Leituras de 13/02/11


ANO LITÚRGICO “A” – VI SEMANA DO TEMPO COMUM

Domingo, 13 de fevereiro de 2011

Verde – Glória – Creio – II Semana do Saltério

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Antífona: Sede o rochedo que me abriga, a casa bem defendida que me salva. Sois minha fortaleza e minha rocha; para honra do vosso nome, vós me conduzis e alimentais (Sl 30,3s).

Oração do Dia: Ó Deus, que prometestes permanecer nos corações sinceros e retos, dai-nos, por vossa graça, viver de tal modo, que possais habitar em nós. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.


Primeira Leitura: Eclesiástico 15, 16-21

Leitura do livro do Eclesiástico:

15 16 Se quiseres guardar os mandamentos, e praticar sempre fielmente o que é agradável (a Deus), eles te guardarão.

17 Ele pôs diante de ti a água e o fogo: estende a mão para aquilo que desejares.

18 A vida e a morte, o bem e o mal estão diante do homem; o que ele escolher, isso lhe será dado,

19 porque é grande a sabedoria de Deus. Forte e poderoso, ele vê sem cessar todos os homens.

20 Os olhos do Senhor estão sobre os que o temem, e ele conhece todo o comportamento dos homens.

21 Ele não deu ordem a ninguém para fazer o mal, e a ninguém deu licença para pecar;

Palavra do Senhor.

Graças a Deus!

Salmo Responsorial: 119/118

Feliz o homem sem pecado em seu caminho,
Que na lei do Senhor Deus vai progredindo

Feliz o homem sem pecado em seu caminho,
que na lei do Senhor Deus vai progredindo!
Feliz o homem que observa seus preceitos
e de todo o coração procura a Deus!

Os vossos mandamentos vós nos destes,
para serem fielmente observados.
Oxalá seja bem firme a minha vida
em cumprir vossa vontade e vossa lei!

Sede bom com vosso servo, e viverei,
e guardarei vossa palavra, ó Senhor.
Abri meus olhos, e então contemplarei
as maravilhas que encerra a vossa lei!

Ensinai-me a viver vossos preceitos;
quero guardá-los fielmente até o fim!
Dai-me o saber, e cumprir a vossa lei,
e de todo o coração a guardarei.

Segunda Leitura: 1ª Coríntios 2, 6-10

Leitura da primeira carta de são Paulo aos Coríntios:

Irmãos, 26 entretanto, o que pregamos entre os perfeitos é uma sabedoria, porém não a sabedoria deste mundo nem a dos grandes deste mundo, que são, aos olhos daquela, desqualificados.

7 Pregamos a sabedoria de Deus, misteriosa e secreta, que Deus predeterminou antes de existir o tempo, para a nossa glória.

8 Sabedoria que nenhuma autoridade deste mundo conheceu (pois se a houvessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória).

9 É como está escrito: “Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou”, tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam.

10 Todavia, Deus no-las revelou pelo seu Espírito, porque o Espírito penetra tudo, mesmo as profundezas de Deus.

Palavra do Senhor.

Graças a Deus!

Evangelho: Mateus 5, 17-37 ou 20-22.27-28.33-34.37

Aleluia, aleluia, aleluia.

Eu te louvo, ó Pai santo, Deus do céu, Senhor da terra: os mistérios do teu reino aos pequenos, Pai, revelas (Mt 11,25).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus:

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 517 “Não julgueis que vim abolir a lei ou os profetas. Não vim para os abolir, mas sim para levá-los à perfeição.

18 Pois em verdade vos digo: passará o céu e a terra, antes que desapareça um jota, um traço da lei.

19 Aquele que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar assim aos homens, será declarado o menor no Reino dos céus. Mas aquele que os guardar e os ensinar será declarado grande no Reino dos céus.

20 Digo-vos, pois, se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos céus.

21 Ouvistes o que foi dito aos antigos: ´Não matarás, mas quem matar será castigado pelo juízo do tribunal´.

22 Mas eu vos digo: todo aquele que se irar contra seu irmão será castigado pelos juízes. Aquele que disser a seu irmão: ´Raca´, será castigado pelo Grande Conselho. Aquele que lhe disser: ´Louco´, será condenado ao fogo da geena.

