Leituras de 06/02/11


Comentário a leituras do sábado: Vinde a um lugar deserto! (Mc 6, 30-34)

Pouco sabemos sobre o deserto. Em geral, pensamos nele como um inóspito areal, onde o vento e as tempestades de areia se alternam com o dia tórrido e as noites gélidas. Tememos o deserto. Quando não há ninguém à vista, somos constrangidos a olhar para nosso interior…

Quando Charles de Foucauld abandonou as luzes de Paris e mergulhou na solidão de Tamanrasset, no deserto de Marrocos, ele sabia muito bem a quem procurava. Ou melhor: Quem procurava por Charles… O deserto era o lugar do encontro definitivo com Deus. Ali, na áspera ermida de pedras, que ele ergueu com as próprias mãos, Jesus Cristo seria o absoluto, sem competidores. Joelhos dobrados diante da Hóstia consagrada, Charles se limitaria a amar e ser amado…

No Evangelho de hoje, o “deserto” significava uma rara oportunidade de descanso, longe da multidão. Mas seria também o desejado tempo de intimidade com o Mestre, quando ele ensinava os mistérios do Pai em linguagem “traduzida” (cf. Mt 13, 36), acessível, sem figuras. E o discípulo precisa do deserto. Não pode viver todo o tempo tragado pela multidão. Não pode ser arrastado pela enxurrada a que chamam de “civilização urbana”. Afinal, como dizer ao povo a Palavra de Deus, se não temos tempo para escutar o que Deus nos quer falar?

Na verdade – confessemos com toda a sinceridade -, não é só para Deus que não temos tempo. A mãe já não tem tempo para os filhos. O esposo não tem tempo para a esposa. Nem o chefe quer ser incomodado pelos subordinados. Nós estamos tão atarefados em realizar nossos projetos (e os inadiáveis projetos das empresas, aqui incluída a própria instituição eclesial!), que mais parecemos um barquinho de papel arrastado pela correnteza da sociedade…

Ouviremos a voz de Deus que nos chama ao deserto? Ouviremos o convite de amor que anseia por nossa intimidade? Seríamos capazes de desligar a TV, cancelar compromissos, rasgar a agenda?

Ou continuaremos sufocados pelo caos tecido de ruído e buzinas, rock e sirenes, respirando ao ritmo de nossos celulares? Seremos sempre dentes da engrenagem impiedosa que ocupa o coração humano, fechando-o aos apelos do amor que morre de fome ali na esquina?

No silêncio do deserto, Deus espera por nós…

Orai sem cessar: “Vou abrir um caminho em pleno deserto!” (Is 43, 19b)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.


santini@novaalianca.com.br http://www.novaalianca.com.br

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Comentário ao Evangelho do dia feito por:


Isaac o Sírio (sec. VII), monge perto de Mossul, santo das Igrejas Ortodoxas

Discursos ascéticos, 1ª série, nº 60 (a partir da trad. Touraille, DDB 1981, p. 325)

«Teve compaixão deles»

Se David apelida Deus de justo e reto, o Seu Filho revelou-nos que Ele é bom e manso. […] Longe de nós o pensamento injusto de que Deus não Se compadece. […] Como é admirável a compaixão de Deus! Quão maravilhosa é a graça de Deus nosso Criador, tão poderosa que tudo sofre! Que bondade incomensurável, da qual Ele investe a nossa natureza de pecadores para a recrearmos. Que dizer da Sua glória? Ele perdoa quem O ofendeu e blasfemou, Ele renova esta poeira sem alma […], e faz do nosso espírito disperso e dos nossos sentidos extraviados uma natureza dotada de razão e capaz de pensar. O pecador não está em condições de compreender a graça da sua ressurreição. […] O que é a geena face à ressurreição, quando Ele nos erguer da condenação, concedendo a este corpo perecível a graça de se revestir de incorruptibilidade? (1Cor 15, 53). […]

