Leituras de 1º /01/11


ANO LITÚRGICO “A” – TEMPO DO NATAL

Sábado, 1º de janeiro de 2011

OITAVA DO NATAL – SANTA MARIA, MÃE DE DEUS

Branco – Glória – Creio – Prefácio de Maria – Ofício da Solenidade

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Antífona: Salve, ó santa mãe de Deus, vós destes à luz o rei que governa o céu e a terra pelos séculos eternos (Sedúlio).

Oração do Dia: Ó Deus, que pela virgindade fecunda de Maria destes à humanidade a salvação eterna, dai-nos contar sempre com a sua intercessão, pois ela nos trouxe o autor da vida. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Primeira Leitura: Números 6, 22-27

Leitura do livro dos Números:

22 O Senhor disse a Moisés:

23 “Dize a Aarão e seus filhos o seguinte: eis como abençoareis os filhos de Israel:

24 ´O Senhor te abençoe e te guarde!

25 O Senhor te mostre a sua face e conceda-te sua graça!

26 O Senhor volva o seu rosto para ti e te dê a paz!´

27 E assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel e eu os abençoarei”.

Palavra do Senhor.

Graças a Deus!


Salmo Responsorial: 67/66

Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção.

Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção,
e sua face resplandeça sobre nós!
Que na terra se conheça o seu caminho
e a sua salvação por entre os povos.

Exulte de alegria a terra inteira,
pois julgais o universo com justiça;
os povos governais com retidão
e guiais, em toda a terra, as nações.

Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor,
que todas as nações vos glorifiquem!
Que o Senhor e nosso Deus nos abençoe,
e o respeitem os confins de toda a terra!


Segunda Leitura: Gálatas 4, 4-7

Leitura da carta de são Paulo aos Gálatas:

Irmãos, 4 mas quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, que nasceu de uma mulher e nasceu submetido a uma lei,

5 a fim de remir os que estavam sob a lei, para que recebêssemos a sua adoção.

6 A prova de que sois filhos é que Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!

7 Portanto já não és escravo, mas filho. E, se és filho, então também herdeiro por Deus.

Palavra do Senhor.

Graças a Deus!


Evangelho: Lucas 2, 16-21


Aleluia, aleluia, aleluia.

De muitos modos, Deus outrora nos falou pelos profetas; nestes tempos derradeiros, nos falou pelo seu Filho (Hb 1,1s)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas:

Naquele tempo, os pastores 16 foram com grande pressa e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura.
17 Vendo-o, contaram o que se lhes havia dito a respeito deste menino.
18 Todos os que os ouviam admiravam-se das coisas que lhes contavam os pastores.

19 Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração.
20 Voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, e que estava de acordo com o que lhes fora dito.

21 Completados que foram os oito dias para ser circuncidado o menino, foi-lhe posto o nome de Jesus, como lhe tinha chamado o anjo, antes de ser concebido no seio materno.

Palavra da Salvação.

Glória a Vós, Senhor!

Deitado na manjedoura… (Lc 2, 16-21)

Será que os pastores de Belém, acordados no meio da noite por um luminoso coral de anjos, chegaram a perceber o sinal? Tinham acabado de receber a ordem de ir até a gruta para ali encontrar o Salvador, o Messias tão esperado. Lá chegando, acham o Menino em um cocho: a humilde manjedoura onde os animais lambem o sal e mascam a palha.

Não encontram seu Salvador no berço de seda dos aristocratas nem no trono dourado dos príncipes, mas no cocho de madeira, na mesa dos animais. Se os pastores da Primeira Aliança não entenderam a mensagem, nós, em tempos de Nova Aliança, temos a obrigação de traduzi-la de modo bem claro: o Salvador nos salva quando se dá como alimento. Não é por acaso que Jesus nos espera em uma mesa, forrada com a palha do trigo, apontando claramente para o banquete eucarístico.

A palavra “estábulo” [que traduz o latim praesepio] é da mesma família que “távola” [mesa], ainda que tenhamos perdido a consciência de sua origem. Isto é, liga-se diretamente à ideia de “alimentação”. Por isso mesmo, se no futuro o Menino crescer e disser em alta voz que sua carne e seu sangue devem ser necessariamente nosso alimento de salvação (cf. Jo 6), nada mais estará fazendo que anunciar sua missão: um Deus que se encarna para ser o Cordeiro do banquete definitivo.

