Leituras de 30/11/10


Antífona: Junto ao mar da Galileia, viu o Senhor dois irmãos: Pedro e André, que pescavam. Ele os chamou: “Vinde comigo; eu vos farei, de hoje em diante, pescadores de homens” (MT 4,18s).

Oração do Dia: Nós vos suplicamos, Ó Deus onipotente, que o apóstolo santo André, pregador do evangelho e pastor da vossa Igreja, não cesse no céu de interceder por nós. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!

Primeira Leitura: Romanos 10, 9-18

Leitura da carta de são Paulo aos Romanos:

9 Portanto, se com tua boca confessares que Jesus é o Senhor, e se em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.

10 É crendo de coração que se obtém a justiça, e é professando com palavras que se chega à salvação.

11 A Escritura diz: Todo o que nele crer não será confundido (Is 28,16).

12 Pois não há distinção entre judeu e grego, porque todos têm um mesmo Senhor, rico para com todos os que o invocam,

13 porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo (Jl 3,5).
14 Porém, como invocarão aquele em quem não têm fé? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão falar, se não houver quem pregue?

15 E como pregarão, se não forem enviados, como está escrito: Quão formosos são os pés daqueles que anunciam as boas novas (Is 52,7)?

16 Mas não são todos que prestaram ouvido à boa nova. É o que exclama Isaías: Senhor, quem acreditou na nossa pregação (Is 53,1)?

17 Logo, a fé provém da pregação e a pregação se exerce em razão da palavra de Cristo.

18 Pergunto, agora: Acaso não ouviram? Claro que sim! Por toda a terra correu a sua voz, e até os confins do mundo foram as suas palavras (Sl 18,5).

Palavra do Senhor.

Graças a Deus!

Salmo Responsorial: 19/18

Seu som ressoa e se espalha em toda a terra.

Os céus proclamam a glória do Senhor,
e o firmamento, a obra de suas mãos;
o dia ao dia transmite esta mensagem,
a noite à noite publica esta notícia.

Não são discursos nem frases ou palavras,
nem são vozes que possam ser ouvidas;
seu som ressoa e se espalha em toda a terra,
chega aos confins do universo a sua voz.

Evangelho: Marcos 4, 18-22

Aleluia, aleluia, aleluia.

Vinde após mim, disse o Senhor, e eu ensinarei a pescar gente (Mt, 4,19).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus:

18 Caminhando ao longo do mar da Galiléia, Jesus viu dois irmãos: Simão (chamado Pedro) e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores.

19 E disse-lhes: Vinde após mim e vos farei pescadores de homens.
20 Na mesma hora abandonaram suas redes e o seguiram.
21 Passando adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam com seu pai Zebedeu consertando as redes. Chamou-os,
22 e eles abandonaram a barca e seu pai e o seguiram.

Palavra da Salvação.
Glória a Vós, Senhor!

Pescadores de homens… (Mt 4, 18-22)

Muitas vezes, quem andou pelas estradas da vida um tanto alheio à voz de Deus e, inesperadamente, é envolvido por sua luz, pode ter a ilusão de que sua vida pregressa foi tempo perdido. Não foi. Nada se perde em nossa vida. Vejam só o caso de André. Juntamente com Simão Pedro, seu irmão, passara longos anos na faina de pescador. A velha barca, as redes cansadas (cf. Mt 4, 21), o Lago de Tiberíades tantas vezes sem peixes (cf. Lc 5, 5; Jo 20, 3), o risco das tempestades (cf. Lc 8, 23) – tudo serviria de treinamento para a futura missão.

De fato, de um pescador são exigidas muitas virtudes. Paciência, quando o peixe é arisco. Determinação, para insistir na pesca. Coragem, para enfrentar os elementos. Fibra, para suportar o ardor do sol, o chicote dos ventos, os incômodos insetos. Gente mole não se dedica à pesca.

Ora, a futura tarefa de evangelizar e “pescar homens” para Deus iria exigir de André e seus companheiros exatamente aquelas virtudes. É que os homens podem ser mais ariscos que os peixes. Custam a morder a isca. Preferem remexer no lodo do fundo. Preferem a vida errante, sem compromissos.