Vós que tendes discernimento, vinde e admirai. Quem é aquele que, dotado de uma inteligência sábia e maravilhosa, admira a graça do nosso Criador como ela merece? Esta graça é a retribuição dos pecadores. Porque, em vez do que eles merecem com toda a justiça, Ele dá-lhes a Sua ressurreição. Em vez de corpos que profanaram a Sua Lei, Ele reveste-os da glória da incorruptibilidade. Esta graça – a ressurreição que nos é dada depois de termos pecado – é maior que a primeira, que nos deu quando nos criou, enquanto não existíamos. Glória à Tua graça incomensurável, Senhor! Apenas me posso calar face às vagas da Tua graça. Sou incapaz de Te dizer a gratidão que Te devo.

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ANO LITÚRGICO “A” – V SEMANA DO TEMPO COMUM

Domingo, 6 de fevereiro de 2011

Verde – Glória – Creio – I Semana do Saltério

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Antífona: Entrai, inclinai-vos e protrai-vos: adoremos o Senhor que nos criou, pois ele é o nosso Deus (Sl 94,6s).

Oração do Dia: Velai, ó Deus, sobre a vossa família com incansável amor; e, como só confiamos na vossa graça, guardai-nos sob a vossa proteção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.


Primeira Leitura: Isaías 58, 7-10

Leitura do livro do profeta Isaías:

58 7 É repartir seu alimento com o esfaimado, dar abrigo aos infelizes sem asilo, vestir os maltrapilhos, em lugar de desviar-se de seu semelhante.
8 Então tua luz surgirá como a aurora, e tuas feridas não tardarão a cicatrizar-se; tua justiça caminhará diante de ti, e a glória do Senhor seguirá na tua retaguarda.

9 Então às tuas invocações, o Senhor responderá, e a teus gritos dirá: “Eis-me aqui!” Se expulsares de tua casa toda a opressão, os gestos malévolos e as más conversações;

10 se deres do teu pão ao faminto, se alimentares os pobres, tua luz levantar-se-á na escuridão, e tua noite resplandecerá como o dia pleno.

Palavra do Senhor.

Graças a Deus!


Salmo Responsorial: 112/111

Uma luz brilha nas trevas para o justo,
permanece para sempre o bem que fez.

Ele é correto, generoso e compassivo,
como luz brilha nas trevas para os justos.
Feliz o homem caridoso e prestativo,
que resolve seus negócios com justiça.

Porque jamais vacilará o homem reto,
sua lembrança permanece eternamente!
Ele não teme receber notícias más:
confiando em Deus, seu coração está seguro.

Seu coração está tranqüilo e nada teme.
Ele reparte com os pobres os seus bens,
permanece para sempre o bem que fez
e crescerão a sua glória e seu poder.

Segunda Leitura: 1ª Coríntios 2, 1-5

Leitura da primeira carta de são Paulo aos Coríntios:

21 Também eu, quando fui ter convosco, irmãos, não fui com o prestígio da eloqüência nem da sabedoria anunciar-vos o testemunho de Deus.

2 Julguei não dever saber coisa alguma entre vós, senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado.

3 Eu me apresentei em vosso meio num estado de fraqueza, de desassossego e de temor.

4 A minha palavra e a minha pregação longe estavam da eloqüência persuasiva da sabedoria; eram, antes, uma demonstração do Espírito e do poder divino,

5 para que vossa fé não se baseasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.

Palavra do Senhor.

Graças a Deus!

Evangelho: Marcos 5, 13-16


Aleluia, aleluia, aleluia.

Pois eu sou a luz do mundo, quem nos diz nos diz é o Senhor; e vai ter a luz da vida quem se faz meu seguidor (Jo 8,12).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos:

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos 513 “Vós sois o sal da terra. Se o sal perde o sabor, com que lhe será restituído o sabor? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e calcado pelos homens.
14 Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha

15 nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa.

16 Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus”.

Palavra da Salvação.

Glória a Vós, Senhor!

