Leituras de 13/12/10


ANO LITÚRGICO “A” – III SEMANA DO ADVENTO

Segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

SANTA LUZIA, Virgem e Mártir

Vermelho – Prefácio do Advento I ou dos Santos – Ofício da Memória

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Antífona: Vem, esposa de Cristo, receber a coroa que o Senhor te preparou para a eternidade.

Oração do Dia: Ó Deus, que a intercessão da gloriosa virgem santa Luzia reanime o nosso fervor, para que possamos hoje celebrar o seu martírio e contemplar, um dia, a sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Primeira Leitura: Números 24, 2-7.15-17

Leitura do livro dos Números:

Naqueles dias, Balãao 2 levantando os olhos, viu Israel acampado nas tendas segundo as suas tribos. O Espírito de Deus veio sobre ele,

3 e pronunciou o oráculo seguinte: “Oráculo de Balaão, filho de Beor, oráculo do homem que tem o olho fechado,

4 oráculo daquele que ouve as palavras de Deus, desfruta a visão do Todo-poderoso, e se lhe abrem os olhos quando se prostra:

5 Quão formosas tuas tendas, Jacó, tuas moradas, Israel!

6 Elas se estendem como vales, como jardins à beira do rio, como aloés plantados pelo Senhor, como cedros junto das águas.

7 Jorram águas de seus jarros, suas sementeiras são copiosamente irrigadas. Seu rei é mais poderoso que Agag, de sublime realeza”.

15 E Balaão pronunciou o oráculo seguinte: “Oráculo de Balaão, filho de Beor, oráculo do homem que tem o olho fechado,

16 oráculo daquele que ouve as palavras de Deus, conhece a ciência do Altíssimo, desfruta a visão do Todo-poderoso e se lhe abrem os olhos quando se prostra:

17 Eu o vejo, mas não é para agora, percebo-o, mas não de perto: um astro sai de Jacó, um cetro levanta-se de Israel, que fratura a cabeça de Moab, o crânio dessa raça guerreira”.

Palavra do Senhor.

Graças a Deus!

Salmo Responsorial: 25/24

Fazei-me conhecer a vossa estrada, ó Senhor!

Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos
e fazei-me conhecer a vossa estrada!
Vossa verdade me oriente e me conduza,
porque sois o Deus da minha salvação.

Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura
e a vossa compaixão, que são eternas!
De mim lembrai-vos, porque sois misericórdia
e sois bondade sem limites, ó Senhor!

O Senhor é piedade e retidão
e reconduz ao bom caminho os pecadores.
Ele dirige os humildes na justiça,
e aos pobres ele ensina o seu caminho.

Evangelho: Mateus 21, 23-27

Aleluia, aleluia, aleluia.

Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade e a vossa salvação nos concedei! (Sl 84,8).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus:

Naquele tempo, 23 dirigiu-se Jesus ao templo. E, enquanto ensinava, os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo aproximaram-se e perguntaram-lhe: “Com que direito fazes isso? Quem te deu esta autoridade?”
24 Respondeu-lhes Jesus: “Eu vos proporei também uma questão. Se responderdes, eu vos direi com que direito o faço.

25 Donde procedia o batismo de João: do céu ou dos homens?” Ora, eles raciocinavam entre si: “Se respondermos: ´Do céu´, ele nos dirá: ´Por que não crestes nele?´

26 E se dissermos: ´Dos homens´, é de temer-se a multidão, porque todo o mundo considera João como profeta”.

27 Responderam a Jesus: “Não sabemos”. “Pois eu tampouco vos digo”, retorquiu Jesus, “com que direito faço estas coisas”.

Palavra da Salvação.

Glória a Vós, Senhor!

Não sabemos… (Mt 21, 23-27)

Nós somos bem ignorantes. Das coisas fundamentais de nossa vida, só sabemos o que o próprio Senhor nos revelou. Mesmo assim, ainda há véus de mistérios sobre muitas coisas. Exemplos? Como é o céu? Como será o corpo dos ressuscitados na Glória? Quando será a Vinda do Senhor? Não sabemos.

Mas esta é uma “ignorância boa”. Deus sabe que é melhor, para nós, ignorar muita coisa, como o dia de nossa morte. Seríamos tentados a adiar nossa conversão para a véspera da morte e, quem sabe, já petrificados no pecado, a mudança seria impossível…

Mas há uma ignorância culposa. Assim como o pior cego é aquele que não quer ver – diz o refrão popular -, assim também a pior ignorância é a de quem se recusa a acolher a verdade. Como no Evangelho de hoje, quando os adversários de Jesus continuam a pressioná-lo e, inesperadamente, recebem um contragolpe. O Rabi da Galileia pergunta: “O batismo de João era do Céu, ou dos homens?”