O evangelizador passará noites em claro, seguirá por rotas perigosas e, não raro, voltará de mãos vazias. No caso de André, o Apóstolo não se abalaria com nada disso. Afinal, já tinha experiência anterior. Estava calejado, sem sonhos românticos e sem falsas ilusões…

Em nosso caso, trazemos a experiência de família, da escola, do trabalho – e nada disso se perde quando vem a hora de anunciar ao mundo o Evangelho de Jesus. Cada um com seu dom, eis a Comunidade evangelizadora em sua missão. Porteiros e auxiliares da limpeza, músicos e pregadores, administradores e conselheiros, todos somam habilidades e serviços para o Reino de Deus.

E quanto mais essa cooperação se efetivar no amor, tanto mais farta será a pescaria, tanto mais fértil a colheita. E poderemos voltar os olhos para o passado, mesmo ali onde abundou o pecado, e dar a graças a Deus que nos chamou ao seu serviço.

Enfim, como escreveu Jean Vanier, “nós não somos chamados a fazer coisas extraordinárias, e sim coisas ordinárias, porém, com um amor extraordinário”.

Orai sem cessar: “Eis que vim para fazer a tua vontade.” (Hb 10, 9)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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Comentário ao Evangelho do dia feito por:

São João Crisóstomo (c. 345-407), bispo de Antioquia, depois de Constantinopla, doutor da Igreja

Homilias sobre o evangelho de João 19, 1

O primeiro a ser chamado, o primeiro a dar testemunho

«Como é bom, como é agradável, viverem os irmãos em unidade» (Sl 132, 1). […] Depois de ter estado com Jesus (Jo 1, 39), e de ter aprendido muitas coisas, André não guardou esse tesouro para si: apressou-se a ir ter com seu irmão, Simão Pedro, para partilhar com ele os bens que recebera. […] Repara no que ele diz ao irmão: «Encontramos o Messias (que quer dizer Cristo)» (Jo 1, 41). Estás a ver o fruto daquilo que ele tinha aprendido há tão pouco tempo? Isto é uma prova, a um tempo, da autoridade do Mestre que ensinou os Seus discípulos e, desde o princípio, do zelo com que estes queriam conhecê-Lo.

A pressa de André, o zelo com que difunde imediatamente uma tão grande boa nova, dá a conhecer uma alma que ardia por ver cumpridas todas as profecias respeitantes a Cristo. Partilhar assim as riquezas espirituais é prova de uma amizade verdadeiramente fraterna, de um afeto profundo e de uma natureza cheia de sinceridade. […] «Encontramos o Messias», diz ele; não está a referir-se a um messias qualquer, mas ao verdadeiro Messias, Àquele que esperavam.

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30 DE NOVEMBRO

43. SANTO ANDRÉ APÓSTOLO

Festa

– O primeiro encontro com Jesus.

– Apostolado da amizade.

– A chamada definitiva. Desprendimento e prontidão no seguimento do Senhor.

O Apóstolo Santo André era natural de Betsaida, irmão de Simão e pescador como ele. Foi discípulo de São João Batista e depois um dos primeiros a conhecer Jesus; foi ele que levou Pedro ao encontro do Mestre e que, na multiplicação dos pães, disse ao Senhor que havia um rapaz com uns pães e uns peixes. Conforme a Tradição, pregou o Evangelho na Grécia e morreu na Acaia, numa cruz em forma de xis.

I. FORAM E VIRAM onde habitava, e ficaram com Ele naquele dia. Era cerca da hora décima1.

André e João foram os primeiros Apóstolos chamados por Jesus, conforme nos relata o Evangelho. O Mestre iniciou o seu ministério público e já no dia seguinte começou a chamar aqueles que permaneceriam ao seu lado. São João Batista encontrava-se em companhia dos seus discípulos quando, vendo Jesus que ia passando, disse: Eis o Cordeiro de Deus2. E os dois discípulos foram atrás do Senhor. Jesus voltou-se e, vendo que o seguiam, disse-lhes: Que buscais? Eles disseram: Rabi (que quer dizer Mestre), onde moras? Jesus disse-lhes: Vinde e vede. Na realidade, era um amável convite para que o acompanhassem.