Sal da terra… (Mt 5, 13-16)

Sal, luz, cidade. Jesus escolhe palavras simples e comuns para anunciar uma mensagem ao alcance de todos. Em vão iríamos procurar entre suas palavras aqueles termos empolados que os teólogos gostam de empregar: parusia, kênosis, éschaton. É claro, o povo agradece…

Aliás, é um bom teólogo que nos chama a atenção para o alcance das palavras de Jesus neste Evangelho. Quando o Mestre nos diz: “Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo… Não é possível ocultar a cidade na montanha…”, Jesus fala daquilo que devemos ser. Mais que uma forma indicativa, trata-se de uma forma optativa: escolha ser aquilo que você deve ser! Foi para isso que você veio ao mundo!

Hans Urs von Balthasar – o teólogo em questão – afirma que as três imagens adotadas por Jesus deviam ser evidentes para nós: o sal não salga para si mesmo, ele existe para temperar os outros alimentos. A luz não ilumina a si mesma, ela existe para iluminar o ambiente à sua volta. E se a cidade é elevada aos altos do rochedo, é para que os caminhantes possam orientar-se por ela e encontrar o rumo. “O privilégio de cada um consiste na possibilidade de oferecer alguma coisa aos outros seres.”

De fato, quem “tempera” a vida de seus irmãos, é sal para eles. Quem ilumina as trevas de seu próximo, torna-se foco de luz. Quem mostra o caminho ao companheiro, é uma cidade no cume do monte.

Jesus teve o cuidado de chamar nossa atenção para a finalidade de nossas ações. Ele sabia do risco implícito em toda boa ação: a fama de ser bom, a máscara diante dos outros, os elogios e homenagens aos beneméritos. E mais: a expectativa de receber alguma forma de retribuição da parte de nossos beneficiados, bem como a mágoa e o ressentimento quando não acontece a retribuição…

Por isso mesmo, Jesus nos declara: “Assim brilhe a vossa luz, para que vejam as vossas boas obras e… glorifiquem vosso Pai que está nos céus”. (Cf. v. 1.) O que está em questão é a glória de Deus. Se chegamos a realizar algum bem, foi o Espírito de Deus quem agiu em nós. Depois de tudo, ao fim da estrada, nós continuamos a ser os “servos inúteis” dos quais fala outro Evangelho. Não fizemos mais do que nossa obrigação.

Certamente, todos nós conhecemos pessoas que foram sal: humildes e escondidas na massa do pão, mas acentuando o seu sabor. Gente que parecia oculta na sombra das coisas mais simples, mas foi luz para os mais próximos. E aqueles que ocuparam altos postos – cidades na montanha -, mas nunca viveram para si mesmos.

Diante deste Evangelho, como evitar um exame de consciência?

Orai sem cessar: “Em vós está a fonte da vida, e é na vossa luz que vemos a luz.” (Sl 36, 10).

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.


santini@novaalianca.com.br http://www.novaalianca.com.br

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Comentário ao Evangelho do dia feito por:

Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
Something Beautiful for God (a partir da trad. La joie du don, Seuil, 1975, p. 31)

«Brilhe a vossa luz diante dos homens»

Os cristãos são para os outros (para os homens do mundo inteiro) como a luz. Se somos cristãos, devemos ser parecidos com Cristo.

Se quereis aprender a ser assim, a arte da atenção far-vos-á ser cada vez mais como Cristo, que tinha o coração humilde e estava sempre atento às necessidades dos homens. Nesta atenção para com os outros dá-se início a uma grande santidade, e, para ser bela, a nossa vocação deve estar cheia dessa atenção. Por onde Jesus passou, só fez o bem. E em Caná a Virgem Maria só pensou nas necessidades dos outros e no modo de o dizer a Jesus.

O cristão é um tabernáculo do Deus vivo. Ele criou-me, escolheu-me e veio morar em mim porque de mim teve necessidade. E, agora que já aprenderam quanto Deus vos ama, o que haverá de mais natural do que passar o resto da vossa vida a resplandecer com esse amor? Ser verdadeiramente cristão é acolher Cristo de verdade e assim vir a ser outro Cristo; é amar como somos amados, como Cristo nos amou na Cruz.

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