Se eles respondem que não, a reação do povo (que tinha João, no mínimo, por um grande profeta) poderia ser perigosa. Se respondem que sim, Jesus diria: “E por que, então, vocês não creram nele?” Amarrados em sua própria má consciência, esses líderes religiosos preferem dizer: “Não sabemos”…

Deus existe? Jesus Cristo é o seu Filho? Sua morte na cruz tinha o objetivo de nos salvar? Jesus Cristo fundou uma Igreja? Confiou a ela a missão de evangelizar e santificar? O Papa é o Pedro de hoje? Jesus está vivo e presente na hóstia consagrada? Sou, por acaso, responsável por meu irmão?

E um imenso coral responde: “Não sabemos!” E mais: “Não queremos saber, pois se viéssemos a conhecer a verdade, seríamos obrigados, por coerência, a mudar de vida. É mais cômodo para nós permanecer na ignorância”.

Deus nos fala por meio de sua Criação. Falou-nos através de seu Filho, Jesus Cristo. Fala pela Igreja e seu magistério. Em cada sermão dominical, em cada conselho paterno, em cada correção dos professores, é Deus quem nos fala. Estamos aprendendo? Queremos conhecer a Verdade?

Há sempre um risco: chegar ao dia do Juízo e ouvir, em troca, da boca do Juiz: “Eu também não vos conheço…”

Orai sem cessar: “Senhor, que eu me conheça; que eu te conheça.” (Sto. Agostinho)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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Comentário ao Evangelho do dia feito por:

Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona (norte de África) e Doutor da Igreja

Sermão 288 (a partir da trad. de Thèmes et figures, DDB 1984, coll. Pères dans la foi 28-29, p. 303)

«Veio Jesus ter com João para ser batizado por ele […].
João opunha-se, dizendo: ‘Eu é que tenho necessidade de ser batizado por Ti!’» (Mt 3, 13-14)

«Muitos profetas e justos desejaram ver o que estais a ver, e não viram» (Mt 13, 17). Estas santas personagens, com efeito, cheios do Espírito de Deus para anunciar a vinda de Cristo, desejavam com ardor gozar da Sua presença sobre a terra, se assim fosse possível. Foi por essa razão que Deus adiou a partida de Simeão deste mundo; queria que ele pudesse contemplar, na pessoa de uma criança recém-nascida, Aquele por Quem o mundo foi criado (Lc 2, 25 ss.). […] Simeão viu-O com feições de menino; João, ao contrário, viu-O quando Ele já ensinava e escolhia os Seus discípulos. Onde? Nas margens do rio Jordão. […]

É aí, neste batismo de preparação que Lhe abria caminho, que encontramos um símbolo e uma aproximação do batismo de Jesus Cristo: «preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas» (Mt 3, 3). O próprio Senhor quis ser batizado pelo Seu servo para fazer compreender a graça que recebem àqueles que recebem o batismo em nome do Senhor. Foi aí que começou o Seu reino, como que a cumprir a profecia: «dominará de um ao outro mar, do grande rio até aos confins da terra» (Sl 72 (71), 8). Nas margens do rio onde o domínio de Cristo começa, viu João o Salvador: viu-O, reconheceu-O e prestou-Lhe testemunho. João humilhou-se perante a grandeza divina a fim de merecer que a sua humildade fosse ressalvada pela mesma grandeza. Declara-se o amigo do esposo (Jo 3, 29). Que amigo? Aquele que caminha em pé de igualdade? Longe disso! Qual é a distância que ele guarda? Diz ele: «não sou digno de me inclinar para Lhe desatar as correias das sandálias» (Mc 1, 7).

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TEMPO DO ADVENTO. TERCEIRA SEMANA. SEGUNDA-FEIRA


16. PUREZA DE CORAÇÃO

Por Francisco Fernández-Carvajal, sacerdote

– O Natal chama-nos a uma maior pureza interior. Frutos da pureza de coração. Os atos internos.

– A guarda do coração.

– Os limpos de coração verão a Deus já nesta vida, e em plenitude na vida eterna.

