Leituras de 12/11/10


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ANO LITÚRGICO “C” – XXXII SEMANA DO TEMPO COMUM

Sexta-feira, 12 de novembro de 2010

SÃO JOSAFÁ, Bispo e Mártir

Vermelho – Prefácio Comum ou dos Mártires – Ofício da Memória

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Antífona: Este santo lutou até a morte pela lei de seu Deus e não temeu as ameaças dos ímpios, pois se apoiava numa rocha inabalável.

Oração do Dia: Suscitai, Ó Deus, na vossa Igreja o Espírito que impeliu o bispo são Josafá a dar a vida por suas ovelhas e concedei que, por sua intercessão, fortificados pelo mesmo Espírito, estejamos prontos a dar a nossa vida pelos nossos irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Primeira Leitura: 2ª João 1, 4 -9

Leitura da segunda carta de são João:

4 Muito me alegrei por ter achado entre teus filhos alguns que andam na verdade, conforme o mandamento que temos recebido do Pai.
5 E agora rogo-te, Senhora, não como quem te escreve um novo mandamento, mas sim o que tivemos desde o princípio: que nos amemos uns aos outros.
6 Nisto consiste o amor: que vivamos segundo seus mandamentos. É este o mandamento que tendes ouvido desde o princípio, e segundo o qual deveis viver.
7 Muitos sedutores têm saído pelo mundo afora, os quais não proclamam Jesus Cristo que se encarnou. Quem assim proclama é o sedutor e o Anticristo.
8 Acautelai-vos, para que não percais o fruto de nosso trabalho, mas antes possais receber plena recompensa.
9 Todo aquele que caminha sem rumo e não permanece na doutrina de Cristo, não tem Deus. Quem permanece na doutrina, este possui o Pai e o Filho.

Palavra do Senhor.
Graças a Deus!


Salmo Responsorial: 119/118

Feliz é quem na lei do Senhor Deus vai progredindo!

Feliz o homem sem pecado em seu caminho,

que na lei do Senhor Deus vai progredindo!

Feliz o homem que observa seus preceitos,

e de todo o coração procura a Deus!

De todo o coração eu vos procuro,

não deixeis que eu abandone a vossa lei!

Conservei no coração vossas palavras,

a fim de que eu não peque contra vós.

Sede bom com vosso servo, e viverei,

e guardarei vossa palavra, ó Senhor.

Abri meus olhos, e então contemplarei

as maravilhas que encerra a vossa lei!

Evangelho: Lucas 17, 26-37

Aleluia, aleluia, aleluia.

Levantai vossa cabeça e olhai, pois a vossa redenção se aproxima! (Lc 21,28).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas:

26 Como ocorreu nos dias de Noé, acontecerá do mesmo modo nos dias do Filho do Homem.

27 Comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. Veio o dilúvio e matou a todos.

28 Também do mesmo modo como aconteceu nos dias de Lot. Os homens festejavam, compravam e vendiam, plantavam e edificavam.

29 No dia em que Lot saiu de Sodoma, choveu fogo e enxofre do céu, que exterminou todos eles.

30 Assim será no dia em que se manifestar o Filho do Homem.

31 Naquele dia, quem estiver no terraço e tiver os seus bens em casa não desça para os tirar; da mesma forma, quem estiver no campo não torne atrás.

32 Lembrai-vos da mulher de Lot.

33 Todo o que procurar salvar a sua vida, perdê-la-á; mas todo o que a perder, encontrá-la-á.

34 Digo-vos que naquela noite dois estarão numa cama: um será tomado e o outro será deixado;

35 duas mulheres estarão moendo juntas: uma será tomada e a outra será deixada.

36 Dois homens estarão no campo: um será tomado e o outro será deixado.
37 Perguntaram-lhe os discípulos: Onde será isto, Senhor? Respondeu-lhes: Onde estiver o cadáver, ali se reunirão também as águias.

Palavra da Salvação.

Glória a Vós, Senhor!

