Leituras de 30/12/10


ANO LITÚRGICO “A” – TEMPO DO NATAL

Quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

6º DIA DA OITAVA DO NATAL

Branco – Glória – Prefácio do Natal – Ofício do Dia

******************************************

Antífona: Enquanto um profundo silêncio envolvia o universo e a noite ia no meio do seu curso, desceu do céu, ó Deus, do seu trono real, a vossa palavra onipotente (Sb 18,14s).

Oração do Dia: Concedei, ó Deus todo-poderoso, que o novo nascimento de vosso Filho como homem nos liberte da antiga escravidão do pecado. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.


Primeira Leitura: I João 2, 12-17

Leitura da primeira carta de são João:

12 Filhinhos, eu vos escrevo, porque vossos pecados vos foram perdoados pelo seu nome.

13 Pais, eu vos escrevo, porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens, eu vos escrevo, porque vencestes o Maligno.
14 Crianças, eu vos escrevo, porque conheceis o Pai. Pais, eu vos escrevi, porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes e a palavra de Deus permanece em vós, e vencestes o Maligno.

15 Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai.

16 Porque tudo o que há no mundo – a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida – não procede do Pai, mas do mundo.

17 O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente.

Palavra do Senhor.

Graças a Deus!

Salmo Responsorial: 96/95

O céu se rejubile e exulte a terra!

Ó família das nações, dai ao Senhor,
ó nações, dai ao Senhor poder e glória,
dai-lhe a glória que é devida ao seu nome!

Oferecei um sacrifício nos seus átrios,
adorai-o no esplendor da santidade,
terra inteira, estremecei diante dele!

Publicai entre as nações: “Reina o Senhor!”
Ele firmou o universo inabalável,
e os povos ele julga com justiça.

Evangelho: Lucas 2, 36-40

Aleluia, aleluia, aleluia.

Um dia sagrado brilhou para nós: nações, vinde todas adorar o Senhor: pois hoje desceu grande luz sobre a terra!

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas:

Naquele tempo, 36 havia também uma profetisa chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser; era de idade avançada.

37 Depois de ter vivido sete anos com seu marido desde a sua virgindade, ficara viúva, e agora com oitenta e quatro anos não se apartava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações.

38 Chegando ela à mesma hora, pôs-se a louvar a Deus e falava de Jesus a todos aqueles que em Jerusalém esperavam a libertação.

39 Após terem observado tudo segundo a lei do Senhor, voltaram para a Galileia, à sua cidade de Nazaré.

40 O menino ia crescendo e se fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava nele.

Palavra da Salvação.

Glória a Vós, Senhor!

Pôs-se a louvar a Deus… (Lc 2, 36-40)

No Evangelho de hoje, a liturgia chama nossa atenção para a figura quase apagada de Ana, uma viúva que servia no Templo em tempo integral. Como o haviam feito os pastores de Belém, os magos do Oriente e o velho Simeão, Ana também entoa seu louvor com a chegada do Menino.

Convido o leitor a fazer o mesmo, entoando o Hino do Ofício das Leituras para o tempo do Advento:

Eterno esplendor da beleza divina,

ó Cristo, vós sois luz e vida e perdão.

Às nossas doenças trazeis o remédio,

abris uma porta para a salvação.

O coro dos anjos ressoa na terra

e um mundo novo seu canto anuncia:

a glória de Deus Pai nas alturas celestes,

e ao gênero humano a paz e a alegria.

Embora pequeno, deitado em presépio,

em todo o Universo, ó Cristo, reinais.

Ó fruto bendito da Virgem sem mancha,

que todos vos amem num reino de paz.

Nasceis para dar-nos o céu como Pátria,

vivendo na carne da humanidade.

Renovem-se as mentes e os corações,

se unam por laços de tal caridade.

Às vozes dos anjos as nossas unimos,

num coro exultante de glória e louvor,

cantando aleluias ao Pai e ao Filho,

cantando louvores e graças ao Amor.

