Leituras de 03/03/11


ANO LITÚRGICO “A” – VIII SEMANA DO TEMPO COMUM

Quinta-feira, 03 de março de 2011

Verde – Ofício do Dia

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Antífona: O Senhor se tornou o meu apoio, libertou-me da angústia e me salvou porque me ama (Sl 17,19s).

Oração do Dia: Fazei, ó Deus, que os acontecimentos deste mundo decorram na paz que desejais e vossa Igreja voz possa servir alegre e tranquila. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Primeira Leitura: Eclesiástico 42, 15-26

Leitura do livro do Eclesiástico:

4215 Relembrarei agora as obras do Senhor, proclamarei o que vi. Pelas palavras do Senhor foram produzidas as suas obras.

16 O sol contempla todas as coisas que ilumina; a obra do Senhor está cheia de sua glória.

17 Porventura não fez o Senhor com que seus santos proclamassem todas as suas maravilhas, maravilhas que ele, o Senhor todo-poderoso, consolidou, a fim de que subsistam para a sua glória?

18 Ele sonda o abismo e o coração humano, e penetra os seus pensamentos mais sutis,

19 pois o Senhor conhece tudo o que se pode saber. Ele vê os sinais dos tempos futuros, anuncia o passado e o porvir, descobre os vestígios das coisas ocultas.

20 Nenhum pensamento lhe escapa, nenhum fato se esconde a seus olhos.
21 Ele enalteceu as maravilhas de sua sabedoria, ele é antes de todos os séculos e será eternamente.

22 Nada se pode acrescentar ao que ele é, nem nada lhe tirar; não necessita do conselho de ninguém.

23 Como são agradáveis as suas obras! E todavia delas não podemos ver mais que uma centelha.

24 Essas obras vivem e subsistem para sempre, e em tudo o que é preciso, todas lhe obedecem.

25 Todas as coisas existem duas a duas, uma oposta à outra; ele nada fez que seja defeituoso.

26 Ele fortaleceu o que cada um tem de bom. Quem se saciará de ver a glória do Senhor?

Palavra do Senhor.

Graças a Deus!

Salmo Responsorial: 33/32

A palavra do Senhor criou os céus.

Daí graças ao Senhor ao som da harpa,
na lira de dez cordas celebrai-o!
Cantai para o Senhor um canto novo,
com arte sustentai a louvação!

Pois reta é a palavra do Senhor,
e tudo o que ele faz merece fé.
Deus ama o direito e a justiça,
Transborda em toda a terra a sua graça.

A palavra do Senhor criou os céus,
e o sopro de seus lábios, as estrelas.
Como num odre, junta as águas do oceano
e mantém no seu limite as grandes águas.

Adore ao Senhor a terra inteira,
e o respeitem os que habitam o universo!
Ele falou e toda a terra foi criada,
ele ordenou e as coisas todas existiram.

Evangelho: Marcos 10, 46, 52

Aleluia, aleluia, aleluia.
Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não caminha entre as trevas, mas terá a luz da vida (Jo 8,12).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos:

Naquele tempo, 1046 chegaram a Jericó. Ao sair dali Jesus, seus discípulos e numerosa multidão, estava sentado à beira do caminho, mendigando, Bartimeu, que era cego, filho de Timeu.
47 Sabendo que era Jesus de Nazaré, começou a gritar: “Jesus, filho de Davi, em compaixão de mim!”

48 Muitos o repreendiam, para que se calasse, mas ele gritava ainda mais alto: “Filho de Davi, tem compaixão de mim!”

49 Jesus parou e disse: “Chamai-o” Chamaram o cego, dizendo-lhe: “Coragem! Levanta-te, ele te chama.”

50 Lançando fora a capa, o cego ergueu-se dum salto e foi ter com ele.
51 Jesus, tomando a palavra, perguntou-lhe: “Que queres que te faça? Rabôni, respondeu-lhe o cego, que eu veja!

52 Jesus disse-lhe: Vai, a tua fé te salvou.” No mesmo instante, ele recuperou a vista e foi seguindo Jesus pelo caminho.

Palavra da Salvação.

Glória a Vós, Senhor!

Cego e mendigo… (Mc 10, 46- 52)

Este Bartimeu do Evangelho era cego e mendigo. Aliás, mendigo, porque cego. Sua deficiência o impedia de ter qualquer atividade produtiva. Pior ainda, naquela sociedade, a cegueira era considerada como um estigma do pecado. Se uma criança nascia aleijada, deficiente, alguém teria pecado: ou ela ou seus pais. (Cf. Jo 9, 2.34.) Assim, restara-lhe a dura sina de esmolar para sobreviver. À margem das estradas, à margem da sociedade, que esperanças teria?