Durante aquele dia, Jesus falou-lhes certamente de mil coisas cheias de sabedoria divina e encanto humano; e os dois ficaram para sempre unidos à sua Pessoa. André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que tinham ouvido o que João dissera e tinham seguido Jesus. O Apóstolo São João, passados muitos anos, pôde anotar no seu Evangelho a hora do encontro: Era então cerca da hora décima, das quatro da tarde. Nunca esqueceu aquele momento em que Jesus lhes disse: Que buscais? André também se lembraria sempre daquele encontro definitivo.

Nunca se esquece o encontro decisivo com Jesus. Aceitar a chamada do Senhor, passar a pertencer ao círculo dos mais íntimos, é a maior graça que se pode receber neste mundo. Constitui esse dia feliz, inesquecível, em que somos invadidos pelo convite claro do Mestre – um dom imerecido, valiosíssimo, porque vem de Deus –, que dá sentido à vida e ilumina o futuro.

Há chamadas de Deus que são um convite doce e silencioso; outras, como a de São Paulo, fulminantes como um raio que rasga as trevas; e outras, enfim, em que o Mestre simplesmente nos põe a mão sobre o ombro e diz: Tu és meu! Segue-me! Então o homem, cheio de alegria, vai, vende tudo quanto tem e compra aquele campo3, pois nele está o seu tesouro. Descobriu, entre os muitos dons da vida – como um especialista que procura pérolas finas4 – a pérola de maior valor5.

Vinde e vede. Foi no relacionamento pessoal com o Senhor que André e João conheceram por experiência direta aquilo que as meras palavras não lhes teriam permitido entender por completo6. É na oração pessoal, na intimidade com Cristo, que chegamos a conhecer os múltiplos convites e apelos do Senhor para que o sigamos mais de perto. Agora, enquanto falamos com Ele, podemos perguntar-nos se temos o ouvido atento à sua voz inconfundível, se estamos respondendo plenamente àquilo que Ele nos pede, porque Cristo passa ao nosso lado e nos chama. Ele continua presente no mundo, tão real como há vinte séculos, e procura colaboradores que o ajudem a salvar almas. Vale a pena dizer “sim” a essa missão divina.

II. DISSE ANDRÉ a seu irmão Simão: Encontramos o Messias! (que significa Cristo). E levou-o a Jesus7.

O encontro com Jesus deixou André com a alma cheia de felicidade e de alegria; uma alegria nova que tinha de comunicar a alguém imediatamente, como se não a conseguisse reter. A primeira pessoa que procurou foi seu irmão Simão, e deve ter-lhe falado da sua descoberta com muito entusiasmo: Encontramos o Messias!, disse-lhe com essa ênfase especial de quem está convencido, pois conseguiu que Pedro, talvez cansado depois de uma jornada de trabalho, fosse até o Mestre, que já o esperava: E levou-o a Jesus.

Esta é a nossa tarefa: levar a Cristo os nossos parentes, amigos e conhecidos, falando-lhes com essa convicção pessoal que arrasta. Esse anúncio é próprio da alma “que se enche de felicidade com a sua aparição e que se apressa a anunciar aos outros algo tão grande. Essa é a prova do verdadeiro e sincero amor fraternal: o intercâmbio de bens espirituais”8. Verdadeiramente, quem encontra Cristo, encontra-o para todos.

Nós vimos tratando intimamente com Cristo, que um dia – talvez há não poucos anos! – passou perto da nossa vida: “Como André, também nós, pela graça de Deus, descobrimos o Messias e o significado da esperança que devemos transmitir a todos”9. O Senhor serve-se com freqüência dos laços do sangue, da amizade…, para chamar outras almas. Esses vínculos podem abrir a porta do coração dos nossos parentes e amigos, talvez fechados para Cristo devido aos preconceitos, à ignorância, ao medo ou à preguiça. Quando a amizade é verdadeira, não são necessários grandes esforços para falar de Cristo: a confidência surgirá naturalmente. Entre amigos, é fácil trocar pontos de vista, comunicar descobertas… Seria tão pouco natural que não falássemos de Cristo, sendo Ele a descoberta mais importante que fizemos na vida e o motor de todas as nossas ações!