Vale recordar os versos litúrgicos de Santo Tomás de Aquino:

“Alimento verdadeiro,

Permanece o Cristo inteiro,

Quer no vinho, quer no pão.

Eis o pão que os Anjos comem

transformado em pão do homem.

Só os filhos o consomem:

Não seja lançado aos cães.

Em tipos prefigurado,

Foi em Isaac imolado;

No Cordeiro aos pais foi dado

E, no deserto, em maná.”

Por que tão poucos se aproximam da mesa?

Orai sem cessar: “E os fartou com pão vindo do céu…” (Sl 105, 40)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.


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Comentário ao Evangelho do dia feito por:

São Leão Magno (?-c. 461), papa e Doutor da Igreja

6º sermão para o Natal, 2, 3, 5 (a partir da trad. bréviaire; cf SC 22 bis, pp. 139ss.)

Maria, Mãe de Deus, Mãe do Príncipe da Paz (Is 11, 5)

A festa do Natal renova para nós os primeiros instantes da vida de Jesus, nascido da Virgem Maria. E acontece que, adorando o nascimento do nosso Salvador, celebramos a nossa própria origem. Com efeito, quando Cristo veio ao mundo, começou o povo cristão: o aniversário da cabeça é o aniversário do corpo.

Ora, que mais podemos encontrar nos tesouros da generosidade divina que seja tão adequado à dignidade da festa de Natal como esta paz proclamada pelo cântico dos anjos quando do nascimento do Senhor (Lc 2, 14)? Pois é a paz que gera filhos de Deus, que favorece o amor, que produz a amizade, que é o repouso dos bem-aventurados, a morada da eternidade. A sua obra própria, o seu particular benefício, consiste em unir a Deus aqueles que separa deste mundo. […] Assim, pois, aqueles que «não nasceram do sangue nem da vontade carnal, nem da vontade do homem, mas de Deus» (Jo 1, 13) devem oferecer ao Pai a vontade unânime dos filhos artesãos da paz. Todos aqueles que se tornaram membros de Cristo por adoção devem acorrer a venerar o primogênito da nova criação, Aquele que veio, não para fazer a Sua vontade, mas a Daquele que O enviou (Jo 6, 38). Os herdeiros adotados pela graça do Pai não são herdeiros divididos nem separados; têm os mesmos sentimentos e o mesmo amor. Aqueles que foram recriados segundo a única Imagem (Heb 1, 3; Gn 1, 27) têm de ter uma alma que se assemelhe a Ele. O nascimento do Senhor Jesus é o nascimento da paz. Como diz São Paulo, «Ele [Cristo] é a nossa paz» (Ef 2, 14).

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1º DE JANEIRO


1. SANTA MARIA, MÃE DE DEUS

Solenidade

Por Francisco Fernández-Carvajal, sacerdote

– Deus escolheu a sua Mãe e cumulou-a de todos os dons e graças.

– Maria e a Santíssima Trindade.

– Nossa Mãe.


Com esta solenidade encerra-se a Oitava do Natal. Embora Santa Maria fosse venerada como Mãe de Deus desde os começos da Igreja, a festa ficou estabelecida a partir da proclamação dogmática desta verdade de fé no século IV. Em 1931, Pio XI dispôs que se celebrasse em toda a Igreja no dia 11 de outubro. Paulo VI determinou que fosse transferida para a quadra do Natal, precisamente no dia da Oitava, que coincide com o começo do ano. A oração para depois da comunhão provém de uma antiquíssima liturgia que remonta ao século VII, com uma bela modificação em que se invoca Maria como Mãe da Igreja. Foi a primeira vez que se introduziu este título mariano na liturgia.

I. CHEGADA A PLENITUDE dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher…1, lemos na segunda Leitura da Missa.

Há poucos dias, meditávamos no nascimento do Senhor, cheio de simplicidade, numa gruta de Belém. Vimo-lo pequeno, como uma criança indefesa, nos braços de sua Mãe, que no-lo apresentava para que, cheios de confiança e piedade, o adorássemos como nosso Redentor e Senhor. Deus ponderou todas as circunstâncias que rodearam o seu nascimento: o edito de César Augusto, o recenseamento, a pobreza de Belém… Mas sobretudo previu a Mãe que o traria ao mundo. Esta Mulher, mencionada em diversas passagens da Sagrada Escritura, foi predestinada desde toda a eternidade. Nenhuma outra obra da criação foi cuidada por Deus com maior esmero, com maior amor e sabedoria do que Aquela que, com o seu consentimento livre, seria a sua Mãe.