23 Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti,

24 deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua oferta.

25 Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão.

26 Em verdade te digo: dali não sairás antes de teres pago o último centavo.
27 Ouvistes que foi dito aos antigos: ´Não cometerás adultério´.

28 Eu, porém, vos digo: todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração.

29 Se teu olho direito é para ti causa de queda, arranca-o e lança-o longe de ti, porque te é preferível perder-se um só dos teus membros, a que o teu corpo todo seja lançado na geena.

30 E se tua mão direita é para ti causa de queda, corta-a e lança-a longe de ti, porque te é preferível perder-se um só dos teus membros, a que o teu corpo inteiro seja atirado na geena.

31 Foi também dito: ´Todo aquele que rejeitar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio´.

32 Eu, porém, vos digo: todo aquele que rejeita sua mulher, a faz tornar-se adúltera, a não ser que se trate de matrimônio falso; e todo aquele que desposa uma mulher rejeitada comete um adultério.

33 Ouvistes ainda o que foi dito aos antigos: ´Não jurarás falso, mas cumprirás para com o Senhor os teus juramentos´.

34 Eu, porém, vos digo: não jureis de modo algum, nem pelo céu, porque é o trono de Deus;

35 nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei.

36 Nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes fazer um cabelo tornar-se branco ou negro.

37 Dizei somente: ´Sim´, se é sim; ´não´, se é não. Tudo o que passa além disto vem do Maligno.

Palavra da Salvação.

Glória a Vós, Senhor!

Eu, porém, vos digo… (Mt 5, 17-37)

Se alguém deseja permanecer em Aliança com Deus, deve corresponder a suas atitudes e a seu pensamento, afirma H. Urs von Balthasar. Uma “tradução” muito particular dos mandamentos divinos pode acabar como verdadeira “traição”.

Neste Evangelho, se à primeira vista Jesus parece afastar-se da antiga Lei, na verdade ele remete seus ouvintes para o sentido profundo dos mandamentos do Sinai. Apertando as carrapetas, acrescendo as exigências, Jesus nos reconduz ao coração da Lei.

Todo o texto se articula entre dois polos: “Ouvistes…” X “Eu, porém, vos digo…” E o alvo final não podia ser mais exigente: “Sede perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito!” (Mt 5, 48) Este grau de perfeição não admite meias-tintas, meias medidas, mas aponta para a imagem divina já iniciada em cada batizado, tarefa a ser continuada ao longo de toda uma vida.

Certamente, os ouvintes de Jesus alimentaram graves suspeitas diante dessa pregação. Será que o Galileu pretende mesmo abolir a Lei de Moisés? Trocar a Antiga Aliança por alguma novidade? Ora, a Nova Aliança vem exatamente retirar os véus que cobriam a arca e a Lei aos olhos humanos. Jesus aponta para as verdadeiras intenções do Pai e para as extremas consequências da Antiga Lei. Nesta, já estava adormecida a “novidade” que Jesus traz à luz.

Ainda é von Balthasar quem fala de nossa negligência, nosso “conforto minimalista”, que cobriu de poeira o verdadeiro sentido da Lei de Deus, tentando amenizar suas propostas. Afinal, qual o limite para o amor ao próximo? Ao longo de quantos centímetros da fita métrica podemos alimentar pequenos ódios contra nosso irmão? Que palavras ofensivas – das mais leves, claro – podemos lançar contra o próximo? Por quantos segundos estamos autorizados a olhar com cupidez o corpo da mulher que passa? Vãs tentativas de ficar no meio do caminho: amar, mas não muito; servir, mas não muito; ceder, mas até certo ponto; perdoar, mas não tanto…

Claro que, para Deus, nunca terá existido qualquer oposição entre a fé de Abraão e a Lei do Sinai. “Observar os mandamentos de Deus é a mesma coisa que a obediência da fé; é isto que os fariseus e os escribas não tinham entendido em sua justiça, e por isso mesmo sua ‘justiça’ deve ser superada na direção de Abraão e, ainda mais profundamente, na direção de Jesus.” (H. U. von Balthasar)

É preciso voltar ao Calvário e contemplar o Crucificado para entender a “medida” do amor. A quem queremos servir? A nós mesmos, nossas preferências, comodidades e facilidades? Ou estamos dispostos a fazer acima de tudo a vontade do Pai.