Orai sem cessar: “O Senhor é rei!” (Sl 96 [95], 10)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

***********************************

Comentário ao Evangelho do dia feito por:

São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e Doutor da Igreja

2ª homilia sobre o Cântico dos Cânticos, §8 (a partir da trad. Seuil 1953, p. 98)

Pôs-se a louvar a Deus e a falar do Menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém.

Ó rebento de Jessé, Tu que és um sinal para todos os povos, quantos reis e profetas desejaram ver-Te e não Te viram! Feliz daquele que, na sua velhice, foi cumulado com o dom divino da Tua vinda! Ele tremeu em desejo de ver o sinal, viu-o e alegrou-se. Tendo recebido o beijo da paz, deixou este mundo com a paz no coração, não sem antes proclamar que Jesus tinha nascido para ser um sinal de contradição. E essa profecia cumpriu-se: mal apareceu, o sinal da paz foi contraditado, mas por aqueles que têm ódio à paz. Porque Ele é a paz para os homens de boa vontade, mas para os mal intencionados é pedra de tropeço. Herodes perturbou-se, e toda a Jerusalém com ele. O Senhor veio a ele, mas os Seus não o receberam. Felizes os pobres pastores que, velando na noite, foram considerados dignos de ver este sinal!

Já nesse tempo Ele Se escondia aos pretensos sábios e prudentes, revelando-Se aos humildes. Aos pastores, o anjo disse: «Eis o sinal para vós.» Ele é para vós, os humildes e obedientes, para vós que não vos jactais de ciência orgulhosa, mas que velais noite e dia, meditando na lei de Deus. Eis o sinal para vós! Aquele que os anjos prometiam, Aquele que os povos reclamavam, Aquele que os profetas anunciaram. […]

Eis, pois, o sinal para vós; mas sinal de quê? De perdão, de graça, de paz, duma paz que não terá fim. Eis o sinal para vós: um Menino envolto em panos e reclinado numa manjedoura. Mas Deus está Nele, reconciliando o mundo Consigo. […] Este Menino é o beijo de Deus, o Mediador entre Deus e os homens, Jesus homem e Cristo, que vive e reina pelos séculos dos séculos.


******************************************

TEMPO DO NATAL. 30 DE DEZEMBRO

36. NÃO TEMAIS

Por Francisco Fernández-Carvajal, sacerdote

– Jesus Cristo é sempre a nossa segurança no meio das dificuldades e tentações que nos possam assaltar. Com Ele, ganham-se todas as batalhas.

– Sentido da filiação divina. Confiança em Deus. Ele nunca chega tarde para nos socorrer.

– Providência. Todas as coisas contribuem para o bem dos que amam a Deus.

I. A HISTÓRIA DA ENCARNAÇÃO abre-se com estas palavras: Não temas, Maria1. E o mesmo diz o Anjo do Senhor a São José: José, filho de Davi, não temas2. E repete-o aos pastores: Não temais3. Este clima que rodeia a entrada de Deus no mundo marca com um estilo próprio a presença de Jesus entre os homens.

Certa vez, acompanhado pelos seus discípulos, o Senhor atravessava o pequeno mar da Galiléia. E eis que surgiu uma grande tempestade no mar, de modo que as ondas cobriam a barca4. São Marcos indica com precisão o momento histórico do acontecimento: foi na tarde do dia em que Jesus falou das parábolas sobre o Reino dos céus5. Depois dessa longa pregação, compreende-se que o Senhor, cansado, adormecesse enquanto navegavam.

A tempestade deve ter sido assustadora, porque, embora estivessem acostumados ao mar, os Apóstolos sentiram que corriam um sério risco de soçobrar. A princípio, devem ter respeitado o sono do Mestre (devia estar muito cansado para não acordar!), e certamente fizeram tudo o que estava ao seu alcance para enfrentar a situação: arriaram as velas, remaram com força, tiraram e voltaram a tirar a água que entrava na barca… Mas o mar encrespava-se mais e mais, e o perigo de naufrágio era iminente. Então, inquietos, amedrontados, dirigem-se ao Senhor como recurso único e definitivo. Acordaram-no dizendo: Senhor, salva-nos, que perecemos. Jesus respondeu-lhes: Por que estais amedrontados, homens de pouca fé?6

O temor é um fenômeno cada vez mais estendido nos nossos dias. Tem-se medo de quase tudo. Muitas vezes, esse estado de ânimo resulta da ignorância, do egoísmo (excessiva preocupação pessoal, ansiedade por males que talvez nunca cheguem, etc.), mas, sobretudo, é conseqüência de que construímos a nossa vida sobre alicerces muito frágeis.