Nossa Senhora foi anunciada já desde os começos como a vencedora da serpente que simbolizava a entrada do mal no mundo2, como a Virgem que daria à luz o Emmanuel, que é Deus conosco3; e foi prefigurada na arca da aliança, na casa de ouro e na torre de marfim… Deus escolheu-a entre todas as mulheres antes de todos os séculos, amou-a mais do que a todas as criaturas juntas, com um amor tão intenso que pôs nEla, de um modo único, todas as suas complacências: cumulou-a de todas as graças e dons, mais do que aos anjos e santos, preservou-a de toda a mancha de pecado ou imperfeição, de tal maneira que não se pode conceber uma criatura mais bela e mais santa do que aquela que foi escolhida para Mãe do Salvador4. Os teólogos e santos chegaram a dizer, com toda a razão, que Deus podia fazer um mundo melhor, mas não uma Mãe mais perfeita do que a sua Mãe5. E São Bernardo comenta: “Por que havemos de admirar-nos se Deus, a quem contemplamos realizando maravilhas na Sagrada Escritura e entre os seus santos, quis mostrar-se ainda mais maravilhoso com a sua Mãe?”6

A maternidade divina de Maria – ensina São Tomás de Aquino7 – suplanta todas as graças ou carismas como, por exemplo, o dom da profecia, o dom de línguas, de realizar milagres…

“Deus Onipotente, Todo-Poderoso, Sapientíssimo, tinha que escolher a sua Mãe.

“Tu, que terias feito, se tivesses tido que escolhê-la? Penso que tu e eu teríamos escolhido a que temos – cumulando-a de todas as graças. Foi isso o que Deus fez. Portanto, depois da Santíssima Trindade, vem Maria.

“– Os teólogos estabelecem um raciocínio lógico para esse cúmulo de graças, para essa impossibilidade de estar sujeita a satanás: convinha, Deus podia fazê-lo, logo o fez. É a grande prova, a prova mais clara de que Deus rodeou a sua Mãe de todos os privilégios, desde o primeiro instante. E assim é: formosa, e pura, e limpa em alma e corpo!”8

Hoje, ao olharmos para Nossa Senhora, que nos oferece o seu Filho entre os seus braços, temos de dar graças ao Senhor, pois “uma das grandes mercês que Deus nos fez, além de nos criar e redimir, foi querer ter uma Mãe, pois, tomando-a Ele por sua, no-la dava por nossa”9.

II. SÃO TOMÁS DE AQUINO ensina que Maria “é a única que, junto com Deus Pai, pode dizer ao Filho divino: Tu és meu Filho”10. Nossa Senhora – escreve São Bernardo – “chama filho ao Filho de Deus e Senhor dos anjos quando, com toda a naturalidade, lhe pergunta: Filho, por que procedeste assim conosco? (Lc 2, 48). Que anjo podia ter o atrevimento de dizê-lo? Mas Maria, consciente de que é sua Mãe, chama familiarmente Filho a essa mesma soberana majestade diante de quem se prostram os anjos. E Deus não se ofende quando lhe chamam por aquilo que Ele quis ser”11. É verdadeiramente o Filho de Maria.

Em Cristo, distinguem-se a sua geração eterna (a sua condição divina, a preexistência do Verbo) e o seu nascimento temporal. Enquanto Deus, é misteriosamente gerado, não criado, pelo Pai ab aeterno, desde sempre; enquanto homem, nasceu, foi gerado, de Santa Maria Virgem. Quando chegou a plenitude dos tempos, o Filho Unigênito de Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, assumiu a natureza humana, quer dizer, a alma racional e o corpo formado no seio puríssimo de Maria. A natureza humana (alma e corpo) e a natureza divina uniram-se na única Pessoa do Verbo. Desde aquele momento, Nossa Senhora, ao dar o seu consentimento aos planos de Deus, converteu-se em Mãe do Filho de Deus encarnado, pois “assim como todas as mães, em cujo seio se gera o nosso corpo, mas não a nossa alma racional, se chamam e são verdadeiramente mães, assim também Maria, pela unidade da Pessoa do seu Filho, é verdadeiramente Mãe de Deus”12.

