Leituras de 15/02/11


ANO LITÚRGICO “A” – VI SEMANA DO TEMPO COMUM

Terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Verde – Ofício do Dia

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Antífona: Sede o rochedo que me abriga, a casa bem defendida que me salva. Sois minha fortaleza e minha rocha; para honra do vosso nome, vós me conduzis e alimentais (Sl 30,3s).

Oração do Dia: Ó Deus, que prometestes permanecer nos corações sinceros e retos, dai-nos, por vossa graça, viver de tal modo, que possais habitar em nós. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Primeira Leitura: Gênesis 6, 5-8; 7, 1-5.10

Leitura do livro do Gênesis:

6 5 O Senhor viu que a maldade dos homens era grande na terra, e que todos os pensamentos de seu coração estavam continuamente voltados para o mal. 6 O Senhor arrependeu-se de ter criado o homem na terra, e teve o coração ferido de íntima dor.

7 E disse: “Exterminarei da superfície da terra o homem que criei, e com ele os animais, os répteis e as aves dos céus, porque eu me arrependo de os haver criado.”

8 Noé, entretanto, encontrou graça aos olhos do Senhor.

7 1 O Senhor disse a Noé: “Entra na arca, tu e toda a tua casa, porque te reconheci justo diante dos meus olhos, entre os de tua geração.

2 De todos os animais puros tomarás sete casais, machos e fêmeas, e de todos animais impuros tomarás um casal, macho e fêmea;

3 das aves do céu igualmente sete casais, machos e fêmeas, para que se conserve viva a raça sobre a face de toda a terra.

4 Dentro de sete dias farei chover sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites, e exterminarei da superfície da terra todos os seres que eu fiz.”

5 Noé fez tudo o que o Senhor lhe tinha ordenado.

10 Passados os sete dias, as águas do dilúvio precipitaram-se sobre a terra.

Palavra do Senhor.

Graças a Deus!

Salmo Responsorial: 29/28

Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!

Filhos de Deus, tributai ao Senhor,

tributai-lhe a glória e o poder!

Dai-lhe a glória devida ao seu nome;

adorai-o com santo ornamento.

Eis a voz do Senhor sobre as águas,

sua voz sobre as águas imensas!

Eis a voz do Senhor com poder!

Eis a voz do Senhor majestosa.

Sua voz no trovão reboando!

No seu templo os fiéis bradam: “Glória!”

É o Senhor que domina os dilúvios,

o Senhor reinará para sempre!

Evangelho: Marcos 8, 14-21

Aleluia, aleluia, aleluia.

Quem me ama, realmente, guardará minha palavra e meu Pai o amará, e a ele nós viremos (Jo 14,2).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos:

Naquele tempo, os discípulos 814 “haviam esquecido de levar pães consigo. Na barca havia um único pão.

15 Jesus advertiu-os: “Abri os olhos e acautelai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes!”

16 E eles comentavam entre si que era por não terem pão.

17 Jesus percebeu-o e disse-lhes: “Por que discutis por não terdes pão? Ainda não tendes refletido nem compreendido? Tendes, pois, o coração insensível?

18 Tendo olhos, não vedes? E tendo ouvidos, não ouvis? Não vos lembrais mais?

19 Ao partir eu os cinco pães entre os cinco mil, quantos cestos recolhestes cheios de pedaços?” Responderam-lhe: “Doze”.

20 “E quando eu parti os sete pães entre os quatro mil homens, quantos cestos de pedaços levantastes?” “Sete”, responderam-lhe.

21 Jesus disse-lhes: “Como é que ainda não entendeis?”

Palavra da Salvação.

Glória a Vós, Senhor!

O fermento dos fariseus… (Mc 8, 14-21)

Durante a travessia do lago, Jesus dá um alerta aos discípulos: “Cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes!” Isto equivale a dizer: “Mantenham distância! Cuidado com o seu poder de corrupção! Não se exponham!”

Na Bíblia (com uma única exceção, creio eu: Lc 13, 21), a imagem do fermento é símbolo do mal e da impureza espiritual. Tanto que, na véspera da Páscoa, as famílias judaicas deviam pesquisar toda a casa à procura de fermento velho a ser descartado (cf. Ex 12, 15.19). A hipocrisia dos fariseus “azedava a massa”, o povo de Israel que Jesus via como “ovelhas sem pastor”.