Como nos dias de Noé… (Lc 17, 26-37)

Não é possível evitar o impacto do versículo 37: “Onde estiver o corpo, ali se juntarão os abutres.” Também os urubus do Brasil têm um “sexto sentido” que os orienta para a carniça, mesmo a grandes distâncias. A imagem é forte – até mesmo desagradável – mas chama nossa atenção para uma espécie de tropismo animal que orienta o predador para sua presa. Não deveria haver também em nós um tropismo para Deus? Uma atração para as coisas espirituais? Não deveríamos ser capazes de ler os “sinais dos tempos” e, a partir deles, achar o melhor caminho em nossa vida?

Nos dias de Noé, Deus alertou a humanidade a respeito do dilúvio. Imaginamos os contemporâneos de Noé a zombar de sua grande (b)arca, apontando para o céu sem nuvens e a distância do mar. Enquanto isso, casavam-se, comiam e bebiam. Pois veio a inundação e todos pereceram… Nos dias de Lot, Deus voltou a alertar a humanidade. Devem ter rido de Lot e sua família quando estes fugiram no seu êxodo familiar. Enquanto isso, comiam, bebiam e casavam-se. Pois veio o fogo do céu e foram consumidos. Mais uma vez, os sinais dos tempos foram inúteis.

E hoje? Temos sinais? Sinais da natureza como furacões e tsunamis, terremotos e graves alterações climáticas? Sinais da sociedade como guerras e revoluções, aborto legal e eutanásia, casamento homossexual e pedofilia na Internet? Sinais sócio-econômicos como as legiões de sem-teto e sem-terra, milhões de refugiados e trabalhadores escravos? Sinais biológicos como pestes e epidemias? Sinais religiosos, como heresias, seitas e deserções?

Sim, temos sinais para “nosso tempo”. Como placas de trânsito, deveriam orientar o rumo que imprimimos à nossa existência. Desviar-nos da ambição e da acumulação material, levando-nos à partilha dos bens e à solidariedade. Fazer de nós anunciadores do amor de Deus e da esperança de um mundo novo. Deveriam impedir que perdêssemos nosso tempo em diversões estéreis, joguinhos eletrônicos e fins-de-semana marcados pela futilidade e pelo devaneio. Deveriam despertar nossas mentes para o essencial. Deveriam aumentar nossa capacidade de amar…

Os fariseus de hoje repetem inutilmente a mesma pergunta do tempo de Cristo: onde será? Quando será? Mas seus corações continuam afastados do Senhor.

E o nosso coração?

Orai sem cessar: “Venha a nós o vosso Reino!” (Mt 6, 10)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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Comentário ao Evangelho do dia feito por:

São Romano, o Melodista (? – c. 560), compositor de hinos
Hino de Noé, str. 11ss. (a partir da trad. SC 99, pp. 117 ss. rev.)

«Como nos dias de Noé»

O sábio Noé […] embarcou na arca por ordem de Deus, com os seus filhos e as mulheres destes, ao todo somente oito almas. Sem parar de gemer, este servo rezava assim: «Não me faças perecer com os pecadores, meu Salvador, pois vejo já o caos apoderar-se da criação e os elementos estão agitados pelo medo. […] As nuvens estão preparadas, o céu está tumultuoso, os anjos acorrem à frente da Tua cólera». Ao ouvir estas palavras, Deus cerrou a arca e selou-a, enquanto o seu fiel gritava: «Salva todos os homens da cólera pelo amor que nos tens, redentor do universo».

Do alto do céu, o juiz dá uma ordem; de imediato se abriram as comportas, precipitando as chuvas, torrentes de água e saraiva de um lado do mundo ao outro; e o medo fez brotar as fontes do abismo, inundando a terra em todo o lado. […] Foi este o efeito da cólera de Deus, porque os homens haviam perseverado no seu endurecimento e não se tinham apressado a gritar-Lhe com fé: «Salva todos os homens da cólera pelo amor que nos tens, redentor do universo». […]

Em seguida, o coro dos anjos, vendo os homens carnais destruídos, gritou: «Agora, que os justos possuam toda a extensão da terra!» Porque o Criador gosta de ver aqueles que fez à Sua imagem (Gn 1, 26); foi por isso que pôs os Seus santos de parte para os salvar. Noé […] solta a pomba e ela regressa ao fim do dia, trazendo no bico um ramo de oliveira, que anunciava simbolicamente a misericórdia de Deus. Então Noé sai da arca, como que do túmulo, segundo a ordem que recebera […], não como outrora Adão, que comera de uma árvore que dá a morte, pois Noé produzira um fruto de penitência ao dizer: «Salva todos os homens da cólera pelo amor que nos tens, redentor do universo».