No Céu, os anjos e santos contemplam com assombro o altíssimo grau de glória de Maria e sabem que tão excelsa dignidade lhe advém do fato de ter sido e continuar a ser para sempre a Mãe de Deus, Mater Creatoris, Mater Salvatoris13. Por isso, nas ladainhas, o primeiro título de glória que se dá a Nossa Senhora é o de Sancta Dei Genetrix, e os títulos que se seguem a esse são os que convêm à maternidade divina: Santa Virgem das virgens, Mãe da divina graça, Mãe puríssima, Mãe castíssima…

Por ser verdadeira Mãe do Filho de Deus feito homem, Maria está numa estreitíssima relação com a Santíssima Trindade. É a Filha de Deus Pai, como a chamaram os Padres da Igreja e o Magistério antigo e recente14. Está unida ao Filho pelos vínculos do sangue, “por meio dos quais adquire poder e domínio natural sobre Jesus… E Jesus contrai com Maria os deveres de justiça que os filhos têm para com seus pais”15. Em relação ao Espírito Santo, é, no dizer dos Padres, Templo e Sacrário, expressão que também o Papa João Paulo II usa no seu Magistério16. Ela é a “obra-prima da Trindade”17.

Esta “obra-prima” não é algo acidental na vida do cristão. Maria “nem sequer é uma pessoa adornada por Deus com tantos dons para que a contemplemos numa admiração estática. Esta obra-prima da Trindade é Mãe de Deus Redentor e, por isso, é também minha Mãe, Mãe deste pobre ser humano que sou eu, que é cada um dos mortais”18. Minha Mãe!, é o que lhe temos dito tantas vezes.

Hoje dirigimos-lhe o nosso pensamento cheios de alegria e louvor… e de um santo orgulho. “Como gostam os homens de que lhes recordem o seu parentesco com personagens da literatura, da política, do exército, da Igreja!…

“– Canta diante da Virgem Imaculada, recordando-lhe:

“Ave, Maria, Filha de Deus Pai; Ave, Maria, Mãe de Deus Filho; Ave, Maria, Esposa de Deus Espírito Santo… Mais do que tu, só Deus!”19

III. SALVE, MATER MISERICORDIAE, / Mater spei et Mater veniae… Salve, Mãe de misericórdia, Mãe da esperança e do perdão, / Mãe de Deus e da graça, / Mãe de quem transborda a santa alegria20, cantamos hoje à nossa Mãe do Céu com as palavras de um hino antigo.

Com a sua solicitude de Mãe, Nossa Senhora continua a prestar ao seu Filho os cuidados que lhe oferecia aqui na terra. Presta-os através de nós, pois somos membros do Corpo Místico de Cristo: Maria vê Jesus em cada cristão, em cada homem. E como Corredentora, sente a urgência de incorporar-nos definitivamente à vida divina. Ela será sempre a grande ajuda para vencermos as dificuldades e tentações e a grande aliada na ação apostólica que, como cristãos no meio do mundo, temos que levar a cabo no lugar onde nos encontramos: “Invoca a Santíssima Virgem; não deixes de pedir-lhe que se mostre sempre tua Mãe: «Monstra te esse Matrem!», e que te alcance, com a graça do seu Filho, luz de boa doutrina na inteligência, e amor e pureza no coração, a fim de que saibas ir para Deus e levar-lhe muitas almas”21. Esta jaculatória – Monstra te esse Matrem –, tomada da liturgia22, pode servir-nos para estarmos especialmente unidos a Ela neste dia: Minha Mãe!, mostra que és Mãe!… nesta necessidade e naquela outra…, com este amigo que demora a aproximar-se do teu Filho…

Ao começar um novo ano, aproveitemos para fazer o firme propósito de percorrê-lo todos os dias de mãos dadas com a Virgem. Nunca poderemos saber-nos mais seguros. Façamos como o Apóstolo São João, quando Jesus lhe confiou Maria para que a recebesse em nome de todos como sua Mãe: Desde aquele momento – escreve o Evangelista – o discípulo a recebeu em sua casa23. Com que amor, com que delicadeza não a trataria! Assim devemos comportar-nos em cada jornada deste novo ano e sempre.

