Leituras de 14/01/11


ANO LITÚRGICO “A” – I SEMANA DO TEMPO COMUM

Sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Verde – Ofício do Dia

******************************************

Antífona: Ergamos os nossos olhos para aquele que tem o céu como trono; a multidão dos anjos o adora, cantando a uma só voz: Eis aquele cujo poder é eterno.


Oração do Dia:
Ó Deus, atendei como pai às preces do vosso povo; dai-nos a compreensão dos nossos deveres e a força de cumpri-los. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Primeira Leitura: Hebreus 4, 1-5.11

Leitura da carta aos Hebreus:

4 1 Enquanto, pois, subsiste a promessa de entrar no seu descanso, tenhamos cuidado em que ninguém de nós corra o risco de ser excluído.
2 A boa nova nos foi trazida a nós, como o foi a eles. Mas a eles de nada aproveitou, porque caíram na descrença.
3 Nós, porém, se tivermos fé, haveremos de entrar no descanso. Ele disse: “Eu jurei na minha ira: não entrarão no lugar do meu descanso”. Ora, as obras de Deus estão concluídas desde a criação do mundo;
4 pois, em certa passagem, falou do sétimo dia o seguinte: “E, terminado o seu trabalho, descansou Deus no sétimo dia”.
5 Se, pois, ele repete: “Não entrarão no lugar do meu descanso”.
11 Assim, apressemo-nos a entrar neste descanso para não cairmos por nossa vez na mesma incredulidade.

Palavra do Senhor.
Graças a Deus!

Salmo Responsorial: 78/77

Não vos esqueçais das obras do Senhor!

Tudo aquilo que ouvimos e aprendemos,
e transmitiram para nós os nossos pais,
à nova geração nós contaremos:
as grandezas do Senhor e seu poder.

Levantem-se e as contem a seus filhos,
para que ponham no Senhor sua esperança;
das obras do Senhor não se esqueçam
e observem fielmente os seus preceitos.

Nem se tornem, a exemplo de seus pais,
rebelde e obstinada geração,
uma raça de inconstante coração,
infiel ao Senhor Deus em seu espírito.


Evangelho: Marcos 2, 1-12

Aleluia, aleluia, aleluia.

Um grande profeta surgiu entre nós e Deus visitou o seu povo, aleluia (Lc 7,16).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos:

21 Alguns dias depois, Jesus entrou novamente em Cafarnaum e souberam que ele estava em casa.

2 Reuniu-se uma tal multidão, que não podiam encontrar lugar nem mesmo junto à porta. E ele os instruía.

3 Trouxeram-lhe um paralítico, carregado por quatro homens.

4 Como não pudessem apresentar-lho por causa da multidão, descobriram o teto por cima do lugar onde Jesus se achava e, por uma abertura, desceram o leito em que jazia o paralítico.

5 Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: “Filho, perdoados te são os pecados.”

6 Ora, estavam ali sentados alguns escribas, que diziam uns aos outros:
7 “Como pode este homem falar assim? Ele blasfema. Quem pode perdoar pecados senão Deus?”

8 Mas Jesus, penetrando logo com seu espírito tios seus íntimos pensamentos, disse-lhes: “Por que pensais isto nos vossos corações?

9 Que é mais fácil dizer ao paralítico: Os pecados te são perdoados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda?

10 Ora, para que conheçais o poder concedido ao Filho dó homem sobre a terra (disse ao paralítico),

11 eu te ordeno: levanta-te, toma o teu leito e vai para casa.”

12 No mesmo instante, ele se levantou e, tomando o seu leito, foi-se embora à vista de todos. A multidão inteira encheu-se de profunda admiração e puseram-se a louvar a Deus, dizendo: “Nunca vimos coisa semelhante.”

Palavra da Salvação.

Glória a Vós, Senhor!

Vendo a fé daqueles homens… (Mc 2, 1-12)

Uma cena bastante incomum. Pouco plausível, creio, para os nossos dias. Mas os Evangelhos a deixaram registrada para nosso espanto. Cercada a casa pela numerosa multidão sedenta de ouvir o Mestre, quatro homens não desistem frente ao obstáculo e insistem em levar o amigo paralítico diante dos olhos de Jesus.