Jesus respondeu a isto com o dom de sua própria vida…

Orai sem cessar: “Mostrai-me, Senhor, o caminho de vossas leis!” (Sl 119, 33)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

santini@novaalianca.com.br www.novaalianca.com.br

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Comentário ao Evangelho do dia feito por:

Santo Ireneu de Lyon (c. 130-v. 208), bispo, teólogo e mártir
Contra as heresias IV, 13, 3 (a partir da trad. SC 100, p. 525s rev)

A Lei enraizada nos nossos corações

Há certos preceitos naturais da Lei que são já de justiça; mesmo antes da dádiva da Lei a Moisés, os homens observavam esses preceitos, eram justificados pela sua fé e agradavam a Deus. O Senhor não aboliu esses preceitos, antes os alargou e os cumpriu, como provam as seguintes palavras: «Foi dito aos antigos: não cometerás adultério. Mas eu digo-vos: todo aquele que olhar para uma mulher, desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração». E ainda «Foi dito: não matarás. Eu, porém, digo-vos: quem se irritar contra o seu irmão sem motivo será réu perante o tribunal» (Mt 5, 21ss.). […] E por aí adiante. Nenhum destes preceitos implica a contradição nem a abolição dos anteriores, mas o seu cumprimento e o seu alargamento. Como o próprio Senhor o diz: «Se a vossa justiça não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, não entrareis no Reino do Céu» (Mt 5, 20).

Em que consistia essa superação? Em primeiro lugar, em crer, não apenas no Pai, mas também no Seu Filho doravante manifestado, pois é Ele que leva o homem à comunhão e à união com Deus. Em seguida, não apenas em dizer, mas em fazer – pois «eles diziam e não faziam» (Mt 23, 3) — e em evitar, não apenas atos maus, mas também o fato de os desejar. Com este ensinamento, Ele não contradizia a Lei, antes a cumpria e enraizava em nós os preceitos da Lei. […] O preceito de nos abstermos, não só dos atos proibidos pela Lei, mas também do desejo de os praticar não provém de alguém que contradiz e abole a Lei; mas sim d’Aquele que a cumpre e alarga.

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TEMPO COMUM. SEXTO DOMINGO. CICLO A

43. FIRMES NA FÉ

Por Francisco Fernández-Carvajal, sacerdote

– O depósito da fé. Um tesouro que é recebido por cada geração das mãos da Igreja.

– Evitar tudo o que atenta contra a virtude da fé.

– Prudência nas leituras.

I. O SENHOR diz no Evangelho da Missa1 que Ele não veio destruir a antiga Lei, mas dar-lhe a sua plenitude; restaura, aperfeiçoa e eleva a uma ordem superior os preceitos do Antigo Testamento.

A doutrina de Jesus Cristo tem um valor perene para os homens de todos os tempos e é “fonte de toda a verdade salvífica e de toda a norma de conduta”2. É um tesouro que cada geração recebe das mãos da Igreja, que o guarda fielmente com a assistência do Espírito Santo e o expõe com autoridade. “Ao aderirmos à fé que a Igreja nos propõe, pomo-nos em comunicação direta com os Apóstolos […]; e através deles com Jesus Cristo, nosso primeiro e único Mestre; vamos à sua escola, anulamos a distância de séculos que nos separa deles”3. Graças a este Magistério vivo podemos dizer, de certo modo, que o mundo inteiro recebeu a doutrina dos lábios de Cristo e se converteu na Galiléia: toda a terra é Jericó e Cafarnaum, a humanidade está às margens do lago de Genesaré4.

