os princípios citados por nosso Amado João Paulo II, diante de Fernando Henrique Cardoso, em 14 de fevereiro de 1997, em sua segunda visita ao Brasil:

Papa João Paulo II

Por um lado, como já tive ocasião de reafirmar, até bem recentemente, «compete às nações, aos seus dirigentes, aos seus operadores econômicos e a todas as pessoas de boa vontade procurar todas as possibilidades de partilhar, de modo mais eqüitativo, os recursos que não faltam, e os bens de consumo; mediante esta partilha, todos manifestarão assim o seu sentido fraternal» (Discurso na sede da FAO — 13/XI/1996, n. 1). O cenário da vida interna brasileira aponta na direção de um esforço geral, em vias de aperfeiçoamento, para que a justa distribuição da riqueza seja um fato sempre mais abrangente, para cobrir as distâncias entre pobres e ricos, na atenção e solidariedade para com os menos favorecidos e carecidos de ajuda. O respeito pelas populações indígenas, o empenho por uma reforma agrária atuada de acordo com as leis vigentes, a preservação do meio ambiente, entre outras motivações, justificam iniciativas sempre corajosas visando o enobrecimento da causa democrática.

Por outro lado, cabe ressaltar também os inegáveis direitos de toda a pessoa humana onde possam cultivar-se os valores culturais, espirituais e morais — patrimônio comum a ser sempre promovido e assegurado. E isso, começando pelos setores vitais para a comunidade, como sejam: a família, a infância e a juventude, a instrução e a previdência social.

Nestes setores e manifestações da vida humana, como nos outros, surgem multíplices solicitações às que se há de responder em conformidade com as exigências da justiça, da liberdade e da comum solidariedade; por tais solicitações também a Igreja se sente interpelada, em virtude da dimensão de serviço do homem da sua missão. Neste sentido ela atuará sempre na defesa dos mais necessitados, dos pobres e dos marginalizados, sem descuidar de qualquer segmento da sociedade, rico ou pobre, pois todos são filhos de Deus. Porém, é claro que o seu esforço em colaborar na implantação da justiça e da paz, deverá redundar preferentemente na proteção dos menos favorecidos, dos abandonados, dos anciãos e, em geral, de todos aqueles que clamam por um maior respeito pelos seus direitos naturais. Não deixará, de modo especial, de pôr todos os meios para defender a vida, desde a concepção até o seu fim natural. Por isso, ante a introdução de legislações radicalmente injustas como o aborto e a eutanásia, ela permanecerá sendo sempre fiel e firme defensora daqueles cidadãos moralmente retos que aspiram por verem respeitadas suas próprias convicções. A mensagem cristã da Igreja ilumina plenamente o homem e o significado do seu ser e existir; ela buscará sempre no diálogo o empenho a fazer despertar uma nova cultura da vida (cf. Carta encíclica «Evangelium vitae», 69 e 82).

Pois bem, dá para ver que para João paulo II, era necessário ‘praticar aquilo em primeiro lugar, sem contudo deixar o restante.’

Ainda me assusta ver alguns defenderem um posicionamento partidário, em nome da Igreja, segundo a teoria de um mal menor.  Como alguns católicos, guardada as devidas proporções, que defendiam Hitler como mal menor diante de Stálin.

Se os católicos de então fossem coerentes, como vemos que a Igreja Católica alemã foi no início da expansão nazista (ver aqui) poderíamos ter tido outra história. Deveríamos ser contra todos os sistemas do mundo, que jaz sob o Maligno.

Defender um grupo político que usou a religião de forma manipulatória, em nome de um mal menor, nesta eleição, foi de um risco inconmesurável. Ainda mais, com este grupo prometendo mundos e fundos para o proselitismo evangélico (ver aqui).

Dispenso considerar os votos de cada um. Quem pensa que Serra era melhor, que nele votasse. O mesmo para Dilma. Quem quissesse, podia anular ou votar em branco. Nenhum dos dois merecia um voto ‘católico’.

Graças a Deus, acabou. Mas, infelizmente, purgaremos ainda por não colocarmos o Amor pelos irmãos a frente de nossas convicções. Pois a letra mata, e o Espírito vivifica.

Pois o Filho do Homem veio buscar e salvar o que estava perdido.

Continuemos a lutar para fazer o Reino de Deus presente em todos os ambientes. Respeitando a todos.

Teremos muito luta pela frente… Graças a Deus, começou.

Luís Alberto Bassoli

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