I. QUE OS CÉUS mandem o seu orvalho, que as nuvens chovam a justiça. Que a terra se entreabra e faça brotar a salvação1.

O Natal é uma luz na noite, e uma luz que nunca se extinguirá. Todo aquele que olhar para Belém poderá contemplar Jesus Menino, acompanhado por Maria e José. Poderá contemplá-lo se tiver um coração puro, porque Deus só se manifesta aos puros de coração2.

O Natal é, pois, uma chamada à pureza interior. E é por isso que, quando chegar a festa, haverá homens que talvez não consigam ver nada no presépio: estarão cegos para o essencial por terem o coração cheio de coisas materiais ou de sujeira e miséria. E a impureza do coração provoca insensibilidade para as coisas de Deus.

Certa vez, uns escribas e fariseus perguntaram a Jesus: Por que os teus discípulos não cumprem a tradição dos antigos, pois não lavam as mãos quando comem? O Senhor aproveitou o ensejo para fazê-los ver que eles descuidavam preceitos importantíssimos. E disse-lhes: Hipócritas! Bem profetizou de vós Isaías, quando disse: Este povo honra-me com os lábios, mas tem o coração longe de mim3.

Convocou então o povo, pois não ia interpretar mais um preceito da Lei, mas tocar um ponto essencial: ia indicar o que é que torna uma pessoa verdadeiramente pura ou impura diante de Deus.


E chamando a si a multidão, disse-lhes: Ouvi e entendei: Não é o que entra pela boca que torna impuro o homem; mas o que sai da boca, isso é o que torna o homem impuro

4. E um pouco mais tarde explicaria à parte aos seus discípulos: O que sai da boca vem do coração e isso é o que torna impuro o homem. Porque é do coração que procedem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as fornicações, os roubos, os falsos testemunhos, as blasfêmias. É isto o que torna impuro o homem; mas comer sem lavar as mãos não torna impuro o homem5.

O que sai da boca vem do coração. O homem inteiro fica manchado pelo que se passa no seu coração: maus desejos, despropósitos, invejas, rancores… Os próprios pecados externos citados pelo Senhor foram já cometidos no interior do homem antes de terem sido cometidos externamente. É aí dentro que se ama ou se ofende a Deus.

Há casos em que a ação externa aumenta a bondade ou a malícia do ato interno, pela maior intensidade na voluntariedade, pela exemplaridade ou escândalo que resulta da ação praticada, pelos benefícios ou prejuízos causados ao próximo, etc. Mas é o interior do homem que é preciso conservar limpo e são, e todo o resto será puro e agradável a Deus.

II. GUARDA O TEU CORAÇÃO, porque dele procede a vida6, diz o livro dos Provérbios; e também procedem dele a alegria, a paz, a capacidade de amar e de empenhar-se na ação apostólica… Com que cuidado temos que guardar o coração! Porque, por outro lado, o coração tende a apegar-se desordenadamente a pessoas e coisas.

Dentre todos os fins da nossa vida, apenas um é verdadeiramente necessário: chegar à meta que Deus nos propôs; alcançar o Céu tendo realizado a nossa vocação. Para isso, devemos estar dispostos a perder seja o que for, a afastar tudo o que se interponha no nosso caminho para Deus. Tudo deve ser meio para alcançar o Senhor; e se, ao invés de meio, é um obstáculo, teremos que retificá-lo ou removê-lo. As palavras de Cristo são claras: Se o teu olho direito te escandaliza, arranca-o e joga-o para longe… E se a tua mão direita te escandaliza, corta-a e atira-a para longe, porque melhor é para ti que pereça um dos teus membros, do que todo o teu corpo ser lançado ao inferno7. Com a expressão olho direito e mão direita, o Senhor expressa o que num dado momento pode apresentar-se como coisa de muito valor. Mas a santidade, a salvação – a própria e a alheia – está em primeiro lugar.

“«Se o teu olho direito te escandaliza…, arranca-o e joga-o para longe!» – Pobre coração, que é ele que te escandaliza! Aperta-o, amarfanha-o entre as mãos; não lhe dês consolações. – E, cheio de uma nobre compaixão, quando as pedir, segreda-lhe devagar, como em confidência: – «Coração: coração na Cruz, coração na Cruz!»”8

As coisas que talvez tenhamos de tirar ou cortar na nossa vida podem ser de tipos muito diversos. Umas vezes, serão coisas boas em si mesmas, mas que se tornam negativas pelo nosso egoísmo ou porque as pomos a serviço de uma intenção errada. Outras, serão coisas sem maior importância – como pequenos caprichos, faltas habituais de temperança, pequenas manifestações de mau gênio, excessiva preocupação pelas coisas materiais, etc. –, mas que é preciso cortar e arrancar porque, quase sempre, são esses detalhes aparentemente pequenos os que deixam a alma atolada na mediocridade.