(1) Gal 4, 4; (2) Gen 3, 15; (3) Is 7, 14; (4) cfr. Pio IX, Bula Ineffabilis Deus, 8-XII-1854; (5) cfr. São Boaventura, Speculum, em Obras completas, BAC, Madrid, 1946, 8; (6) São Bernardo, Homilias em louvor da Virgem Maria, II, 9; (7) cfr. São Tomás, Suma Teológica, I-II, q. 3, a. 5; (8) São Josemaría Escrivá, Forja, Quadrante, São Paulo, 1987, n. 482; (9) Beato Alonso Orozco, Tratado de las siete palabras de Maria Santísima, Rialp, Madrid, 1966, pág. 61; (10) São Tomás, S.Th., III, q. 30, a. 1; (11) São Bernardo, op. cit., I, 7; (12) Pio XI, Enc. Lux veritatis, 25-XII-1931; (13) cfr. R. Garrigou-Lagrange, La Madre del Salvador, Rialp, Madrid, 1976, pág. 43; (14) cfr. Conc. Vat. II, Const. Lumen gentium, 53; (15) E. Hugon, Marie, pleine de grâce, cit. por R. Garrigou-Lagrange,op. cit., pág. 40; (16) João Paulo II, Enc. Redemptoris Mater, 25-III-1987, 9; (17) M. M. Philipon, Los dones del Espírito Santo, Palabra, Madrid, 1989, pág. 382; (18) J. Polo Carrasco, Maria y la Santíssima Trinidad, Madrid, 1987, pág. 56; (19) São Josemaría Escrivá, Caminho, 7ª ed., Quadrante, São Paulo, 1989, n. 496; (20) Liturgia das Horas, Hino do Ofício das leituras, na Apresentação da Santíssima Virgem Maria; (21) São Josemaría Escrivá, Forja, n. 986; (22) Hino Ave Maris Stella; (23) Jo 19, 27.

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OITAVA DO NATAL. SANTA MARIA, MÃE DE DEUS. 1º DE JANEIRO


38. MÃE DE DEUS E MÃE NOSSA

Por Francisco Fernández-Carvajal, sacerdote

– Santa Maria, Mãe de Deus.

– Mãe nossa. Ajudas que nos presta.

– A devoção à Virgem Maria leva-nos a Cristo. Começar o novo ano junto dEla.

I. NÃO SÃO POUCAS as vezes em que contemplamos Maria com o Menino nos braços, pois a piedade cristã plasmou de mil formas diferentes a festa que celebramos hoje: a Maternidade de Maria, o fato central que ilumina toda a vida da Virgem e é o fundamento dos outros privilégios com que Deus quis adorná-la. Louvamos hoje e damos graças a Deus Pai porque Maria concebeu o seu Filho Único à sombra do Espírito Santo e, permanecendo virgem, deu ao mundo a luz eterna, Jesus Cristo, Senhor nosso1. E cantamos em nosso coração: Salve, ó Santa Mãe de Deus2, pois realmente a Mãe deu à luz o Rei cujo nome é eterno; aquela que o gerou tem ao mesmo tempo a alegria da maternidade e a glória da virgindade3.

Santa Maria é a Senhora, cheia de graça e de virtudes, concebida sem pecado, que é Mãe de Deus e Mãe nossa, e está nos céus em corpo e alma. A Sagrada Escritura fala-nos dEla como a mais excelsa de todas as criaturas, a bendita, a mais louvada entre as mulheres, a cheia de graça4, Aquela que todas as gerações chamarão bem-aventurada5.

A Igreja ensina-nos que Maria ocupa, depois de Cristo, o lugar mais alto e o mais próximo de nós, em função da sua maternidade divina. Ela, “pela graça de Deus, depois do seu Filho, foi exaltada sobre todos os anjos e todos os homens”6.Por ti, ó Virgem Maria, chegaram ao seu cumprimento os oráculos dos profetas que anunciavam Cristo: sendo Virgem, concebeste o Filho de Deus, e permanecendo virgem, geraste-o7.