A amizade, com a graça de Deus, pode ser o caminho – natural e divino ao mesmo tempo – para um apostolado profundo, capilar, feito um a um. As palavras cheias de esperança e de alegria farão com que muitos venham a descobrir que Cristo está perto, como o descobriu Pedro, como talvez nós mesmos o tenhamos descoberto. “Um dia – não quero generalizar; abre o teu coração ao Senhor e conta-lhe a tua história –, talvez um amigo, um simples cristão igual a ti, te fez descobrir um panorama profundo e novo, e, ao mesmo tempo, antigo como o Evangelho. Sugeriu-te a possibilidade de te empenhares seriamente em seguir a Cristo, em ser apóstolo de apóstolos. Talvez tenhas perdido então a tranqüilidade e não a tenhas recuperado, convertida em paz, enquanto livremente, porque te apeteceu – que é a razão mais sobrenatural –, não respondeste sim a Deus. E veio a alegria, forte, constante, que só desaparece quando te afastas dEle”10 – essa alegria que só encontramos quando seguimos os passos do Mestre, e da qual desejamos que muitos participem.

III. ALGUM TEMPO mais tarde, caminhando Jesus ao longo do mar da Galiléia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar (porque eram pescadores), e disse-lhes: Segui-me, e eu vos farei pescadores de homens. E eles, imediatamente, deixaram as redes e seguiram-no11. É a chamada definitiva, culminância daquele primeiro encontro com o Mestre. André, como os outros Apóstolos, respondeu imediatamente. São Gregório Magno, ao comentar essa chamada definitiva de Jesus àqueles pescadores e a forma como lhe corresponderam, desfazendo-se de tudo o que possuíam, ensina que o reino dos céus “vale tudo quanto tens”12. Diante de Jesus que passa, não podemos ficar com nada. Pedro e André deixaram muito, “já que ambos deixaram o desejo de possuir”13. O Senhor necessita de corações limpos e desprendidos. E cada cristão deve viver esse espírito de entrega, de acordo com a sua vocação. Não pode haver nada na nossa vida que não seja de Deus. Que havemos de reservar para nós, quando o Mestre está tão perto, quando o vemos e convivemos com Ele todos os dias?

Este desprendimento permitir-nos-á acompanhar Jesus que prossegue o seu caminho com passo rápido; não seria possível acompanhá-lo com demasiados fardos. O passo de Deus pode ser ligeiro, e seria triste que ficássemos para trás por causa de quatro bugigangas que não valem a pena. Ele passa sempre perto de nós e chama-nos: umas vezes, na juventude, outras na maturidade ou mesmo quando falta pouco para partirmos desta vida, como podemos observar na parábola dos trabalhadores que foram contratados a diversas horas do dia para trabalhar na vinha14. Em qualquer caso, é necessário responder a essa chamada com a alegria estremecida de que os Evangelistas nos dão notícia ao recordarem a chamada que receberam. É o mesmo Jesus quem passa agora e quem nos convida a segui-lo.

Conta a tradição que Santo André morreu louvando a cruz, pois ela o levava definitivamente para junto do seu Mestre. “Ó cruz boa, que foste glorificada pelos membros do Senhor, cruz por tão longo tempo desejada, ardentemente amada, procurada sem descanso e oferecida aos meus ardentes desejos […], devolve-me ao meu Mestre, para que por ti me receba Aquele que por ti me redimiu”15. Se virmos Jesus por trás dela, nada nos importarão os maiores sacrifícios.

(1) Jo 1, 39; (2) Jo 1, 37; (3) Mt 13, 44; (4) Mt 13, 45; (5) J. L. R. Sanchez de Alva, El evangelio de San Juan, 3ª ed., Madrid, 1987, nota a Jo 1, 35-51; (6) São Tomás, Comentário ao Evangelho de São João; (7) Jo 1, 41-42; Antífona da comunhão da Missa do dia 30 de novembro; (8) Liturgia das Horas, Segunda Leitura; São João Crisóstomo, Homilias sobre o Evangelho de São João, 19, 1; (9) João Paulo II, Homilia, 30-XI-1982; (10) Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 1; (11) Mt 4, 18-20; (12) São Gregório Magno, Homilias sobre os Evangelhos, I, 5, 2; (13) ib.; (14) cfr. Mt 20, 1 e segs.; (15) Paixão de Santo André.

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