As casas pobres da Palestina, região de clima seco, com chuvas raras, podiam ser cobertas de ramos de tamareiras e placas de barro. Se o Evangelho de Lucas fala de telhas (cf. Lc 5, 17ss), é que ele escrevia para leitores de cultura grega, afeitos a diferentes costumes. Pois, decididos, os quatro amigos resolvem abrir um buraco no telhado (certamente alguns pedaços de barro seco terão caído sobre o atônito Mestre!) e baixar a padiola do enfermo no centro da casa.

O paralítico está imóvel, claro. Talvez nem pisque um olho. Até onde o texto deixa perceber, ele não tem fé. Já perdeu a esperança. Mas os quatro amigos têm a fé, do contrário não seriam capazes de um gesto tão impróprio e tão ousado… “Vendo Jesus a fé daqueles homens – narra São Marcos -, diz ao paralítico: ‘Filho, perdoados te são os teus pecados.’”

Enquanto os escribas ali presentes murmuram a respeito da aparente blasfêmia do Rabi, este decide demonstrar que possui o poder que os homens não têm – o de perdoar pecados! E devolve prontamente ao enfermo a mobilidade perdida: “Eu te ordeno: levanta-te, toma tua padiola e vai para tua casa.”

Deixo de lado a questão material do milagre e da cura impossível. O que me chama a atenção é que exista uma “fé vicária”. Uma fé substitutiva. Como o infeliz já perdeu a fé, seus amigos têm a fé por ele. E foi esta fé que moveu Jesus a curar o paralítico.

No mundo dos homens, há paralisias dos músculos, dos nervos, do cérebro. Mas existe também uma paralisia do espírito, quando sequer podemos crer. Entretanto, as mães amorosas continuam a rezar sem descanso pelo filho que perdeu a fé. A esposa fiel persevera em sua intercessão pelo marido descrente. E quando Jesus o percebe, admira-se da “fé amiga” e decide entrar em ação…

Feliz do paralítico que tem quatro amigos!

Orai sem cessar: “Por amor de meus irmãos e meus amigos,

pedirei a paz para ti!” (Sl 122 [121], 8)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

santini@novaalianca.com.br www.novaalianca.com.br

***********************************

Comentário ao Evangelho do dia feito por:

Santo Hilário (c. 315-367), Bispo de Poitiers e Doutor da Igreja
Comentário ao Evangelho de São Mateus 8, 5 (a partir da trad. SC 254, p. 199, rev.)

“Levanta-te, pega no teu catre e vai para tua casa.”

[No
Evangelho de São Mateus, Jesus acabara de curar dois estrangeiros, em território
pagão.] Neste paralítico, é a totalidade dos pagãos que se apresenta a Cristo, para ser curada. Mas mesmo os termos dessa cura devem ser analisados: o que Ele diz ao paralítico não é «Fica curado», nem «Levanta-te e anda», mas «Filho, tem confiança, os teus pecados estão perdoados» (Mt 9, 2). Num só homem, Adão, foram os pecados transmitidos a todos os povos. É por isso que aquele a quem se chama filho se apresenta para ser curado […]; porque esse filho é a primeira obra de Deus […], que agora recebe a misericórdia que provém do perdão da primeira desobediência. Com efeito, não vemos que este paralítico tenha cometido pecado; de resto, o Senhor diz noutro sítio que a cegueira de nascença não é contraída por causa do pecado próprio ou hereditário (Jo 9, 3).

Ninguém a não ser Deus pode realizar a remissão dos pecados, por isso Aquele que os remiu é Deus. E, para que possamos perceber que assumiu a nossa carne para redimir as almas dos seus pecados e lhes obter a ressurreição, diz-lhes: «Para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder para perdoar pecados», diz Ele ao paralítico, «levanta-te e pega no teu catre.» Ter-Lhe-ia sido suficiente dizer «Levanta-te», mas acrescentou: «Pega no teu catre e vai para tua casa.» Primeiro concedeu a remissão dos pecados, depois mostrou o poder da ressurreição, a seguir, ao fazer remover o leito, demonstrou que a fragilidade e a dor não mais atingiriam os corpos. Por último, ao mandar este homem curado para sua casa, ensinou que os fiéis devem encontrar o caminho que leva ao Paraíso, o caminho que Adão, pai de todos os homens, abandonara quando foi desfeito pela mancha do pecado.

**********************************


TEMPO COMUM. PRIMEIRA SEMANA. SEXTA-FEIRA

5. AS VIRTUDES HUMANAS NO APOSTOLADO

Por Francisco Fernández-Carvajal, sacerdote

– A cura do paralítico de Cafarnaum. Fé operativa, sem respeitos humanos. Otimismo.