A conservação fiel das verdades da fé é necessária à salvação dos homens. Que outra verdade pode salvar senão a verdade de Cristo? Que “nova verdade” pode ter interesse – nem que seja a do mais sábio dos homens –, se se afasta do ensinamento do Mestre? Quem se atreverá a interpretar ao seu gosto, mudar ou acomodar a Palavra divina? Por isso o Senhor nos adverte hoje: Aquele que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar assim aos homens, será declarado o menor do reino dos céus.

São Paulo exortava Timóteo com estas palavras: Guarda o depósito que te foi confiado, evitando as vaidades ímpias e as contradições da falsa ciência que alguns professam, extraviando-se da fé5. Com essa expressão – depósito –, a Igreja continua a designar o conjunto de verdades que recebeu do próprio Cristo e que há de conservar até o fim dos tempos.

A verdade da fé “não muda com o tempo, não se desgasta através da história; poderá admitir e mesmo exigir uma vitalidade pedagógica e pastoral própria da linguagem, e assim descrever uma linha de desenvolvimento, mas sempre segundo a conhecidíssima sentença tradicional de São Vicente de Lérins […]: Quod ubique, quod semper, quod ab omnibus: «Aquilo que em toda a parte, aquilo que sempre, aquilo que por todos» foi crido, isso deve ser preservado como elemento integrante do depósito da fé […]. Esta fixação dogmática defende o patrimônio autêntico da religião católica. O Credo não muda, não envelhece, não se desfaz”6. É a coluna firme que não admite concessões, nem sequer em pormenores, ainda que por temperamento se esteja inclinado a transigir: “Aborrece-te ferir, criar divisões, demonstrar intolerâncias…, e vais transigindo em atitudes e pontos – não são graves, garantes! – que trazem conseqüências nefastas para tantos. – Perdoa a minha sinceridade: com esse modo de proceder, cais na intolerância – que tanto te aborrece – mais néscia e prejudicial: a de impedir que a verdade seja proclamada”7.

II. O CRISTÃO, LIBERTADO de toda a tirania do pecado, sente-se impelido pela nova Lei de Cristo a comportar-se como um filho diante de seu Pai-Deus. As normas morais deixam então de ser meros sinais indicadores dos limites entre o permitido e o proibido, para passarem a ser manifestações do caminho que conduz a Deus, manifestações de amor.

Devemos conhecer bem e proteger cuidadosamente esse conjunto de verdades e preceitos que constituem o depósito da fé, pois é o tesouro que o Senhor nos entrega através da Igreja para que possamos alcançar a nossa salvação. E protegemo-lo especialmente quando fomentamos a piedade pessoal (a oração e os sacramentos), quando nos propomos alcançar uma séria formação doutrinal, adequada a cada um, e também quando somos prudentes nas leituras.

Todos acham razoável que, por exemplo, numa matéria de física ou de biologia, se recomendem determinados textos, se desaconselhe o estudo de outros e se declare inútil ou mesmo prejudicial a leitura desta ou daquela publicação a quem esteja realmente interessado em adquirir uma séria formação científica. Não falta, no entanto, quem se espante de que a Igreja reafirme a sua doutrina sobre a necessidade de se evitarem certas leituras que seriam danosas para a fé ou para a moral, e exerça o seu direito e o seu dever de examinar, julgar e, em casos extremos, reprovar os livros contrários à verdade religiosa8. A raiz desse assombro infundado poderia estar numa certa deformação do sentido da verdade, que admitiria um magistério no campo científico, mas consideraria impossível emitir mais do que meras opiniões no âmbito das verdades religiosas.

Ao avivarmos agora nestes minutos de oração a nossa disposição de ser fiéis ao depósito da revelação, lembremo-nos ao mesmo tempo de que a própria lei natural, inscrita por Deus em nossos corações, nos impele interiormente a dar todo o valor aos dons do Céu e conseqüentemente “obriga a evitar na medida do possível tudo o que atente contra a virtude da fé”9, tal como nos pede, por exemplo, que conservemos a vida física. Por isso, “seria um pecado pôr voluntariamente em perigo a fé com leituras perniciosas sem um motivo justificado, ainda que atualmente não se incorra em nenhuma pena eclesiástica”10.