Podemos esquecer-nos de uma verdade essencial: Jesus Cristo é sempre a nossa segurança. Não se trata de sermos insensíveis aos acontecimentos, mas de aumentarmos a nossa confiança e de empregarmos, em cada caso, os meios humanos ao nosso alcance. Não devemos esquecer nunca que estar perto de Jesus, ainda que pareça que Ele dorme, é estar seguros. Em momentos de perturbação, de prova, Jesus não se esquece de nós: “Nunca falhou aos seus amigos”7, nunca.

II. DEUS NUNCA CHEGA TARDE em socorro dos seus filhos. Mesmo nos casos mais extremos, sempre chega no momento oportuno, ainda que por vezes de um modo misterioso e oculto. A plena confiança no Senhor, somada aos meios humanos que seja necessário empregar, dá ao cristão uma singular fortaleza e uma especial serenidade para enfrentar os acontecimentos e as circunstâncias adversas.

“Se não O abandonas, Ele não te abandonará”8. E nós – dizemo-lo na nossa oração pessoal – não queremos abandoná-lo. Junto dEle, ganham-se todas as batalhas, ainda que, a curto prazo, possa parecer que se perdem. “Quando pensamos que tudo se afunda sob os nossos olhos, nada se afunda, porque Tu és, Senhor, a minha fortaleza (Sl 42, 2). Se Deus mora em nossa alma, todo o resto, por mais importante que pareça, é acidental, transitório. Em contrapartida, nós, em Deus, somos o permanente”9. Este é o remédio para afastarmos da nossa vida os medos, as tensões e as ansiedades. Perante um panorama humanamente difícil, São Paulo animava os primeiros cristãos de Roma com estas palavras: Se Deus é por nós, quem será contra nós? […] Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? […] Mas em todas estas coisas vencemos por Aquele que nos amou. Porque estou persuadido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as virtudes, nem a altura, nem as profundezas, nem nenhuma outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus10. O cristão, por vocação, é um homem entregue a Deus, e portanto também entrega a Ele tudo aquilo que possa vir a acontecer-lhe.

Certa vez, o Senhor instruía a multidão a respeito do amor e solicitude com que Deus acompanha cada criatura. Os que o escutavam eram pessoas simples e honradas, que louvavam a majestade de Deus, mas não possuíam a peculiar confiança dos filhos de Deus em seu Pai.

É provável que, no momento em que se dirigia ao seu auditório, passasse por lá perto uma revoada de pássaros à busca de abrigo nalgum lugar próximo. Quem se preocupava com eles? Por acaso as donas de casa não costumavam comprá-los por alguns centavos para melhorar as suas refeições? Estavam ao alcance de qualquer economia. Tinham pouco valor.

Jesus apontá-los-ia com um gesto, ao mesmo tempo que dizia aos seus ouvintes: “Nem um só destes pardais está esquecido diante de Deus”. Deus conhece-os a todos. Nenhum deles cai ao chão sem o consentimento do vosso Pai. E o Senhor volta a incutir-nos confiança: Não temais; vós valeis mais do que muitos pardais11. Nós não somos criaturas de um dia, mas filhos de Deus para sempre. Como não há de o Senhor cuidar das nossas coisas? Não temais. O nosso Deus deu-nos a vida e no-la deu para sempre. E diz-nos: “A vós, meus amigos, digo-vos: Não temais”12. “Qualquer homem, contanto que seja amigo de Deus – são palavras de São Tomás –, deve estar muito confiante em que será libertado por Ele de qualquer angústia… E como Deus ajuda de modo especial os seus servos, quem serve a Deus deve viver muito tranqüilo”13. A única condição é esta: sermos amigos de Deus, vivermos como seus filhos.