Mortas estão a corrupção e a iniquidade; o homem de coração reto triunfa pela sua fé, pois encontrou graça […]. Então, o justo (Gn 6, 9) ofereceu ao Senhor um sacrifício sem mancha […]; o Criador aspirou o seu agradável perfume e […] declarou: «Jamais o universo voltará a perecer num dilúvio, mesmo que todos os homens levem uma vida má. Hoje estabeleço uma aliança irrevogável com eles. Mostro o Meu arco a todos os habitantes da Terra para lhes servir de sinal, para que todos Me invoquem assim: «Salva todos os homens da cólera pelo amor que nos tens, redentor do universo».»

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TEMPO COMUM. TRIGÉSIMA SEGUNDA SEMANA. SEXTA-FEIRA

80. O SENTIDO CRISTÃO DA MORTE

Por Francisco Fernández-Carvajal, sacerdote

– Não podemos viver de costas para esse momento supremo. Preparamo-nos dia a dia.

– A morte adquire um novo sentido com a Morte e Ressurreição de Cristo.

– Lições que a morte nos dá para a vida.

I. O EVANGELHO DA MISSA1 fala-nos da segunda vinda de Cristo à terra, que será inesperada. Assim como o relâmpago brilha de um extremo ao outro do céu, assim será o dia do Filho do homem. Neste discurso do Senhor, interpõem-se diversos planos de acontecimentos, e em todos eles se faz finca-pé na súbita chegada de Jesus glorioso no fim dos tempos.

Os discípulos, levados por uma curiosidade natural, perguntam onde e como terão lugar esses acontecimentos que acabam de ouvir. O Senhor responde-lhes com um provérbio certamente conhecido por eles: Onde quer que esteja o corpo, aí se juntarão as águias. Jesus quer dizer que, com a mesma rapidez com que as aves de rapina se dirigem para a presa, assim será o encontro do Filho de Deus com o mundo no fim dos tempos e com cada homem no fim dos seus dias. Porque sabeis muito bem – escreve São Paulo aos primeiros cristãos de Tessalônica – que o dia do Senhor virá como um ladrão durante a noite2. É mais um apelo à vigilância, a fim de que não vivamos de costas para esse dia definitivo – o dia do Senhor – em que finalmente veremos Deus face a face. Santo Agostinho, comentando esta passagem do Evangelho, ensina que estas coisas permanecem ocultas para que estejamos sempre preparados3.

Em alguns ambientes, não é fácil falar da morte; parece um assunto desagradável, até de mau gosto. No entanto, é o acontecimento que ilumina toda a vida, e a Igreja convida-nos a meditá-lo: precisamente para que esse momento supremo não nos encontre desprevenidos. O modo pagão de pensar e de viver de muitas pessoas – mesmo de algumas que se dizem cristãs – leva-as a tentar apagar os sinais indicadores de que caminhamos a passos largos para um fim.

E tomam essa atitude porque ignoram o verdadeiro sentido da morte. Ao invés de considerá-la como uma “amiga” ou mesmo como uma “irmã”4, encaram-na como uma catástrofe, a grande catástrofe que um dia deitará por terra os planos e aspirações em que concentraram todo o sentido da vida; portanto – pensam –, é preciso ignorá-la, como se não nos afetasse pessoalmente. Ao invés de vê-la como na realidade é – a chave da felicidade plena –, consideram-na como o fim do bem-estar que tanto custa conseguir aqui em baixo. Na sua falta de fé operativa e prática, ignoram que o homem continuará a existir, ainda que tenha de “mudar de casa”5. Como a liturgia nos recorda freqüentemente, a vida não é tirada, mas transformada6.