Eis o interessante comentário da Bíblia de Navarra: “Aqui, a palavra ‘fermento’ é utilizada no sentido de ‘má disposição’. Com efeito, na elaboração do pão, como é sabido, o fermento é que faz levedar a massa. A hipocrisia farisaica e a vida dissoluta de Herodes, que só se movia por ambições pessoais, eram o ‘fermento’ que contagiava a partir de dentro a ‘massa’ de Israel, para acabar por corrompê-la. Jesus quer prevenir seus discípulos contra esses perigos, e fazê-los compreender que, para receber sua doutrina, se necessita de um coração puro e simples”.

Hoje também há “fermentos” por aí afora, azedando a vida da Igreja. Penso em teólogos que propõem interpretações da Bíblia de cunho racionalista, baseados apenas em palpites pessoais ou na ideologia de seu grupo acadêmico. Penso em moralistas que, com a intenção de “modernizar” a Igreja, assumem posições subjetivas, pragmáticas, mas que ferem frontalmente a tradição apostólica e a herança judaico-cristã. Penso em pregadores que usam (e abusam!) de seu púlpito para incitar o povo contra os ricos e semear o ódio entre as classes.

O Apóstolo Paulo não precisou fazer muito esforço para adivinhar esta situação: “O Espírito diz expressamente que, nos tempos vindouros, alguns hão de apostatar da fé, dando ouvidos a espíritos embusteiros e a doutrinas diabólicas, de hipócritas e impostores […].” (1Tm 4, 1-2.) E alerta aos Gálatas com a mesma força: “Ainda que alguém – nós ou um anjo baixado do céu- vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema!” (Gl 1, 8.)

Ao ler livros e ver filmes que caluniam a Igreja, ao ouvir pregadores heréticos, nós nos expomos ao “fermento” do mal. Teremos a imprudência de correr o risco da intoxicação por esses fermentos?

Orai sem cessar: “Detesto os corações divididos

e amo a tua lei, Senhor!” (Sl 119 [118], 113)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

santini@novaalianca.com.br http://www.novaalianca.com.br

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Comentário ao Evangelho do dia feito por:


São João da Cruz (1542-1591), carmelita, Doutor da Igreja
A Subida ao Monte Carmelo, II, 3 (a partir da trad. OC, Cerf 1990, p. 637 rev.)

«Não vedes? Ainda não compreendeis?»

Dizem os teólogos que a fé é um hábito da alma ao mesmo tempo seguro e obscuro. E é obscuro porque nos propõe verdades reveladas sobre o próprio Deus que ultrapassam qualquer luz natural e excedem toda a compreensão humana, seja ela qual for. Daí decorre que a luz excessiva dada pela fé se transforma para a alma em profundas trevas. Como sabemos, qualquer força superior supera e enfraquece uma que lhe seja inferior; desse modo, o sol eclipsa todas as luzes restantes, ao ponto de, quando ele resplandece, todas as outras não parecerem propriamente luzes. Para além do mais, quando está no zênite, o seu brilho ultrapassa por completo a nossa capacidade visual até nos ofuscar em vez de nos fazer ver, devido a tornar-se excessivo e desproporcionado à nossa visão. O mesmo se passa com a luz da fé, que pelo seu prodigioso excesso abate e enfraquece a luz do intelecto.

Tomemos outro exemplo: suponhamos uma pessoa cega de nascença que, por isso mesmo, não conhece as cores. Ao esforçarmo-nos por fazer-lhe compreender o branco ou o amarelo, bem podemos dar explicação atrás de explicação que ela não retirará delas qualquer conhecimento direto, porque nunca viu as cores, cujo nome será a única coisa que ela reterá no espírito, através do ouvido. O mesmo se passa com a fé em relação à alma: a fé diz-nos coisas que nunca vimos nem conhecemos e a respeito das quais não possuímos a mais pequena réstia de conhecimento natural, mas retemo-las através do ouvido, crendo no que nos é ensinado e ofuscando em nós a luz natural. Com efeito, como nos diz São Paulo, «a fé surge da pregação» (Rom 10, 17). É como se ele nos dissesse: a fé não é uma ciência que reconhecemos pelos sentidos, mas um consentimento da alma que entra em nós pelo ouvido. Torna-se então evidente que a fé é para a alma uma noite escuríssima, mas é precisamente com a sua escuridão que ela ilumina: quanto mais a mergulha nas trevas, mais lhe faz brilhar a sua luz. Assim sendo, é ofuscando que ela alumia, segundo as palavras de Isaías: «se não acreditardes, não compreendereis» (7, 9).

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