“Olhai – diz Santo Agostinho – como a água do mar se infiltra pelas frestas do casco e pouco a pouco enche os porões do barco e, se não a esvaziam, submerge a nave… Imitai os navegantes: as suas mãos não descansam enquanto não secam o fundo do barco; não cessem as vossas de fazer o bem. No entanto, apesar de tudo, voltará a encher-se outra vez o fundo da nau, porque persistem as frestas da fraqueza humana; e novamente será necessário retirar a água”9. Esses obstáculos e tendências que não se podem arrancar de uma só vez, mas exigem uma disposição permanente de luta alegre, ajudam-nos em grande medida a ser mais humildes.

O amor à confissão freqüente e o exame diário de consciência auxiliam-nos a manter a alma mais limpa e bem disposta para contemplar Jesus na gruta de Belém, apesar das nossas patentes fraquezas diárias.

III. OS PUROS DE CORAÇÃO verão a Deus. “Com toda a razão se promete aos limpos de coração a bem-aventurança da visão divina. Nunca uma vida manchada poderá contemplar o esplendor da luz verdadeira, pois as mesmas coisas que constituirão o gozo das almas limpas serão o castigo das que estiverem manchadas”10.

Quando falta pureza interior, os sinais mais claros da presença de Deus não nos dizem nada e acabamos por distorcê-los, como fizeram os fariseus; poderiam até escandalizar-nos. Mas se o coração estiver limpo, saberemos reconhecer Cristo na intimidade da oração, no meio do trabalho, nos incidentes da nossa vida diária. Ele vive e continua agindo em nós. Um cristão que busca a Deus com sinceridade e pureza interior encontra-o; porque é o próprio Deus que sai ao seu encontro.

A pureza interior, meio necessário para contemplarmos a Deus nesta vida, incita-nos a viver gozosamente para dentro, a guardar os sentidos, a não omitir os pequenos sacrifícios que oferecemos todos os dias ao Senhor. Este recolhimento interior é compatível com o trabalho intenso e com as relações sociais de uma pessoa que vive no meio do mundo. Não deve temer que o seu coração se disperse.

“Como vai esse coração? – Não te inquietes; os santos – que eram seres bem constituídos e normais, como tu e como eu – sentiam também essas «naturais» inclinações. E se não as tivessem sentido, a sua reação «sobrenatural» de guardar o coração – alma e corpo – para Deus, em vez de entregá-lo a uma criatura, pouco mérito teria tido. – Por isso, uma vez visto o caminho, creio que a fraqueza do coração não deve ser obstáculo para uma alma decidida e «bem enamorada»”11.

A vida contemplativa está ao alcance de qualquer cristão, mas é necessária uma decisão firme e séria de buscar a Deus em todas as coisas, de purificar-se e de reparar pelas faltas e pecados cometidos. É sempre uma graça, que Deus não nega a quem a pede com humildade. É um dom que devemos pedir especialmente durante o Advento.

Depois, se tivermos sido fiéis, virá o conhecimento perfeito de Deus, imediato, claro e total, sempre dentro das possibilidades da natureza criada e finita do homem. Veremos a Deus quando chegar o fim, mais cedo ou mais tarde. Conheceremos a Deus como Ele nos conhece, diretamente e face a face: Sabemos que, quando aparecer, seremos semelhantes a Ele, porque o veremos tal como é12. O homem poderá então olhar para Deus sem ficar cego e sem morrer. Poderemos contemplar esse Deus a quem teremos procurado servir ao longo de toda a nossa vida. Contemplaremos Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.

E, muito perto da Santíssima Trindade, estará Santa Maria, Filha de Deus Pai, Mãe de Deus Filho, Esposa de Deus Espírito Santo.

(1) Is 45, 8; (2) cfr. Mt 5, 8; (3) Mt 15, 7-8; (4) Mt 15, 10; (5) Mt 15, 18-20; (6) Prov 4, 23; (7) Mt 5, 29-30; (8) São Josemaría Escrivá, Caminho, n. 163; (9) Santo Agostinho, Sermão 16, 7; (10) São Leão Magno, Sermão 95, sobre as bem-aventuranças; (11) São Josemaría Escrivá, Caminho, n. 164; (12) 1 Jo 3, 3.

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