Diz-nos a primeira leitura da Missa de hoje que, ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei…8 Jesus não apareceu de repente na terra vindo do céu, mas fez-se realmente homem, como nós, tomando a nossa natureza humana nas entranhas puríssimas da Virgem Maria. Enquanto Deus, é eternamente gerado, não feito, por Deus Pai. Enquanto homem, nasceu, “foi feito”, de Santa Maria. “Muito me admira – diz por isso São Cirilo – que haja alguém que tenha alguma dúvida de que a Santíssima Virgem deva ser chamada Mãe de Deus. Se Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus, por que a Santíssima Virgem, que o deu à luz, não há de ser chamada Mãe de Deus? Esta é a fé que os discípulos do Senhor nos transmitiram, ainda que não tenham empregado essa expressão. Assim nos ensinaram também os Santos Padres”9. Assim o definiu o Concílio de Éfeso10.

“Todas as festas de Nossa Senhora são grandes, porque constituem ocasiões que a Igreja nos oferece para demonstrarmos com fatos o nosso amor a Santa Maria. Mas, se dentre essas festividades tivesse que escolher uma, escolheria a de hoje: a da Maternidade divina da Santíssima Virgem.

“Quando a Virgem respondeu livremente sim àqueles desígnios que o Criador lhe revelava, o Verbo divino assumiu a natureza humana: a alma racional e o corpo formado no seio puríssimo de Maria. A natureza divina e a natureza humana uniam-se numa única Pessoa: Jesus Cristo, verdadeiro Deus e, desde então, verdadeiro Homem; Unigênito eterno do Pai e, a partir daquele momento, como Homem, filho verdadeiro de Maria. Por isso Nossa Senhora é Mãe do Verbo encarnado, da segunda Pessoa da Santíssima Trindade que uniu a si para sempre – sem confusão – a natureza humana. Podemos dizer bem alto à Virgem Santa, como o melhor dos louvores, estas palavras que expressam a sua mais alta dignidade: Mãe de Deus”11.

Será muito grato a Nossa Senhora que no dia de hoje lhe repitamos, como jaculatória, as palavras da Ave-Maria: Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós.

II. “MINHA MÃE SANTÍSSIMA” é um título que damos freqüentemente à Virgem e que nos é particularmente querido e consolador. Ela é verdadeiramente nossa Mãe, porque nos gera continuamente para a vida sobrenatural.

“Concebendo Cristo, gerando-o, alimentando-o, apresentando-o ao Pai no templo, padecendo com seu Filho quando morria na Cruz, cooperou de forma inteiramente ímpar com a obra do Salvador mediante a obediência, a fé, a esperança e a ardente caridade, a fim de restaurar a vida sobrenatural das almas. Por isso Ela é nossa Mãe na ordem da graça”12.

Esta maternidade de Maria “perdura sem cessar… até a consumação perpétua de todos os eleitos. Pois, assunta aos céus, não deixou essa missão salvadora; antes, com a sua múltipla intercessão, continua obtendo-nos os dons da salvação eterna. Com o seu amor materno, cuida dos irmãos de seu Filho, que ainda peregrinam e se acham em perigo e ansiedade até que sejam conduzidos à pátria bem-aventurada”13.

Jesus deu-nos Maria como Mãe nossa no momento em que, pregado na Cruz, dirigiu a sua Mãe estas palavras: Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí a tua mãe14. “Assim, de um modo novo, legou a sua própria Mãe ao homem […]. Legou-a a todos os homens […]. Desde aquele dia, toda a Igreja a tem por Mãe; e todos os homens a têm por Mãe. Todos entendemos como dirigidas a cada um de nós as palavras pronunciadas na Cruz”15.

Jesus olha-nos a cada um: Eis aí a tua mãe, diz-nos. João acolheu-a com carinho e cuidou dEla com extrema delicadeza, introduziu-a em sua casa, na sua vida. “Os autores espirituais viram nessas palavras do Santo Evangelho um convite dirigido a todos os cristãos para que todos soubessem também introduzir Maria em suas vidas. Em certo sentido, é um esclarecimento quase supérfluo, porque Maria quer sem dúvida que a invoquemos, que nos aproximemos dEla com confiança, que recorramos à sua maternidade, pedindo-lhe que se manifeste como nossa Mãe (Monstra te esse Matrem. Hino litúrgico Ave maris stella)”16. Quando Cristo dá a sua Mãe por Mãe nossa, manifesta o amor aos seus até o fim17. Quando a Virgem Maria aceita o Apóstolo João como seu filho, mostra o seu amor de Mãe para com todos os homens.