É curioso notar que “Bartimeu” não é um nome próprio. Bar Timeu significa “o filho de Timeu”, assim como Bar Jonas significa “filho de Jonas” (cf. Mt 16, 17). É o sinal da suprema dependência: a situação de alguém que sequer é considerado como pessoa, como adulto responsável. Apenas um anônimo na multidão.

Ao perceber que Jesus ia passando com a turba, uma chama de esperança se acende no coração do infeliz, que se põe a clamar por Jesus. Prontamente, os mais próximos tentam fazê-lo calar, mas ele insiste e clama: “Filho de Davi – exatamente o título próprio do Messias esperado! -, Jesus, tem compaixão de mim!” O Mestre manda buscá-lo e prontamente lhe devolve a vista.

S. João Crisóstomo pergunta: “Não te dá vontade de gritar, a ti que também estás parado à beira do caminho, desse caminho da vida que é tão curta; a ti, a quem faltam luzes; a ti, que necessitas de mais graça para te decidires a procurar a santidade? Não sentes urgência em clamar: Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim? Que bela jaculatória para repetires com frequência!”

Cego e mendigo. Mendigo e cego. Será difícil achar em todo o Evangelho uma definição mais exata de nossa humana condição. Não enxergamos nenhuma saída para a crise de nossa sociedade. Nós não dispomos de recursos para adquirir a vida que não passa. Dependemos da luz divina para achar o caminho. Dependemos radicalmente da graça para nos salvar…

O orgulho pode ser fatal. Cego, quero andar por meus próprios meios e certamente cairei no abismo. Mendigo, fecho-me em minha miséria e recuso estender a mão na direção de Quem me quer acolher e sustentar. Cego e mendigo, busco nos gurus e nos filósofos racionalistas uma saída para meu drama.

E Jesus espera apenas pelos meus gritos…

Orai sem cessar: “Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!” (Mc 10, 47)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

santini www.novaalianca.com.br

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Comentário ao Evangelho do dia feito por:

São Gregório Magno (c. 540-604), Papa e Doutor da Igreja
Homilias sobre o Evangelho n°2; PL 76, 1081 (a partir da trad. Luc commenté, DDB 1987, p.141 rev.)

«Ele gritava cada vez mais»

Que todo o homem que conhece as trevas que fazem dele um cego […] grite a plenos pulmões: «Jesus filho de David, tem misericórdia de mim!». Mas ouçamos também o que se segue aos gritos do cego: «Aqueles que caminhavam à frente repreendiam-no para o fazer calar» (Lc 18, 39). Quem são eles? Eles estão ali para representar os desejos da nossa condição neste mundo, promotores de confusão, os vícios do homem e o seu tumulto, que, querendo impedir a vinda de Jesus a nós, perturbam o nosso pensamento semeando nele a tentação, e querem abafar a voz do nosso coração que ora. Com efeito, acontece frequentemente que a nossa vontade de nos virarmos de novo para Deus […], o nosso esforço para afastar os nossos pecados através da oração, é contrariado pela sua imagem; a vigilância do nosso espírito afrouxa ao seu contato, eles semeiam a confusão no nosso coração, sufocam o grito das nossas preces. […]

Que fez então este cego para receber a luz mau grado estes obstáculos? «Ele gritava cada vez mais: ‘Filho de David, tem misericórdia de mim!’». […] Sim, quanto mais o tumulto dos nossos desejos nos acabrunhar, mais insistente deve ser a nossa prece. […] Quanto mais abafada for a voz do nosso coração, mais vigorosamente ela deve insistir até se sobrepor ao tumulto dos pensamentos invasores e tocar o ouvido fiel do Senhor. Creio que todos nos reconheceremos nesta imagem: no momento em que nos esforçamos por desviar o nosso coração deste mundo para o reencaminhar para Deus […], são muitos os importunos que pesam sobre nós e que temos de combater. É um enxame que o desejo de Deus tem dificuldade em afastar dos olhos do nosso coração. […] Mas, persistindo vigorosamente na oração, deteremos no espírito Jesus que passa. Donde a narração do Evangelho: «Jesus parou e ordenou que o levassem até Ele» (v. 40).

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