Após uma longa experiência de estudo e de convívio com autores pagãos, São Basílio recomendava: “Deveis, pois, seguir à risca o exemplo das abelhas. Porque estas não param em qualquer flor nem se esforçam por levar tudo o que lhes oferecem as flores em que pousam no seu vôo, mas, depois de tomarem o conveniente para o seu fim, deixam o resto em paz. Também nós, se formos prudentes, extrairemos dos autores o que nos convenha e mais se pareça à verdade, e deixaremos de lado o restante. E assim como, ao colhermos a flor da roseira, fugimos dos espinhos, assim, ao pretendermos tirar o maior fruto possível de tais escritos, tomaremos cuidado com o que possa prejudicar os interesses da alma”11.

III. FELIZES AQUELES cuja vida é pura e que seguem a lei do Senhor. Felizes os que guardam com esmero os seus preceitos e o procuram de todo o coração12, diz o Salmo responsorial, avivando a nossa disposição de seguir fielmente o Senhor.

A fé é o nosso maior tesouro e não podemos expor-nos a perdê-la ou a deixar que se deteriore. Não há nada que valha a pena em comparação com a fé. Um dos nossos maiores desejos deve ser instruirmo-nos mais nela e vê-la respeitada – e não atacada ou minada – em tudo o que lemos, sem pensar que já temos suficiente formação para não nos deixarmos influenciar pelas idéias errôneas ou preconceituosas. A história testemunha de forma evidente que, mesmo que se possuam todas as condições de piedade e de doutrina, não é raro que o cristão se deixe seduzir pela parte de verdade ou pela aparência de verdade que sempre há em todos os erros13.


Mostrai-me, Senhor, o caminho das vossas leis

[…]. Ensinai-me a cumprir a vossa vontade, continuamos a dizer a Jesus com palavras do Salmo responsorial14. E Ele, através de uma consciência bem formada, animar-nos-á a ser humildes e a procurar nas nossas leituras um assessoramento com garantias, se devemos estudar questões científicas, humanísticas, literárias, etc. que possam infeccionar o nosso pensamento.

Se permanecermos bem junto de Cristo, se soubermos dar todo o seu valor ao dom da fé, andaremos sem falsos complexos, com naturalidade, sem o prurido superficial de “estar atualizados”, tal como se têm comportado sempre muitos intelectuais cristãos: professores, pesquisadores, etc. Se formos humildes e prudentes, se tivermos “senso comum”, não seremos “como os que tomam o veneno misturado com mel”15.

Fiéis ao ensinamento do Evangelho e do Magistério da Igreja, necessitamos de uma formação que nos permita apreciar o que se pode encontrar de válido na diversas manifestações da cultura – pois o cristão deve estar sempre aberto a tudo o que é verdadeiramente positivo –, ao mesmo tempo que detectamos o que é contrário a uma visão cristã da vida.

Peçamos à Santíssima Virgem, Sede da Sabedoria, esse discernimento no estudo, nas leituras e em todo o âmbito das idéias e da cultura. Peçamos-lhe também que nos ensine a valorizar e amar cada vez mais o tesouro da nossa fé.

(1) Mt 5, 17-37; (2) Conc. Vat. II, Const. Dei Verbum, 7; (3) Paulo VI, Alocução, 1-III-1967; (4) cfr. P. Rodríguez, Fe y vida de fe, pág. 113; (5) 1 Tim 6, 20-21; (6) Paulo VI, Audiência geral, 29-IX-1976; (7) São Josemaría Escrivá, Sulco, n. 600; (8) cfr. Código de direito canônico, can. 822-823; (9) J. Mausbach e G. Ermecke, Teologia Moral Católica, EUNSA, Pamplona, 1974, vol. II, pág. 108; (10) cfr. ib.; (11) São Basílio, Como ler a literatura pagã, pág. 43; (12) Sl 118, 1-2; (13) cfr. Pio XI, Const. Apost. Deus scientiarum Dominus, 24-V-1931; AAS 23 (1931), págs. 245-246; (14) Sl 118, 34; (15) São Basílio, op. cit.

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