– A prudência e a “falsa prudência”.

– Outras virtudes. Devemos ser bons instrumentos da graça.

I. O EVANGELHO DA MISSA1 apresenta-nos Jesus que ensina a multidão vinda de muitas aldeias da Galileia e da Judeia; juntaram-se tantos que nem mesmo diante da porta cabiam. Mesmo assim, aproximaram-se quatro homens, trazendo-lhe um paralítico.

Apesar dos esforços denodados que desenvolvem, essas pessoas não conseguem chegar até Jesus, mas não renunciam ao seu propósito de aproximar-se do Mestre com o amigo que traziam deitado num catre. Quando outros já haviam desistido pelas dificuldades que lhes impediam a passagem, eles subiram ao telhado, descobriram as telhas por cima do lugar onde o Senhor se encontrava e, depois de fazerem uma abertura, desceram o catre com o paralítico. Jesus ficou admirado com a fé e a audácia daqueles homens e realizou um grande milagre: o perdão dos pecados do doente e a cura da sua paralisia.

Comentando esta passagem, Santo Ambrósio exclama: “Como é grande o Senhor, que pelos méritos de alguns perdoa outros!”2 Os amigos que levam até o Senhor o enfermo incapacitado são um exemplo vivo de ação apostólica. Nós, cristãos, somos instrumentos do Senhor para que Ele realize verdadeiros milagres naqueles dos nossos amigos que, por tantos motivos, se encontram como que incapacitados para chegarem por si próprios até Cristo que os espera.

A tarefa apostólica deve estar dominada pela ânsia de ajudar os homens a encontrarem Jesus. Para isso é necessário, entre outras coisas, um conjunto de virtudes sobrenaturais, como as que vemos na atuação desses amigos do paralítico de Cafarnaum. São homens que têm uma grande fé no Mestre, a quem provavelmente já conheciam de outras ocasiões; talvez tivesse sido o próprio Jesus quem lhes sugerira que o levassem até Ele. E têm uma fé com obras, pois empregam os meios ordinários e extraordinários que o caso exige. São homens cheios de esperança e de otimismo, convencidos de que a única coisa de que o amigo realmente necessita é de ser levado a Jesus Cristo.

A narração do Evangelho deixa-nos entrever também nesses homens muitas virtudes humanas, igualmente necessárias em toda a ação apostólica. Antes de mais nada, são homens para quem os respeitos humanos não existem; pouco lhes importa o que os outros venham a pensar da sua atuação, que podia ser facilmente tida por exagerada, inoportuna ou ao menos diferente da dos outros que tinham ido ouvir o Mestre. Só lhes importava uma coisa: chegar até Jesus com o amigo, custasse o que custasse.

Ora, isto só é possível quando se tem uma grande retidão de intenção, quando a única coisa que realmente importa é o juízo de Deus, e nada ou muito pouco o juízo dos homens. Nós também atuamos assim? Não haverá ocasiões em que nos preocupe mais o que as pessoas possam pensar ou dizer do que o juízo de Deus? Não teremos receio de nos distinguirmos dos outros, quando Deus e os que vêem as nossas ações esperam justamente que nos distingamos fazendo aquilo que devemos fazer? Sabemos manter em público, sempre que necessário, a nossa fé e o nosso amor a Jesus Cristo?

II. OS QUATRO AMIGOS do paralítico viveram na cena que meditamos a virtude da prudência, que leva a procurar o melhor caminho para atingir um fim. Deixaram de lado a “falsa prudência”, que é chamada por São Paulo prudência da carne3, e que facilmente se identifica com a covardia, inclinando a procurar apenas o que é útil para o bem corporal, como se esse fosse o único fim da vida.

A “falsa prudência” é um disfarce da hipocrisia, da astúcia, do cálculo interesseiro e egoísta, que visa principalmente os interesses materiais. Na realidade, não é senão medo, temor, covardia, soberba, preguiça…. Se aqueles homens se tivessem deixado levar pela prudência da carne, o paralítico não teria chegado à presença de Jesus, e eles não se teriam deixado contagiar pela imensa alegria que viram brilhar no olhar do Mestre, quando lhes curou o amigo. Teriam ficado à entrada da casa abarrotada de gente, e dali nem sequer teriam ouvido Jesus.