Ela influiu de uma maneira decisiva na nossa vida. Cada um tem a sua própria experiência. Olhando para trás, percebemos como interveio em nossa ajuda nos momentos de dificuldade, como se empenhou em levar-nos para a frente; descobrimos o empurrão com que nos fez recomeçar definitivamente. “Quando me ponho a considerar todas as graças que recebi de Maria Santíssima, parece-me que sou um desses santuários marianos cujas paredes estão recobertas de ex-votos em que se lê somente esta inscrição: «Por graça recebida de Maria». Assim parece que estou eu escrito por todos os lados: «Por graça recebida de Maria». Todos os bons pensamentos, todas as boas vontades, todos os bons sentimentos do meu coração: «Por graça de Maria»”18.

Poderíamos perguntar-nos nesta festa de Nossa Senhora se temos sabido acolhê-la como São João19, se lhe dizemos muitas vezes: Monstra te esse matrem! Mostra que és Mãe!, manifestando com as nossas boas obras que também desejamos ser bons filhos seus.

III. A VIRGEM CUMPRE a sua missão de Mãe dos homens intercedendo continuamente por eles junto de seu Filho. A Igreja dá-lhe os títulos de “Advogada, Auxiliadora, Socorro e Medianeira”20, e Ela, com amor maternal, encarrega-se de alcançar-nos graças ordinárias e extraordinárias, e aumenta a nossa união com Cristo. Mais ainda, “dado que Maria deve ser justamente considerada como o caminho pelo qual somos conduzidos a Cristo, a pessoa que encontra Maria não pode deixar igualmente de encontrar Cristo”21.

A devoção filial por Maria é, portanto, parte integrante da vocação cristã. Não deve haver momento algum em que não recorramos como que instintivamente Àquela que “consola o nosso temor, aviva a nossa fé, fortalece a nossa esperança, dissipa os nossos temores e anima a nossa pusilanimidade”22.

É fácil chegar a Deus através de sua Mãe. Todo o povo cristão, sem dúvida por inspiração do Espírito Santo, teve sempre essa certeza divina. Os cristãos sempre viram em Maria um atalho – uma vereda por onde se encurta o caminho – para chegar ao Senhor.

Com esta solenidade de Nossa Senhora começamos um novo ano. Na realidade, não pode haver melhor maneira de começar o ano – e de viver todos os dias da nossa vida – do que estando muito perto da Virgem. A Ela nos dirigimos com confiança filial, para que nos ajude a viver santamente cada um dos dias deste novo período que o Senhor nos concede; para que nos anime a recomeçar se caímos e perdemos o caminho; para que interceda diante do seu divino Filho, a fim de que nos renovemos interiormente. Em suas mãos colocamos os desejos de identificar-nos com Cristo, de santificar a profissão, de ser fiéis evangelizadores. Repetiremos com mais força o seu nome quando as dificuldades aumentarem. E Ela, que sempre está atenta aos seus filhos, quando ouvir o seu nome nos nossos lábios, virá prontamente em nosso auxílio. Não nos deixará cair no erro ou no desvario.

No dia de hoje, quando contemplarmos alguma imagem da Virgem, poderemos dizer, ao menos mentalmente, sem palavras: Minha Mãe! E sentiremos que Ela nos acolhe e nos anima a começar este novo ano com a confiança de quem se sabe bem protegido e ajudado do Céu.

(1) Missal Romano, Prefácio da Maternidade de Nossa Senhora; (2) Antífona de entrada da Missa do dia 1º de janeiro; (3) Antífona 3 de Laudes; (4) Lc 1, 28; (5) Lc 1, 48; (6) Concílio Vaticano II, Constituição Lumen gentium, 63; (7) Antífona Magnificat de 27 de dezembro; (8) Gál 4, 4; (9) São Cirilo de Alexandria, Carta 1, 27-30; (10) Denziger-Schoenberg, 252; (11) São Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n. 274; (12) Concílio Vaticano II, Constituição Lumen gentium, 61; (13) ibid., 62; (14) Jo 19, 26-27; (15) João Paulo II, Audiência geral, 10-I-1979; (16) São Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 140; (17) cfr. Jo 13, 1; (18) Masserano, Vita di San Leonardo da Porto Maurizzio, II, 4; (19) cfr. Jo 19, 27; (20) Concílio Vaticano II, Constituição Lumen gentium, 62; (21) Paulo VI, Encíclica Mense Maio, 29-IV-1965; (22) São Bernardo,Homilia na Natividade da Bem-aventurada Virgem Maria, 7.

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