Para o cristão, a morte é o fim de uma curta peregrinação e a chegada à meta definitiva, para a qual se preparou dia a dia7, pondo toda a alma nas tarefas cotidianas mediante as quais e através das quais conquistará o Céu. Por isso, esse momento não chegará para ele como o ladrão na noite, porque conta serenamente com esse encontro definitivo com o seu Senhor. Sabe bem que a morte “é uma passagem e uma mudança para a eternidade, depois de percorrer este caminho temporal”8.

Contudo, “se alguma vez te intranqüilizas com o pensamento da nossa irmã a morte – porque te vês tão pouca coisa! –, anima-te e considera: que será esse Céu que nos espera, quando toda a formosura e grandeza, toda a felicidade e Amor infinitos de Deus se derramarem sobre o pobre vaso de barro que é a criatura humana, e a saciarem eternamente, sempre com a novidade de uma ventura nova?”9

II. A SAGRADA ESCRITURA ensina expressamente que Deus não fez a morte nem se alegra com a perdição dos vivos10. Antes do pecado original, não existia a morte, tal e como hoje a conhecemos, com esse sentido doloroso e difícil com que tantas vezes a temos visto, talvez de perto. A rebelião do primeiro homem trouxe consigo a perda dos dons extraordinários que Deus lhe tinha concedido ao criá-lo. E assim, agora, para chegarmos à casa do Pai, nossa morada definitiva, temos que atravessar essa porta: é a passagem deste mundo para o Pai11. A desobediência de Adão acarretou, junto com a perda da amizade com Deus, a perda do dom gratuito da imortalidade.

Mas Jesus Cristo destruiu a morte e iluminou a vida12, tirou-lhe a sua maldade essencial, o aguilhão, o veneno; e graças a Ele, adquire um novo sentido; converte-se na passagem para uma Vida nova. A vitória do Senhor transmite-se a todos os que crêem nEle e participam da sua Vida. Eu sou – afirmou o Mestre – a ressurreição e a vida; o que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo o que vive e crê em mim, não morrerá eternamente13. Ainda que a morte seja inimiga do homem na sua vida natural, em Cristo converte-se em “amiga” e “irmã”. Ainda que o homem seja derrotado por esse inimigo, acaba por ser vencedor, porque mediante a morte adquire a plenitude da Vida.

Entende-se bem que, para uma sociedade que tem como fim quase exclusivo, ou exclusivo, os bens materiais, a morte continue a ser o fracasso total, o último inimigo que acaba de um só golpe com tudo o que deu sentido ao seu viver: prazer, glória humana, ânsia desordenada de bem-estar material… Os que têm espírito pagão continuam a viver como se Cristo não tivesse realizado a Redenção, transformando completamente o sentido da dor, do fracasso e da morte.

A morte dos pecadores é péssima14, afirma a Sagrada Escritura; mas aos olhos do Senhor, a morte dos seus santos é preciosa15. Neste mesmo sentido, a Igreja já nos primeiros tempos celebrava o dia da morte dos mártires e dos santos como um dia de alegria; era o dies natalis, o dia do nascimento para uma nova Vida, para uma felicidade sem fim, o dia em que passavam a contemplar radiantes o rosto de Jesus. Bem-aventurados os mortos que morrem no Senhor, recorda-nos o Apocalipse. De hoje em diante, diz o Espírito, que descansem dos seus trabalhos, porque as suas obras os acompanham16.

Não só eles próprios serão premiados pela sua fidelidade a Cristo, mesmo nas coisas mais pequenas – até um copo de água dado por Cristo receberá a sua recompensa17 –, mas também, como ensina a Igreja, com eles permanecerão de algum modo “os valores da dignidade humana, da comunidade fraterna e da liberdade, todos esses bons frutos da natureza e do nosso trabalho […], limpos contudo de toda a impureza, iluminados e transfigurados, quando Cristo entregar ao Pai o reino eterno e universal”18. Todas as outras coisas se perderão: voltarão à terra e ao esquecimento… As suas boas obras os acompanham.

III. A MORTE DÁ LIÇÕES para a vida. Ensina-nos a viver com o necessário, desprendidos dos bens que usamos, mas que dentro de um tempo teremos que deixar; levaremos conosco, para sempre, o mérito das nossas boas obras.