III. “DESCANSAI na filiação divina. Deus é um Pai cheio de ternura, de infinito amor”14. Em toda a nossa vida, tanto no terreno humano como no sobrenatural, o nosso “descanso” e a nossa segurança não têm outro alicerce firme fora da nossa filiação divina. Lançai sobre Ele todas as vossas preocupações – dizia São Pedro aos primeiros cristãos –, porque Ele cuida de vós15.

A filiação divina não pode ser considerada como uma metáfora: não é simplesmente que Deus nos trate como um pai e queira que o tratemos como filhos; o cristão é filho de Deus pela força santificadora do próprio Deus presente no seu ser. Esta realidade é tão profunda que afeta a essência do homem, a tal ponto que São Tomás afirma que por ela o homem é constituído num novo ser16.

A filiação divina é o fundamento da liberdade dos filhos de Deus, e é nela que o homem encontra a proteção de que necessita, o calor paternal e a segurança em relação ao futuro, que lhe permitem um abandono simples nas mãos divinas. Confere-lhe também a certeza de que, por trás de todos os acasos da vida, há sempre uma última razão de bem: Todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus17. Os próprios erros e desvios do caminho acabam sendo para bem, porque “Deus encaminha absolutamente todas as coisas para nosso proveito…”18

O fato de saber-se filho de Deus faz com que o cristão adquira, em todas as circunstâncias da sua vida, um modo de ser no mundo essencialmente amável, que é uma das principais manifestações da virtude da fé. O homem que se sabe filho de Deus não perde a alegria, assim como não perde a paz. A consciência da filiação divina liberta-o de tensões inúteis e, quando pela sua fraqueza se extravia, é capaz de voltar para Deus, na certeza de ser bem recebido.

A consideração da Providência ajudar-nos-á a dirigir-nos a Deus, não como um Ser longínquo, indiferente e frio, mas como um Pai que está atento a cada um de nós e que colocou um anjo – como esses anjos que anunciaram o nascimento do Senhor aos pastores – para que nos guarde em todos os nossos caminhos.

A serenidade que esta verdade comunica ao nosso modo de ser e de viver não procede de voltarmos as costas à realidade, mas de vê-la com otimismo, porque confiamos sempre na ajuda do Senhor. “Esta é a diferença entre nós e os que não conhecem a Deus. Estes, na adversidade, queixam-se e murmuram; quanto a nós, as coisas adversas não nos afastam da virtude, antes nos fortalecem nela”19, porque sabemos que até os cabelos da nossa cabeça estão todos contados.

Ao terminarmos a nossa oração, façamos o propósito de recorrer a Jesus, presente no Sacrário, sempre que as oposições, as dificuldades ou a tribulação nos coloquem em situação de perder a alegria e a serenidade. Dirijamo-nos a Maria, que contemplamos no Presépio, tão próxima do seu Filho. Nestes dias cheios da paz do Natal – e sempre –, Ela nos ensinará a comportar-nos como filhos de Deus, mesmo nas circunstâncias mais adversas.

(1) Lc 1, 30; (2) Mt 1, 20; (3) Lc 2, 10; (4) Mt 8, 24; (5) Mc 4, 35; (6) Mt 8, 25-26; (7) Santa Teresa, Vida, 11, 4; (8) São Josemaría Escrivá, Caminho, n. 730; (9) São Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n. 92; (10) Rom 8, 31 e segs.; (11) cfr. Mt 8, 26-27; (12) Lc 8, 50; (13) São Tomás, Exposição sobre o Símbolo dos Apóstolos, 5; (14) São Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, 150; (15) 1 Pe 5, 7; (16) São Tomás,Suma Teológica, 1-2, q. 110, a. 2 ad. 3; (17) Rom 8, 28; (18) Santo Agostinho, De corresp. et gratia, 30, 35; (19) São Cipriano, De moralitate, 13.

Anúncios
Esse post foi publicado em Geral. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s