Viveram, pois, plenamente a virtude da prudência, que é a que nos diz em cada caso o que se deve fazer ou deixar de fazer, quais os meios que conduzem ao fim que pretendemos, quando e como devemos atuar. Os amigos do paralítico conheciam bem o seu fim – chegar até o Senhor –, e lançaram mão dos meios adequados para realizá-lo: subiram ao telhado da casa, fizeram nele uma abertura e por ela desceram o paralítico no seu catre até que estivesse diante de Jesus. Não se importaram com as palavras falsamente “prudentes” dos que porventura os aconselhavam a esperar por uma ocasião mais propícia.

Estes homens de Cafarnaum foram, além disso, verdadeiros amigos daquele que não podia chegar até o Mestre por si próprio, pois “é próprio do amigo fazer bem aos amigos, principalmente aos que se encontram mais necessitados”4, e não existe maior necessidade que a necessidade de Deus. A primeira manifestação de apreço pelos nossos amigos é aproximá-los cada vez mais de Cristo, fonte de todo o bem. Não podemos contentar-nos com que não façam mal a ninguém ou não tenham um comportamento desregrado, mas devemos conseguir que, como nós, aspirem à santidade a que todos fomos chamados e para a qual Deus nos dá as graças necessárias. Não podemos fazer-lhes maior favor que o de ajudá-los no seu caminho para Deus. Não encontraremos nenhum bem maior para lhes dar.

A amizade foi desde os começos do cristianismo o caminho pelo qual muitos encontraram a fé em Jesus Cristo e a vocação para uma entrega mais plena. É um caminho natural e simples, que elimina muitos obstáculos e dificuldades. O Senhor serve-se com freqüência deste meio para se dar a conhecer. Os primeiros discípulos foram comunicar a Boa Nova àqueles que amavam, antes que a qualquer outro. André trouxe Pedro, seu irmão; Filipe trouxe o seu amigo Natanael; João certamente encaminhou para Jesus o seu irmão Tiago5. E nós, fazemos assim? Desejamos comunicar quanto antes, àqueles por quem temos mais apreço, o maior bem que podíamos ter achado?

III. PARA SER BOM INSTRUMENTO do Senhor na tarefa de recristianização do mundo, o cristão deve praticar muitas outras virtudes humanas na sua tarefa apostólica: fortaleza perante os obstáculos que se apresentam, de um modo ou de outro, em toda a ação apostólica;constância e paciência, porque as almas, tal como as sementes, às vezes demoram a dar o seu fruto, e porque não se pode conseguir em alguns dias o que talvez Deus tenha previsto que se realize em meses ou anos; audácia para iniciar uma conversa sobre temas profundos, que não surgem se não são provocados oportunamente, e também para propor metas mais altas, que os nossos amigos não vislumbram por si próprios; veracidade e autenticidade, sem as quais é impossível que haja uma verdadeira amizade…

O nosso mundo está necessitado de homens e mulheres de uma só peça, exemplares nas suas tarefas, sem complexos, serenos, profundamente humanos, firmes, compreensivos e intransigentes na doutrina de Cristo, afáveis, leais, alegres, otimistas, generosos, simples, valentes…, para que assim sejam bons colaboradores da graça, pois “o Espírito Santo serve-se do homem como de um instrumento”6, e então as suas obras ganham uma eficácia divina, tal como a ferramenta que por si própria não seria capaz de produzir nada, mas nas mãos de um bom profissional pode chegar a produzir obras-primas.

Que alegria a daqueles homens quando voltaram com o amigo são de corpo e de alma! O encontro com Cristo fortaleceu ainda mais a amizade entre eles, tal como acontece em todo o verdadeiro apostolado. Lembremo-nos de que não existe doença alguma que Cristo não possa curar, para que não consideremos irrecuperável nenhuma das pessoas com quem nos relacionamos habitualmente. Apoiados na graça, podemos e devemos levá-las ao Senhor. E o que nos impulsionará a uma fé operativa, sem respeitos humanos, será um grande amor a Cristo. Hoje, quando nos encontrarmos diante do Sacrário, não deixemos de falar ao Mestre desses amigos que desejamos levar-lhe para que Ele os cure.

(1) Mc 2, 1-12; (2) Santo Ambrósio, Tratado sobre o Evangelho de São Lucas; (3) cfr. Rom 8, 6-8; (4) São Tomás, Ética a Nicômaco, 9, 13; (5) cfr. Jo 1, 41 e segs.; (6) São Tomás, Suma Teológica, 2-2, q. 177, a. 1.

Anúncios
Esse post foi publicado em Geral. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s