Ensina-nos também a aproveitar bem cada dia. Carpe diem19, goza do presente, diziam os antigos; e nós, com sentido cristão, podemos dar a essas palavras uma nova orientação: aproveitemos gozosamente cada dia como se fosse o único, sabendo que nunca mais se repetirá. Hoje, no momento do exame de consciência, teremos uma grande alegria ao pensarmos nas jaculatórias, nos atos de amor ao Senhor, no trato com o Anjo da Guarda, nos favores aos outros, nos pequenos serviços, nas vitórias no cumprimento do dever, talvez na paciência…, que fomos acumulando ao longo das horas e que o Senhor converteu em jóias preciosas para a eternidade. Não deixemos escapar estes dias, numerados e contados, que nos faltam para chegarmos ao fim do caminho.

A incerteza do momento do nosso encontro definitivo com Deus anima-nos a estar vigilantes, como quem aguarda a chegada do seu Senhor20, cuidando com esmero do exame de consciência, com contrição verdadeira pelas fraquezas desse dia; aproveitando bem a Confissão freqüente para limpar a alma mesmo dos pecados veniais e das faltas de amor. A lembrança da morte ajuda-nos a trabalhar com mais empenho na tarefa da santificação pessoal, vivendo com prudência; não como insensatos, mas como circunspectos, redimindo o tempo21, recuperando tantos dias e tantas oportunidades perdidas. Às vezes, pode acontecer-nos o que escreveu o clássico: “Não é que tenhamos pouco tempo, é que temo-lo perdido muito”22. Aproveitemos o que nos resta.

Devemos desejar viver muito tempo, para prestar maiores serviços a Deus, para nos apresentarmos diante do Senhor com as mãos mais cheias…, e porque amamos a vida, que é um presente de Deus. E quando chegar o nosso encontro com o Senhor, até esses últimos instantes nos deverão servir para purificarmos a nossa vida e para nos oferecermos a Deus Pai com um ato de amor. Para esse transe, Santo Inácio escreveu: “Como em toda a vida, assim também na morte, e muito mais, deve cada um […] esforçar-se e procurar que Deus Nosso Senhor seja nela glorificado e servido e os próximos edificados, ao menos com o exemplo da sua paciência e fortaleza, com fé viva, esperança e amor dos bens eternos…”23 O último instante aqui na terra deve ser também para a glória de Deus.

Que alegria experimentaremos então por todo o esforço que tivermos posto em dar a vida pelo Senhor!: o trabalho oferecido, as pessoas que fomos procurando aproximar do sacramento da Confissão, os mil pequenos pormenores de serviço prestados aos que trabalhavam conosco, a alegria que transmitimos à família…

Depois de termos deixado aqui frutos que perduram até à vida eterna, partiremos. E poderemos dizer com o poeta:

O meu amor deixou a margem
e na corrente canta.
Não voltou à ribeira,
pois o seu amor era a água24.

A água viva que é Jesus Cristo.

(1) Lc 17, 26-37; (2) 1 Tess 5, 2; (3) cfr. Santo Agostinho, Comentário ao Salmo 120, 3; (4) cfr. São Josemaría Escrivá, Caminho, ns. 735 e 739; (5) cfr. ibid., n. 744; (6) Missal Romano, Prefácio de defuntos; (7) cfr. Candido Pozo, Teología del más allá, BAC, Madrid, 1980, págs. 468 e segs.; (8) São Cipriano, Tratado sobre a mortalidade, 22; (9) São Josemaría Escrivá, Sulco, n. 891; (10) Sab 1, 13; (11) Jo 13, 1; (12) 2 Tim 1, 10; (13) Jo 11, 25; (14) Sl 33, 22; (15) Sl 115, 15; (16) Apoc 14, 13; (17) Mt 10, 42; (18) Concílio Vaticano II, Constituição Gaudium et spes, n. 39; (19) Horácio, Odes, 1, 11, 7; (20) cfr. Lc 12, 35-42; (21) Ef 5, 15-16; (22) Sêneca, De brevitate vitae, 1, 3; (23) Santo Inácio de Loyola, Constituições S. I., c. 4, n. 1; (24) B. Llorens, Secreta fuente, Rialp, Madrid, 1948, pág. 86.

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